Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Expressões Potiguares (Rio Grande do Norte)

Abigobel - Leso, sem atenção.
Abilolado - Com o miolo mole, sem juízo.
Abufelado - Chateado, com raiva.
Abusado - Chato
Achinchelar - Usar o tênis como chinelo.
Acochar - Apertar.
Acolá - Ali.
Acunhar - Correr, fugir. "Acunha rapaz!"
Afolosar - Afrouxar.
Aí vareia - Depende.
Alpercata - Sandália de dedo.
Amarrado - Pão-duro, mesquinho.
Amuquecado - Quieto, desanimado.
Aparelho - Vaso sanitário.
Aperrear - Encher o saco, pertubar. "Deixe de aperreio aí!"
Apetrechada - Dotada de beleza física.
Apombalhado - Leso.
Arenga - Briga pequena.
Aresia - Conversa besta, sem fundamento.
Argueiro - Cisco no olho.
Ariado - Desnorteado.
Arremedar - Imitar.
Arretado - Algo muito bom.
Arrudiar - Dar a volta.
Arrumação - Tanto teimosia ("Menino! Deixa de arrumação!") quanto agito.
Avexado - Com pressa.
Avia - "Venha, ande logo".
Azougue - Ímã.
Bagana - Balas, biscoitos, chocolates, pirulitos, chicletes... Alimentos para um lanche rápido, para se comer no cinema, etc.
Baixa da égua - Lugar onde ninguém quer ir, lugar muito longe.
Baladeira - Estilingue, atiradeira.
Balaio de gato - Desorganização, confusão.
Baludo - Cheio da grana.
Banda - Pedaço de alguma coisa.
Bater a caçuleta - Morrer.
Biloca - Bola de gude.
Blimba - Estalo na orelha com o dedo.
Bôjo - Sanitário.
Bora li - Vamos ali.
Borréia - Sem qualidade.
Boyzinha - Menina novinha.
Bozó - Dados.
Breado - Sujo, melado.
Brecheiro - Sabe da vida alheia, observando às escondidas.
Brenha - Local longe de difícil acesso. "Rapaz, esse lugar é lá nas brenhas!"
Brocoió - Matuto, caipira.
Brotinho - Mocinha bonita.
Bruguelo - Bebê.
Bubu - Chupeta.
Bufa - Peido.
Bufento - Aquilo que perdeu a cor.
Buliçoso - Pessoa que mexe em tudo.
Cabido - Intrometido.
Caboré - Homem esquisito.
Cabreiro - Desconfiado.
Caga-lona - Quem anda na carroceria de uma caminhonete.
Cagado - Sortudo.
Cagado e cuspido - Muito parecido.
Cagou o cibazol - Errou, não teve sucesso.
Caixa bozó - Lugar muito longe.
Caixão e vela preta - O melhor, o máximo.
Califon - Sutiã, porta-peitos.
Cambada - Grupo de malandros.
Cambito - Perna fina.
Cangapé - Capotagem.
Cangote - Nuca, parte detrás do pescoço.
Cangueiro(a) - Aquele que não dirige bem.
Canhão - Mulher feia.
Caningar - Chatear.
Canjerê - Tumulto.
Cantiga de grilo - Algo repetitivo.
Cão chupando manga - Pessoa muito feia.
Capilé - Estalo com o dedo atrás da orelha.
Caquear-se - Gestos à procura de algo.
Caraca - Sujeira de nariz.
Carecer - Precisar.
Caritó - Moça velha que não casou.
Carregado - 1. Alimento que pode fazer mal ao organismo. 2. Comida "pesada", que deixa a pessoa se sentindo muito cheia (alguns pratos da comida regional).
Cascaviar - Remexer, procurar.
Catinga - Mau cheiro.
Catoco - Pedaço de coisa.
Catôta - Sujeira de nariz.
Caxaprego - Lugar distante.
Cevado - Fortinho, quase gordo.
Cheio de onda - Pessoa com muita conversa, enrolação.
Cheio de toddynho - Bêbado.
Chulipa - Tapa na orelha com um dedo no sentido vertical.
Churumingar - Reclamar.
Cigarreira - Banca de revista.
Cipuada - Porrada, chibatada.
Cocorote - Cascudo.
Coisar - "Verbo" multifacetado utilizado sempre que uma palavra mais apropriada não é encontrada.
Coletivo - Ônibus.
Com a bexiga - Com raiva.
Comí que fiquei triste - Quando a pessoa comeu demais, até o limite.
Confeito - Balas, doces.
Corralinda - Coisa linda, pessoa bonita.
Corrida de ganso - O que não vale a pena.
Crica - Criança.
Cumê que ofende - Comida que pode provocar algum tipo de reação ou alergia.
Custar - Demorar. "O ônibus está custando muito".
Danada - Pessoa inquieta, que não fica parada. "Ô menina danada!"
Dando siu - Chamando "psiu".
Dar cabimento - Dar liberdade, intimidade.
Dar o grau - Caprichar ao fazer algo. "Eu vou dar o grau na sua casa"
Dar o prego - Enguiçar.
Dar pitaco - Dar opinião.
Dentequeiro - Dente siso.
