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sábado, 19 de setembro de 2026

Arthur Thomaz (Novo Imortal da Confraria Brasileira de Letras, de Floresta/PR)


É com imensa honra e júbilo que a comunidade literária saúda o escritor e trovador Arthur Thomaz, natural de Campinas/SP (biografia no final), por sua histórica ascensão aos quadros da Confraria Brasileira de Letras.

Em 18 de setembro, o autor tomou posse oficial da prestigiada Cadeira de Número 19, consolidando seu nome entre os grandes imortais que dedicam a vida à salvaguarda, ao fazer poético e à difusão da Língua Portuguesa e da nossa riquíssima tradição literária.

A cadeira assumida por Arthur Thomaz carrega consigo uma responsabilidade e um lirismo singulares, tendo como patrono o saudoso e reverenciado poeta e trovador potiguar Ademar Macedo. Unindo o interior paulista ao Nordeste brasileiro pelo fio condutor da trova, essa sucessão celebra a imortalidade da poesia e perpetua o legado de Ademar através da sensibilidade artística, da métrica precisa e da dedicação cultural que o novo confrade sempre imprimiu em sua trajetória.

Vindo de Campinas, importante polo cultural do estado de São Paulo, Arthur Thomaz destaca-se na cena contemporânea por sua versatilidade nas letras. Autor de obras que transitam do lirismo poético à literatura — como o sensível livro Sofia e o Circo —, o escritor encontra na trova sua expressão mais íntima e vigorosa. A trova exige o rigor da técnica e a leveza do sentimento, virtudes que Arthur Thomaz domina com maestria.

A chegada de Arthur Thomaz à Confraria Brasileira de Letras representa não apenas o merecido reconhecimento a uma carreira dedicada à beleza das palavras, mas também uma promessa de continuidade. Ao saudar a memória de seu patrono Ademar Macedo, o novo acadêmico assume o compromisso de manter viva a chama da trova nacional, provando que a poesia permanece firme como pilar de nossa identidade cultural.

Damos as mais calorosas boas-vindas ao novo imortal. Que sua jornada na Cadeira 19 seja repleta de inspiração, belas rimas e profícua produção literária!
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Os membros imortais da Confraria são:

