Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 27 de maio de 2014

Marcelo Spalding (A importância do conflito na criação literária)


    Quem não lembra do tempo das redações escolares? Ao voltar das férias, invariavelmente escrevíamos sobre "Minhas Férias". E só hoje penso na professora, coitada, que lia 30 textos iguais em cada turma. Vamos nos colocar no lugar de uma professora de séries iniciais. Pense que você está lendo pela 28ª vez um texto mais ou menos assim:

    "Minhas férias foi boa, fomos para a praia, brincamo muito de bola e de piscina e de mar e comemo muito churrasco. Mamãe e papai estavam muito feliz. E eu também, claro."

    Até que, de repente, na 29ª redação, você lê isso:

    "Minhas férias foi boa, fomos para a praia, brincamo muito de bola e de piscina e de mar e comemo muito churrasco. Só que no último dia a mamãe encontrou um cara cabeludo na praia, conversou com ele e os dois fugiram. O papai ficou muito, muito brabo, pegou uma arma e saiu correndo atrás deles..."

    Opa! Esse texto me interessou! Esse texto eu quero ler até o final! Por quê? Porque esse texto tem conflito.

    O segredo da narrativa é ter um conflito. Se tudo estiver bem, a história não precisa ser contada. Outra comparação: quando você cruza por um conhecido e pergunta, sem sequer parar de caminhar: "Tudo bem?". O outro, também sem parar de caminhar, diz: "Tudo". É sempre assim.

    Se um dia seu amigo ou colega de trabalho disser "Não, não está tudo bem" você irá não só parar de caminhar como se voltar a ele, arregalar os olhos e perguntar com sincero interesse: "O que aconteceu???".

    Conflito, porém, não é necessariamente uma morte, a troca de um bebê na maternidade, o sequestro da mocinha, a traição, a doença terminal. A não ser que você queira trabalhar escrevendo novelas para a Globo, os conflitos podem - e devem - ser mais sutis. Para escrever uma história sobre traição, você pode começar narrando um jantar do casal em que ele sequer olha para ela, envergonhado. Eis um conflito. O leitor pode terminar o conto e sequer ter certeza do que houve. Mas o conflito está ali e o leitor irá até o final da história para tentar resolvê-lo.

    Há conflito, por vezes, em um simples olhar. Em um rosto. Em um gesto. Saber explorá-los é o grande segredo do bom escritor. Observe a imagem abaixo.

 
    
Inicialmente essa fotografia era uma entre milhares que um repórter fotográfico da National Geographic, Steve McCurry, fez na região do Afeganistão. Anos depois, alguém a achou no arquivo e pensou que seria uma boa foto para a capa, tornando-se uma das capas de revista mais famosas da história.

    Ainda sobre conflito, é importante você saber que tipo de texto irá escrever para determinar quantos conflitos cabem nele. A rigor, o conto é a narrativa de UMA história, ou seja, deve haver nele UM conflito.

    Claro que esse conflito (digamos a traição) pode estar espalhado em várias cenas de maneira mais sutil (o olhar, o silêncio, a raiva, o choro). E pode, até, uma doença grave da mulher justificar o conflito inicial. O problema é quando, no meio do texto, surge e é desenvolvido um novo conflito que não é causa nem consequência do primeiro (se refere a outra personagem, por exemplo).

    Já em narrativas longas, como romances ou telenovelas, há mais de um conflito (embora um costume ser o principal) e essas histórias (cada uma com seu conflito) se sobrepõem. O planejamento dessas ações e dessa história é fundamental para que o leitor não se perca.

Fonte:
Marcelo Spalding in http://www.cursosdeescrita.com.br/4108/a-importancia-do-conflito-na-criacao-literaria

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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