Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Olivaldo Júnior (Asas)

Trabalho numa escola pública municipal, na secretaria. Hoje saí do trabalho um pouco mais cedo e fui ao centro da cidade, para, depois, ainda voltar à Escola e, de lá, partir para casa com a cesta básica do mês.

No caminho de volta para lá, um passarinho me chamou a atenção e, por uns momentos, parei e, de olho nele, que andava de um lado para o outro no chão, como se quisesse voar e não pudesse, pensei: Será que esse pobre passarinho sabe que é um pássaro e que tem o espaço todo a seus pés, digo, suas asas? Não sei, nunca parei muito para pensar nisso, nem sei se já chegaram a estudar o mundo das aves tão a fundo, ao ponto de descobrirem como realmente funciona sua consciência de si. Será que eles sabem que são pássaros? Eu, por exemplo, na fila dos que vêm à luz, lá no Céu, devo ter bobeado, me distraído com algum anjo serelepe e, por engano, tomado a fila dos homens, quando queria mesmo era ter pegado a de um sabiá cantor, de uma andorinha livre, de um bem-te-vi que fica o tempo todo no passado, dizendo que me viu. Logo eu, o sem-asas!

Nunca voei de avião e tenho medo de altura, vertigem que me dá subir numa escada! Mas queria ter asas, singrar os azuis dos olhos da Terra e pousar no fio quase nulo de uma existência que só faz ver o mundo cá de baixo lá de cima dos montes. Talvez, assim, tivesse um monte de histórias, um mundo de estrelas, um lote de amigos. Será?

As crianças da escola em que trabalho, quando em vias de entrar em sala, pouco antes de bater ou o sinal de entrada, ou o de saída, com suas vozes misturadas, camufladas, encobertando-se umas às outras, parecem um ruidoso bando de passarinhos que, coitado, também mal sabe que tem/temos asas!... De papel, de algodão, de isopor, duas asas nuas.

Tomando um "coffee", pensando em nada, em quase nada, recolho as asas da ação, e o pensamento voa. Nas asas da xícara, um biscoito se quebra. As asas são fortes, mas também se quebram. Sem elas, voamos baixo, ficamos térreos, caímos logo, pesados, de chumbo. Cantando, cantando mais, sinto que as tenho, que tenho asas!... E voo.
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Fontes:
O Autor
Imagem = http://dollsparablogs.blogspot.com

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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