Cadeiras e Membros Titulares

01 - José Feldman (Floresta/PR)
02 - Carolina Ramos (Santos/SP)
03 - André Ricardo Rogério (Arapongas/PR)
04 - Carmo Braz de Oliveira (Foz do Iguaçu/PR)
05 - Luiz Antonio Cardoso (Taubaté/SP)
06 - Silmar Bohrer (Caçador/SC)
07 - Aparecido Raimundo de Souza (Vila Velha/ES)
08 - Renato Benvindo Frata (Paranavaí/PR)
16 - Sammis Reachers (São Gonçalo/RJ)
18 - Benevides Garcia (Benjunior) (Porto União/SC)
19 – Arthur Thomaz da Silva Neto (Campinas/SP)
20 - Vanice Elizabeth Zimerman Ferreira (Curitiba/PR)
23 - Edy Soares (Vila Velha/ES)
25 - Daniel Maurício (Curitiba/PR)
27 - Luiz Gilberto de Barros (Luiz Poeta) (Rio de Janeiro/RJ)
29 - Cecy Barbosa Campos (Juiz de Fora/MG)
32 - Jorge Fregadolli (Maringá/PR)
36 - Luciano Dídimo (Fortaleza/CE)
38 - Therezinha Dieguez Brisolla (São Paulo/SP)
39 - Paulo Roberto Oliveira Caruso (Niterói/RJ)
41 - Luiz Damo (Caxias do Sul/RS)
42 - Sinclair Pozza Casemiro (Campo Mourão/PR)
43 - Filemon Francisco Martins (São Paulo/SP)
49 - Célio Simões de Souza (Belém/PA)
50 - Professor Francisco Garcia (Caicó/RN)
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Arthur Thomaz (1950)
        ARTHUR THOMAZ DA SILVA NETO é um escritor, médico e poeta paulista contemporâneo, de Campinas/SP. Ele vem se destacando no cenário da literatura do interior de São Paulo, pela versatilidade na prosa e pelo resgate ativo do movimento trovadoresco regional. A trajetória profissional de Arthur Thomaz concilia a carreira na saúde, o serviço militar e a dedicação integral à escrita: É médico de formação e atuou na área da saúde no interior paulista; Serviu ao Exército Brasileiro, onde alcançou o posto de 2º Tenente da Reserva (R2) do Corpo de Oficiais Médicos; Suas atividades literárias frequentemente se cruzam com espaços de reabilitação e saúde integrada, realizando lançamentos de livros em centros e clínicas especializadas da região de Campinas.
Embora com uma carreira consolidada na medicina como anestesista, Arthur Thomaz despontou no universo literário com uma produção altamente prolífica e diversificada, publicada e distribuída principalmente pela Bueno Editora. Sua vida literária transita por três vertentes principais: 
Os Romances e Ficção de Costumes: Escreve histórias que valorizam a simplicidade, o cotidiano e a vida no campo. Suas principais obras de prosa incluem Leves contos ao Léu (alguns volumes): Pedro Centauro (2024), Sofia e o Circo (2025) e Laura, a Autoridade.
Presença no Movimento Trovadoresco: Consolidou-se como um trovador premiado em importantes competições dos Trovadores e academias paulistas. Conquistou colocações de destaque em certames tradicionais, como o Concurso de Trovas da Academia Campinense de Letras e os Jogos Florais de Curitiba.
Produção de Trovas em Livro: No ano de 2024, lançou a obra de trovas Rimando Ilusões e Rimando Sonhos. O livro inovou no mercado editorial recente ao focar de maneira temática e exclusiva na estrutura clássica da trova.
A relevância de Arthur Thomaz na literatura contemporânea de Campinas e região apoia-se em fatores estéticos e de incentivo cultural: Em um mercado literário dominado por versos livres e e-books rápidos, Thomaz atua na contramão ao publicar Rimando Ilusões, trazendo visibilidade de mercado para a estrutura da trova (redondilha maior, com rimas fixas e métrica rigorosa de sete sílabas). Suas obras de ficção resgatam uma "literatura gentil", focada na vida rural paulista, no acolhimento de sua gente e nas sutilezas de personagens comuns. Isso ajuda a documentar a identidade sociocultural da região metropolitana de Campinas para além do caos puramente urbano. Por meio de seus lançamentos e de sua dupla jornada antigamente como médico e se mantendo como escritor, ele fomenta discussões sobre o papel da escrita como ferramenta de bem-estar, aproximando a literatura de círculos de saúde e desenvolvimento psicossocial na comunidade campineira.