Derradeiro - Último.
Derrubado - 1. Sem ânimo, doente; 2. Sem qualidade.
Desapartar - Separar.
Descansar - Parir, dar à luz.
Descatitar - Acelerar, correr.
Desembuchar - Confessar.
Desimbestar - Correr bastante.
Desmantelado - Maluco, muito doido.
Desmentir - Torcer o pé.
Desmilingüido - Muito magro, sem força.
Destrocar - Trocar dinheiro.
Deu um revestrés no buxo – Deu uma dor de barriga repentina.
Din-din - Sacolé, chupe-chupe, gelinho.
Dirlechado - Desorganizado, sem cuidado.
Doidim - Doidinho, pessoa simpática meio amalucada.
Dor de viado - Dor no baço.
É caixão! - É difícil, complicado.
É um porre! - Chato, péssimo.
Eita piula! - Interjeição de espanto.
Em riba - Em cima.
Embuchar - Engravidar.
Emburrado - Chateado, de cara feia.
Empanzinado - Quem comeu demais.
Encalifado - Desconfiado.
Encangado - Em cima, montado.
Encruado - Aquele que não cresceu.
Enfadado - Cansado.
Enfezado - Com raiva.
Engilhado - Enrugado.
Enguiçado - Quebrado.
Enredar - Entregar alguém. "Meu irmão me enredou para minha mãe".
Ensacar - Pôr a blusa dentro da calça.
Entojo - Enjôo.
Enxerido - Assanhado.
Esbugalhado - De olhos bem abertos.
Escanchado - Montado em algo ou alguém.
Escangalhado - Quebrado.
Escapulir - Escapar, fugir.
Esgotar - Secar a fossa.
Esmolé - Mendigo.
Esmulecer - Desanimar, esmorecer.
Espichado - Esticado.
Espragatado - Pisado, amassado.
Estatalado - Caído e todo quebrado.
Estribado - Pessoa com muito dinheiro.
Estribuchar - Debater-se.
Estrompado - Arrombado, arregaçado.
Eu cegue - Eu aposto, eu dou minha palavra.
Farda - Uniforme escolar.
Fastiado - Sem fome.
Fazer sabão - Sexo entre lésbicas. "As duas estavam fazendo sabão lá na casa de praia"
Fechar a prova - Acertar toda a prova.
Fechicler - Zíper de calças, bolsas etc.
Fez mal - Engravidou alguém.
Filé de borboleta - Pessoa muito magra.
Folote - Folgado.
Frangote - Moleque, adolescente.
Frechado - Chato.
Friso - Grampo de cabelo.
Frivião de gente - Multidão.
Fuá - Um cantinho bagunçado.
Fubento - Sem cor, desbotado.
Fuinha - Rostinho engilhado.
Furdunço - Bagunça.
Furnido - Forte, robusto.
Gaia - Chifre.
Galalau - Rapaz alto.
Gale não - "Não faça essa sacanagem".
Galinha à cabidela - Galinha ao molho pardo.
Gastura - Enjôo, mal-estar.
Ginga - Manjubinha, tipo de peixe.
Godela - Conseguir algo sem pagar.
Goipada - Cuspida.
Gorado - Ovo estragado.
Grade - Caixa de cerveja.
Graxa - Molho de carne.
Grosso que nem parede de igreja - Pessoa grosseira.
Ingembrado - Torto.
Jerimum - Abóbora.
Leriado - Conversa fiada.
Marmotento – Pessoa cheia de manias.
Melado - Bêbado.
Môco - Surdo, mouco.
Mói de chifre - Corno.
Mundiça - Gente pobre, "povão". "Na praia só tinha mundiça"
Não dá um prego numa barra de sabão - Não faz nada, é um preguiçoso.
Ova de Curimatã - Prato típico feito com curimatã, que é um peixe de água doce.
Paçoca - Carne seca socada no pilão com farinha de mandioca e temperos.
Papel de enrolar prego - Pessoa grosseira.
Pastorar - Vigiar. "Pastore aí meu carro"
Pé de pau - Árvore.
Peba - De má qualidade.
Pedir penico - Desistir.
Pelejar - Tentar várias vezes.
Queima raparigal! - Grito de guerra, incentivo para as meninas agitarem.
Quenga - Prostituta.
Sibite baleado - Pessoa pequena ("sibite" é um pequeno pássaro).
Sustança - Energia dos alimentos. "Rapadura tem sustança".
Torei a arriata da minha chinela - Quebrei minha sandália
Triscar - Tocar. "O menino triscou no bolo"
Varapau - Homem alto.
Vexado - Apressado.
Vexame - Aperreio, confusão.
Vigi! - Por pouco, quase!
Visse? - Certo? OK?
Vogar - Valer.
Xanha - Coceira na pele.
Xeleléu - Puxa-saco.
Xôxa - Sem graça, sem futuro.
Zambeta - De pernas tortas.
Zonar - Zombar, tirar um sarro, curtir com o outro.
Zuadento - Barulhento.

Fonte:

http://www.nataltrip.com/termos_regionais/Z

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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