Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 13 de setembro de 2015

Alcione Sortica (1935)


  Alcione Sortica é natural de Cachoeira do Sul (RS), em 17 de dezembro de 1935, Formação colegial como contabilista. Depois de mudar-se para a capital Porto Alegre (RS), já como funcionário público da secretaria da Receita Federal - Auditor Fiscal do Tesouro Nacional - ingressou e concluiu curso de Bacharel em Ciências Contábeis. Após a carreira pública, passou exclusivamente a dedicar-se às artes, basicamente à literatura, mas com outros trabalhos na pintura e na música.
       Em 2000 a literatura começou a tomar forma com a publicação do poema Raio de Luz. Das inúmeras viagens nacionais e internacionais, aparecem as narrativas de histórias de viagem, publicados no Jornal Zero Hora e outros periódicos.

.       Em 2012 o artista recebeu quatro honrarias: o Troféu Carlos Drummond de Andrade, Destaques do Ano, na categoria literatura; o Troféu Pedro Aleixo- Personalidade Notável - pela sua contribuição artística-literária; a Comenda Caldre e Fião da Sociedade Pártenon Literário, por sua contribuição às Letras e à Cultura do Rio Grande do Sul; e eleito Membro de Honra da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture.
       Pelo seu trabalho de divulgação e incentivo da literatura como arte, em setembro de 2012 foi convidado e empossado como Governador da Associação Internacional de Poetas para o Rio Grande do Sul. No sistema de rodízio, atua como Vice-Governador da Associação Internacional Poetas Del Mundo para o Rio Grande do Sul, juntamente com a poetisa Hilda Maria Brasil (atual Governadora). A Revista CAOSótica Nr 31 (abril de 2013) traz na capa e uma reportagem sobre a obra do escritor, com críticas literárias, ensaios, contos, crônicas e uma apresentação do lançamento do livro Beira de Açude. O escritor abre a publicação do "Livro II das Aldravias" (edição bilíngue em português e em espanhol) [16] e soma-se a outros 50 artistas na compilação desse trabalho.
       Em março de 2014 foi empossado como Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, cerimônia ocorrida na sede da instituição no Champs Élysées em Paris (França) [10] . Em junho de 2015 foi empossado como Presidente do Conselho Fiscal da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves.
       Atualmente é um dos escritores mais premiados por seus contos, crônicas, ensaios e poesias, publicados em diversas obras e coletâneas literárias no Brasil e na América Latina.
       Entidades a que pertence:
q  Acadêmico e Presidente do Conselho Fiscal da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, RS;
q  Acadêmico da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, RJ;
q  Membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni, MG;
q  Membro correspondente da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas, MG;
q  Membro Fundador e Diretor do Departamento Histórico e de Intercâmbio Cultural do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, RJ;
q  Coordenador da Área de Cultura do Proyecto Cultural Sur Brasil;
q  Membro da Sociedade Pártenon Literário, RS;
q  Diretor de Divulgação e Imprensa do Instituto Cultural Nelson Fachinelli, RS;
q  Membro da Casa do Poeta Rio-Grandense - CAPORI, RS;
q  Associado da Estância da Poesia Crioula, RS.
      Obras Publicadas:
"Um ponto no Tempo", 2015; "De pai para filho", 2014 (edição em coautoria com o filho Eduardo); "Brasil em Cena", 2014 (edição bilíngue português e francês); "Livro II das Aldravias", 2013 (edição bilíngue português e espanhol); Beira de Açude, 2013; Peneirando Estrelas, 2012; Cacos do Tempo, 2005.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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