domingo, 12 de julho de 2026

Chafariz de Trovas * 17 *


É tão carola a velhinha,

que, quando se sente mal,
faz primeiro uma rezinha,
depois toma um São Risal.
A. A. DE ASSIS
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Inspirado na bonança,
de pensamentos diversos,
o poeta é uma criança
brincando de fazer versos.
ADOLFO MACEDO
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Que exemplo o do vaga-lume
que vive na noite escura;
quanto maior é o negrume,
mais ele voa e fulgura!
ALBERTINA MOREIRA PEDRO
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Quem vive ofensas perdoando
e por amor tudo faz,
vai sempre em punho levando
uma bandeira de paz!
ANALICE FEITOSA DE LIMA
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Qual fantasia perdida
que se desfaz na amplidão,
tudo é efêmero na vida,
feito bolha de sabão!
ANTÔNIO COUTINHO
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Passa na estrada um camelo
e um corcunda palpitante
de alegria, disse ao vê-lo:
- “Mas que animal elegante!”
ANTÔNIO SALES
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Ralha o chefe, quando chego
atrasado e irritadiço...
Eu até gosto do emprego;
só não gosto é de serviço!
ANTONIO VALENTIM RUFATTO
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Sede balança amiúde
ao pesar os vossos feitos;
vereis gramas de virtude,
toneladas de defeitos.
ARISTÓTELES LACERDA JÚNIOR
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Destino é força que esmaga...
– Credor austero, tremendo,
manda a conta e a gente paga
sem saber que está devendo.
BARRETO COUTINHO
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Traça os rumos com carinho,
pondo firmeza nos traços,
que a retidão do caminho
dá segurança aos teus passos.
CAROLINA RAMOS
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Veleiro de vela panda,
perdeste o rumo e, a bailar,
vais brincando de ciranda
nas águas verdes do mar!
CÉLIO GRUNEWALD
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Já com cabelos grisalhos,
mas inda pensando em ti,
vejo a saudade em retalhos
nas cartas que recebi.
CIDOCA DA SILVA VELHO
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Range a carroça, à distância,
e o boi num passo indolente
me traz lembranças da infância,
faz do passado... presente.
CINCINATO PALMAS AZEVEDO
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Um abajur sobre a mesa,
na velha jarra uma flor;
um “Tango para Teresa”,
saudades de um velho amor.
DALMIR PENA
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Tenho, sim, muito mais ouro
e fortuna que um ricaço:
não há no mundo tesouro
que pague as trovas que eu faço!
DARLY ANGÉLICA O. BARROS
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Num reino que tanto mata,
onde a ambição desatina,
mesmo sem ouro e sem prata,
o rei... é quem se domina!
DICHE GALVÃO CAMPOS
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A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família ao redor
de um velho fogão de lenha!
EDUARDO A. O. TOLEDO
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Assim é este mundo,
todo cheinho de loucos...
E mais este vagabundo
que te quer bem como poucos!
FRANCISCO C. ROCHA
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Nem sempre a briga é conflito
quando o bom senso a conduz;
certas pedras, em atrito,
soltam centelhas de luz!
HAROLDO RODRIGUES DE CASTRO
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Eu prefiro a arte caduca,
pois receio a evolução.
Quanto mais ela se educa,
mais aumenta a confusão.
HUMBERTO DEL MAESTRO
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Virtude é fazer o bem
pelo prazer de fazê-lo,
mesmo sendo para alguém
que não faz por merecê-lo.
IZO GOLDMAN
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Responde, ó Deus, pela mão
que podes ver, calejada:
– Por que há de ter tanto chão
quem nele não planta nada?
JAIME PINA DA SILVEIRA
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Sacudiram minha vida,
duas coisas, te confesso:
a tua triste partida
e o teu alegre regresso.
JOÃO BATISTA SERRA
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Não foste a minha metade,
pois jamais me deste um “sim”…
Mas fizeste que a saudade
fosse a metade de mim.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO
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Se alguém brigou por amor,
ou é ciúme, ou intriga...
– Quem ama não tem rancor,
e por amor ninguém briga!
JOSÉ VITOR DE PAIVA
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Se aos outros deres bom trato,
respeito, a qualquer momento,
receberás – de imediato,
o mesmo e igual tratamento.
JOSIAS PAIVA PINHEIRO
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Cabeça, triste é dizê-lo!
Cabeça, que desconsolo!
por fora não tem cabelo,
por dentro não tem miolo!
LAURINDO RIBEIRO
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O mar que geme e palpita
no seu tormento profundo
é uma lágrima infinita
que Deus chorou sobre o mundo!
LILINHA FERNANDES
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A mentira, então solteira,
foi juntar-se ao desrespeito
e a traição, filha primeira,
fez nascer um lar desfeito.
LUIZ DAMO
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Quis pintar em aquarela
a história do nosso amor;
não pintei nada na tela;
como é que se pinta a dor?
LUIZ POETA
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Ah se eu pudesse saber
qual a mulher que ele quer…
Que não iria eu fazer
para ser essa mulher?
MAGDALENA LÉA
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Ai, meu Brasil, quem me dera
eu partir de Portugal
numa linda caravela
bem ao lado de Cabral!...
MANOEL FERNANDES MENENDEZ
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Respeita o empenho constante,
o eterno recomeçar
de quem erra e segue avante,
na esperança de acertar.
MARIA H. C. M. DUARTE
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Quando o verso é costurado
com sentimento e magia,
parece vir cravejado
de ternura e de poesia.
MARIA LUIZA WALENDOWSKY
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De um cantinho da Bahia,
chamado Porto Seguro,
parte o Brasil – sob a guia
de Iemanjá – rumo ao futuro.
MARIA MADALENA FERREIRA
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Numa alegria sem fim,
o meu coração criança
faz da ilusão trampolim
e mergulha na esperança...
MARTA MARIA P. BARROS
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Se de amor, em asas plenas,
um "sim" disseres, discreto,
com as três letras apenas
me darás o céu completo.
MIGUEL EPSTEJN RUSSOWSKY 
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Mal termina a serenata,
um silêncio, sorrateiro,
derrama gotas de prata
nos olhos do seresteiro...
MILTON SEBASTIÃO SOUZA 
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Sem ter fé, és indefeso 
no estirão para o futuro; 
Igual não teres aceso 
nenhum fósforo no escuro.
NAIKER DÁMASO
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Esperar muito da vida,
das pessoas, é ilusão.
É um beco sem saída
que termina em decepção.
NILSA ALVES DE MELO
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Fogueira em festa junina...
Eu me queimei um bocado!
Na quadrilha eu vi menina
e saí de lá casado!
PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA CARUSO
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A existência é dividida
em dois extremos da idade:
- um, alvorada da vida,
outro, arrebol de saudade!
PROFESSOR GARCIA
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Ao te encontrar, velha agenda,
lá no fundo da gaveta,
meu passado se desvenda...
És a minha “caixa-preta”!
RENATO ALVES
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Não temo quedas, barreiras,
por mais que a tristeza insista.
Águas que são cachoeiras
não tem lodo que resista!
RITA MARCIANO MOURÃO
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O rancho de tantos causos
alegres, sempre bravios
desperta muitos aplausos
e afasta os dias sombrios.
SINCLAIR POZZA CASEMIRO
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Nós precisamos sorrir,
mesmo sendo vergastados,
pois ninguém leva, ao partir,
os patrimônios roubados.
SWAMI VIVEKANANDA
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Ao pai dela, o cafajeste
explica: "Foi num pagode"...
O velho é um "cabra da peste"
e a moça explica: "Deu bode!”
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
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Ao vento não lances praga,
pensa, repensa e medita,
pois a boca sempre paga
pela frase que foi dita!
VANDA ALVES DA SILVA
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Velha viola, na orfandade,
calou-se, pois seus segredos
não suportam a saudade
nem o toque de outros dedos!
ZAÉ JÚNIOR
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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Asas da Poesia * 55 *

