Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Izo Goldman (A pressa...)

Artigo escrito pelo Magnífico Trovador (falecido) em 2009

O velho ditado de que “a pressa é inimiga da perfeição”, parece cada vez mais válido. Até mesmo uma grande Trovadora, e querida Irmã, foi vítima...
         Num artigo intitulado “Os Temas das Trovas” ela afirma: “Falo das repetições constantes dos Temas nas Trovas”.  Se tivesse feito um levantamento, só dos últimos três anos, 2006, 2007 e 2008, teria constatado que tivemos 160 Temas de Concursos; destes, apenas 11 foram repetidos e um foi usado três vezes. Portanto apenas 7.5% dos Temas foram repetidos, o que , convenhamos é um número bastante aceitável.     
         Mais adiante ela continua: “Se um tema é bonito, ele favorece à criação de Trovas bonitas, é lógico”. Será mesmo? O que serão Temas bonitos? Amor? Saudade? Carinho? Destino?     
         Creio eu que, dentro destes Temas “bonitos” será muito mais fácil o aparecimento do “lugar comum”. Talvez os Temas “originais” façam com que tenhamos “Trovas antológicas”.
         Por exemplo, se o Tema fosse “PAPALVOS” teríamos Jacy Pacheco:
Olhai, racistas, papalvos,
das mães o exemplo de amor;
seios negros, seios alvos,
dão leite da mesma cor...     
                   E, convenhamos, “papalvos” não é uma palavra bonita... ou, se o Tema fosse “ELETROCARDIOGRAMA”, teríamos V. C. Soares de Souza:
Prova o eletrocardiograma,
com seus riscos desiguais,
que o coração que mais ama,
é sempre o que sofre mais...
                   Com certeza, “eletrocardiograma” não é uma palavra bonita ou, pasmem, o Tema fosse “CIBERNÉTICA”, e Madalena Léa dissesse:
Uma pergunta patética
acode às mentes insanas,
no tempo da cibernética,
que farão as mãos humanas?     
                   E, cá pra nós, “Cibernética” é de doer! Vamos concluir com “CARDIOLOGIA” e com Athos Fernandes:
 
Meu coração desafia
vossa perícia, Doutor;
não cura a Cardiologia,
cardiopatias de amor...
                   Neste caso o tema poderia ser, também, “cardiopatia”, o que daria no mesmo! Também sou contra a repetição de Temas em Concursos; também sou contra o uso de temas “menos poéticos” em Concursos, mas, primeiro, acho o número de repetições pequeno, e, segundo, tenho dúvidas se é o tema “poético” ou o tema “original” que “obriga” o Trovador a fazer Trovas melhores.
                   Talvez até não seja bem assim, mas, é bom pensar no assunto.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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