MÁRIO DE ANDRADE, cujo nome completo era Mário Raul de Morais Andrade. foi o principal articulador e líder intelectual do Modernismo brasileiro. Ele revolucionou a cultura nacional ao propor a ruptura com o formalismo do passado, a valorização da língua falada no Brasil e a profunda pesquisa das manifestações folclóricas e musicais do país. Nasceu em 1893, na cidade de São Paulo (SP) e faleceu nesta mesma cidade em 1945 (aos 51 anos), vítima de um ataque cardíaco. Passou quase toda a sua vida em São Paulo, teve uma temporada curta no Rio de Janeiro (entre 1938 e 1941). Também passou períodos de refúgio em uma fazenda da família em Araraquara (SP) e viajou extensamente pelo Norte e Nordeste do Brasil registrando a cultura popular.
Diplomou-se em piano pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Embora quisesse ser pianista profissional, tremores nas mãos motivados pelo choque da morte de seu irmão o afastaram dos palcos. Atuou como professor de História da Música e Estética, jornalista, crítico de arte e fotógrafo. Destacou-se imensamente como gestor público, sendo o fundador e diretor do primeiro Departamento Municipal de Cultura de São Paulo (1934–1937). Criou as primeiras bibliotecas públicas infantis, os parques infantis e a mítica Missão de Pesquisas Folclóricas. No Rio de Janeiro, trabalhou como professor catedrático na Universidade do Distrito Federal.
Sua estreia literária ocorreu em 1917 com Há uma Gota de Sangue em cada Poema (sob o pseudônimo de Mário Sobral), ainda com marcas parnasianas. Sua grande virada estilística se consolidou com a organização e o protagonismo na Semana de Arte Moderna de 1922. Ele chocou a sociedade conservadora da época ao ler os poemas revolucionários de Pauliceia Desvairada nas escadarias do Teatro Municipal. A partir dali, dedicou-se à formulação teórica do Modernismo, à escrita de ficção e à imensa troca epistolar (cartas) com intelectuais de todo o país. Mário de Andrade nunca pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Sendo um vanguardista convicto, ele mantinha uma postura crítica e de distanciamento em relação ao conservadorismo acadêmico da época, que inicialmente combatia as inovações modernistas. Não recebeu prêmios literários expressivos em vida, o que era comum para a primeira geração do Modernismo, que enfrentava forte rejeição institucional. Sua consagração máxima foi o reconhecimento crítico posterior. Hoje, seu legado é tão imenso que seu nome batiza premiações importantes, como o renomado Prêmio Mario de Andrade de Ensaio Literário, concedido anualmente pela Biblioteca Nacional.
Principais Livros Publicados:
Poesia: Há uma Gota de Sangue em cada Poema (1917);* Pauliceia Desvairada (1922) – Livro-marco do Modernismo; Losango Cáqui (1926); Clã do Jabuti (1927); Lira Paulistana (1946 - póstumo).
Romance / Prosa: Amar, Verbo Intransitivo (1927); Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter (1928) – Sua obra-prima e síntese mítica da identidade brasileira.
Contos: Primeiro Andar (1926); Contos Novos (1947 - póstumo)
Mário de Andrade foi o grande "arquiteto" da identidade cultural brasileira no século XX. Propôs o abandono do português lusitano e formal, trazendo para a literatura a estilização da fala brasileira, aproximando a escrita da realidade do povo. Em vez de exaltar o Brasil de forma cega, investigou as contradições, os mitos e a miscigenação do país. Macunaíma é o reflexo disso: um herói multiétnico que representa o caráter (e a falta dele) de nossa formação. Como etnomusicólogo e folclorista, ele salvou da extinção centenas de cantos, rituais e tradições populares do Norte e Nordeste, ajudando a fundar o conceito moderno de patrimônio histórico e artístico nacional (IPHAN).
Biografia = sites pesquisados: Wikipedia, Ebiografia, Portugues, Abi, Michele Christine, Brasil Escola, USP (FFLCH), Toda Materia, O Globo, Academia Brasileira de Letras, etc.

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