 

Soneto de
EDY SOARES
Vila Velha/ES

A desconhecida

De onde ela veio os riscos eram poucos;
cais de sossego e amores comedidos…
porto seguro…, mas de ouvidos moucos
aos seus anseios, sempre preteridos.

Um dia, enfim, nos descobrimos loucos,
incendiando instintos escondidos
e nos amando entre os gemidos roucos
das feras que contêm suas libidos.

Aos poucos pude ver que descobrimos
detalhes tão comuns de um sonho imenso,
motivos pelos quais nós nos unimos…

E agora a vejo triste e dividida
entre as surpresas deste amor intenso
e o porto que acolheu a nau transida!
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Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Alarme no galinheiro. 
- Será que há gambá na granja?... 
- Bem mais grave: é o cozinheiro 
que avisa: “Hoje vai ter canja!”…
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Poema de
CARLOS LÚCIO GONTIJO
Santo Antônio do Monte/MG

Oração dos casais

Meu bem, sei que Deus protege os casais
Semeia trigais de ternura na pele
Para que o amor sele as marcas da procura
Então, na hora em que a gente for dormir
Façamos jus aos cuidados do Senhor
Por favor, acenda-me quando apagar a luz!
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Aldravia de
HELENA LUNA
Fortaleza/CE

sonho
poeira
que
o
vento
carrega
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Soneto de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/ Portugal

O teu rosto de sal na praia vã
(José Charles González in "Cem Sonetos Portugueses", p. 148)

O teu rosto de sal na praia vã
Filtrava a luz do sol nesse cristal
E lá do sul, subindo o areal
Vinha a lua dizer que é tua irmã.

Sendo a razão de ser desta manhã
Silhueta esculpida num vitral
Serias Virgem numa catedral
Se não tivesses já coroa de romã.

És sereia que o mar azul trouxesse
Uma rosa de orvalho que amanhece
E, por milagre, a Terra iluminasse.

És aragem lembrando borboleta
Vestida de amarelo, azul, violeta
E que ao bater das asas nos deixasse.
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Trova de
FERNANDO BURLAMAQUI 
Recife/PE, 1898 – 1978

A Saudade, com certeza,
tem poderes encantados
que fazem doce a tristeza
dos corações separados.
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Soneto de
AFONSO FREDERICO SCHMIDT
Cubatão/ SP, 1890-1964, São Paulo/SP

Rosas loucas

A rosa louca é a rosa mais singela
de todas as rosas, mas é bela
porque nasce nas cercas, nos caminhos
e conta menos flores do que espinhos.

