Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Felipe Daiello (Dublin de Oscar Wilde)

Monumento Oscar Wilde, Parque Merrion/Dublin
Nascido em Dublin, Oscar Fingal O’ Fhahertie Wills Wilde, escritor irlandês, autor de “O Retrato de Dorian Gray, torna-se um dos maiores dramaturgos em Londres ao final do século XIX.

“A vida é muito importante para ser levada a sério.”

Circular pela atual Dublin é recordar as frases do grande pensador. Tarefa agradável, mas exige tempo e paciência.

“A ambição é o último recurso do fracassado.”

A Irlanda sempre foi berço para grandes literatos e produziu quatro prêmios Nobel de Literatura. Apesar do prestígio mundial, Oscar Wilde e James Joyce não receberam o galardão em Estocolmo. Circular à noite pelos pubs, seguindo a velha tradição, degustando a Guiness escura, contagiado pela alegria da música e da dança irlandesa, possibilita recriar e imaginar a atmosfera de velha Dublin que tanto inspirou Oscar Wilde.

“A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela, também.”

Os goles da amiga, Guiness, ouvindo a alegre música irlandesa, intercalando os pratos onde a batata é a resistência, recordam o poeta:

“Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência.”

Educado no “Trinity College”, local onde o famoso manuscrito de Kell está exposto, o dramaturgo teve pai médico e mãe poeta, e desde cedo, apaixonou-se pelos escritos gregos e romanos.

Em Londres, vive com amigo e retratista popular da época, Frank Miles, convivência que lhe trará problemas no futuro. O relacionamento homossexual não era aceito pela rígida sociedade vitoriana.

Em 1881, ao realizar palestras pelos Estados Unidos, conhece Henry Longfellow, Oliver Holmes e Walt Whitmann. Começa a desenvolver a teoria da beleza que deve ser o foco absoluto na arte e na literatura.

Casado, precisando sustentar dois filhos trabalha em Revistas e Magazines; publica histórias infantis. “Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza.”

A importância de ser Ernesto será outra obra para recordar o gênio irlandês. Mas, o retrato de Dorian Gray é o seu clássico.

Única novela, “O Retrato de Dorian Gray”, de 1890 provoca uma torrente de protestos. Necessário adaptações. Surge um best seller.

“As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos”.

Oscar Wilde, que já tivera relações homoafetivas, com o pintor Frank Miles, quando estava em Oxford, ao se relacionar com Lord Inglês provoca escândalo que o leva à prisão.

Sua esposa troca o nome de família e Oscar Wilde, após sair da prisão, nunca mais recupera o seu brilho e prestígio. Durante os seus últimos três anos de vida, pobre, miserável, circula pela Europa, vivendo em hotéis baratos e do apoio dos amigos.

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria da pessoa apenas existe.”

Não podemos esquecer que após a ruptura do Império Romano, a cultura ocidental foi preservada em locais ermos e escondidos dessa Terra Verde. Em mosteiros, centro de formação cultural, monges e pessoas de todo o mundo encontravam local para estudar, para ler, para traduzir e para produzir livros. Diversas línguas e culturas tinha aqui local de abrigo e de desenvolvimento. As raízes das futuras universidades estavam lançadas. Será essa a razão da Irlanda produzir nomes como: Bernard Shaw, W.B. Yeats, Swift, James Joyce, Samuel Becket, Oscar Wilde e tantos outros. Títulos de livros clássicos aparecem na memória. ‘Viagens de Gulliver’, ‘ Esperando Godot’, “Ulisses”, “O Retrato de Dorian Gray”.

“Ser grande significa ser Incompreendido.”

As frases de Oscar Wilde surgem no improviso:

“O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males prefere ambos.”

A arquitetura Georgiana dos prédios as pontes cercando o rio Liffey, os parques e jardins, a alegria contagiante da noite, tudo nos leva a parte antiga de Dublin. Entre ruelas estreitas e bares centenários, o Temple Bar nos aguarda. Oportunidade de esquecer por momentos a literatura e entrar direto e na gastronomia irlandesa e na magnífica escura Guiness. As canções em irlandês, difíceis de entender, serão companheiras de outras lembranças. Oscar Wilde ainda presente.

“Hoje em dia, conhecemos o preço de tudo e o valor de nada”.

“Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão que estou errado”.

“Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo”.

Dorian Gray, o seu retrato espelha a visão de Dublin e de Londres na época em que Oscar Wilde viveu e escreveu. Duas versões para o Retrato de Dorian Gray refletem a censura imposta, o preconceito, as críticas, a necessidade de escapar das alfinetadas. De tornar a obra mais aceitável, mesmo em desfavor de critérios literários.

Visitar a casa onde o poeta viveu, relembrar frases bem articuladas, cheias de vida, circular pelos locais onde ele andou, absorvendo detalhes, guardando minúcias é tentar entender o gênio. Difícil!

No parque ao lado, estátua em mármore apresenta o escritor em pose característica. Parece rir de quem chega. Algumas das suas frases estão bem a mão:

“Falar é ter demasiada consideração pelos outros. Pela boca morreu os peixes e Oscar Wilde”.

 “Crer é muito monótono, a dúvida é apaixonante”

“Se soubéssemos quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria mais silêncio neste mundo”.

“Escolho os meus amigos pela cara lavada e alma exposta”:

Junto ao mármore de sua estátua, em Dublin, além do sorriso irônico o que nos encanta são as suas expressões gravadas na negra pedra, para a eternidade:
Nos assuntos muito sérios, o essencial é o estilo, não a sinceridade.
Uma ideia que não é perigosa, não merece nem mesmo ser chamada de ideia.
A verdade pura e simples é raramente pura e nunca simples.
Não há outro jeito de livrar-se de uma tentação à não ser sucumbindo a ela.
Se você resistir, a sua alma adoecerá desejando aquelas coisas que lhe foram recusadas.
As mulheres estragam qualquer romance, com essa mania de querer que eles durem para sempre.


Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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