A rosa louca é a rosa mais plebeia
dentre todas as rosas, traz à ideia
a moçoila do bairro, tão bonita
com vestidos de cor, feitos de chita.

A rosa louca é a rosa que se olha
sem tirar do pé, porque desfolha;
ela pede perdão de não ter graça;

desponta, desabrocha, encanta... e passa.
Estas rosas são breves e são poucas,
como o riso feliz em nossas bocas…
= = = = = = 

Trova de
SINCLAIR POZZA CASEMIRO
Campo Mourão/PR

Todas  manhãs são seguras,
pois há toques de poesia
que tu, mágico, asseguras
Sir Feldman de cada dia!!!
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Poema de
FILEMON MARTINS
São Paulo/ SP

Elogio ao Soneto

No meu viver de agitação, proscrito,
eu busco a paz para escrever um verso
e de alma pura, coração contrito,
procuro a melhor rima do Universo.

O desespero aperta, estou aflito…
Como escrever num mundo tão perverso?
A inspiração me acode com um grito,
e o meu soneto nasce, incontroverso…

Ao verbo de Camões me fiz escravo.
em busca da palavra me fiz bravo,
para dar ao soneto nova aurora…

Que o pavilhão tremule lá na praça,
e brilhando, qual pérola sem jaça,
reine o soneto pelo mundo afora!
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Trova de
DIVENEI BOSELLI 
São Paulo/SP

Choro junto à sepultura
De sonhos mortos repleta,
E a razão, mãos na cintura,
Diz: – quem mandou ser poeta.
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Soneto de
MIGUEL RUSSOWSKY
Santa Maria/RS (1923 – 2009) Joaçaba/SC

Oração do poeta

– Que me darás, Senhor, pela jornada
de dores, privações e misereres?
– Eu te darei a noite salpicada
de estrelas e silêncio. Que mais queres?

– E para a solidão da madrugada?
– Já fiz o mundo cheio de mulheres.
procura e encontrarás a tua amada.
Faz os mais lindos versos que puderes.

– Mas como irei, Senhor, reconhecê-la?
– Há no céu, entre todas, uma estrela
que apenas tu verás. Que mais perguntas?

– E este frio e esta angústia que ora sinto?
– Quando ela penetrar em teu recinto
a primavera e a paz hão de vir juntas.
= = = = = = = = =  

Trova de
FAGUNDES VARELA
Rio Claro/RJ, 1841 – 1875, Niterói/RJ

A mais tremenda das armas,
bem pior que a durindana,
atentai, meus bons amigos…
se apelida: – a língua humana!
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Cantiga Infantil de Roda
PEZINHO 

Ai bota aqui 
ai bota ali 
o teu pezinho
O teu pezinho 
bem juntinho 
com o meu

Ai bota aqui ai bota ali 
o teu pezinho
O teu pezinho o teu pezinho 
ao pé do meu

E depois não vá dizer 
que você já me esqueceu
E depois não vá dizer 
que você já me esqueceu

E no chegar deste teu corpo, 
uma abraço quero eu
E no chegar deste teu corpo, 
uma abraço quero eu

Agora que estamos juntinhos, 
da cá um abraço e um beijinho
Agora que estamos juntinhos, 
da cá um abraço e um beijinho

E depois não vá dizer 
que você já me esqueceu
E depois não vá dizer 
que você já me esqueceu
= = = = = = = = =  

Quadra Popular de
AUTOR ANÔNIMO

Teu coração bem amado,
é de tão grande doçura,
que se fosse esquartejado
parecia rapadura.
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Poema de
VANICE ZIMERMAN
Curitiba/PR

O portão e o vento

Num piscar de olhos
Distancia-se o pensamento,
Busco encontrar-te
Em cada folha do Plátano
E pétalas de rosa que guardei...
Imagino que esteja próximo a esquina
Vindo em minha direção,
Mas, num piscar de olhos.
Você retorna aos meus sonhos,
E o portão abre-se com o vento...
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Poetrix de
ANGELA TOGEIRO
Belo Horizonte/MG

Falsa borboleta

Ousei ser lagarta e pupa.
Rompi o casulo
numa sociedade de asas tolhidas.
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Pantun de
OLGA MARIA DIAS FERREIRA
Pelotas/RS

Pantun da Cegueira do Amor

TEMA:
Se o amor é cego, entretanto,
por que nos faz tanto bem?
Mesmo cego, é luz no entanto,
nos olhos cegos de alguém!
PROFESSOR GARCIA 
Caicó/RN

PANTUN:
Por que nos faz tanto bem
essa pauta de carinho,
nos olhos cegos de alguém,
a enfeitar o nosso ninho.

Essa pauta de carinho,
tanto amor ao entardecer,
a enfeitar o nosso ninho
e nos ajuda a viver.

Tanto amor ao entardecer,
traz grande brilho ao olhar
e nos ajuda a viver,
vibrar, sorrir e sonhar.

Traz grande brilho ao olhar
e traz muita paz… enquanto,
vibrar, sorrir e sonhar
Se o amor é cego, entretanto...
= = = = = = = = =  

Aldravia de
ANNA RIBEIRO
Itajaí/SC

nas
entrelinhas
a
busca
de
mim
= = = = = = = = =  

Soneto de
FILINTO DE ALMEIDA
Porto/Portugal, 1857 – 1945, Rio de Janeiro/RJ

Zumbidos

Eu quisera ter voz para cantar
A tua glória — portentoso guia
Nas ascensões da minha fantasia —
Voz do Céu, voz da Terra, voz do Mar.

Mas tão potente voz, tão singular
Que concertasse a tríplice harmonia,
A só digna de ti, quem a teria
Neste soturno mundo sublunar?

Eu, abelhão fugaz do ático Himeto,
Dou-te o meu surdo canto, asas abrindo,
Num sussurro de loa triunfal;

Dou-te mais um zumbido num soneto;
Que eu vivi sempre e morrerei zumbindo
Em torno da tua sombra colossal.
= = = = = = = = =  

Trova de
J. UDINE VASCONCELOS
Fortaleza/CE

Como filho do Universo,
vejo a vida em poesia,
por isso é que faço verso,
dia e noite, noite e dia…
= = = = = = = = =  

Poema de
JOHN DONNE 
Londres/Inglaterra, 1572 – 1631

A Isca 

Vem viver comigo, sê o meu amor
E alguns novos prazeres provaremos
De areias douradas e regatos de cristal
Com linhas de seda e anzóis de prata.

Aí o rio correrá murmurando, aquecido
Mais por teus olhos do que pelo sol;
E aí os peixes enamorados ficarão
Suplicando a si próprios poder trair.

Quando tu nadares nesse banho de vida
Cada peixe, dos que todos os canais possuem,
Nadará amorosamente para ti,
Mais feliz por te apanhar, que tu a ele.

Se, sendo vista assim, fores censurada
Pelo Sol, ou Lua, a ambos eclipsarás;
E se me for dada licença para olhar
Dispensarei as suas luzes, tendo-te a ti.

Deixa que outros gelem com canas de pesca
E cortem as suas pernas em conchas e algas;
Ou traiçoeiramente cerquem os pobres peixes
Com engodos sufocantes, ou redes de calado.

Deixa que rudes e ousadas mãos, do ninho limoso
Arranquem os cardumes acamados em baixios;
Ou que traidores curiosos, com moscas de seda
Enfeiticem os olhos perdidos dos pobres peixes,

Porque tu não precisas de tais enganos,
Pois que tu própria és a tua própria isca,
E o peixe que não seja por ti apanhado,
Ah!, é muito mais sensato do que eu.

(Tradução de Helena Barbas)
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Trova de
DJALDA WINTER SANTOS
Rio de Janeiro/RJ

Houve muita confusão
quando o morto, no velório,
dando um tapa no caixão,
reclamou do falatório...
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Glosa de
GISLAINE CANALES
Herval/RS, 1938 – 2018, Porto Alegre/RS

E é quase dia...

MOTE:
No talvez da quase noite,
quando a espera me angustia,
horas batem feito açoite...
Tu não vens...e é quase dia...
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

GLOSA:
No talvez da quase noite,
eu me perco em devaneios
e temo que a dor se amoite
e se instale nos meus seios!

O pranto cai devagar
quando a espera me angustia,
sentindo – não vais chegar,
morre em mim toda a alegria!

A tristeza faz pernoite
no meu pobre coração...
horas batem feito açoite...
sem nenhuma compaixão!

Quando a solidão aumenta,
a noite perde a magia
e minha alma não aguenta,
tu não vens...e é quase dia…
= = = = = = = = =