Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Hélio Pedro Souza (Ramalhete de Trovas)


Água que chora na fonte,
sentindo ausência de afago,
se encoraja, desce o monte,
busca o carinho do lago.

Ainda lembro a estação,
lindas flores... Primavera...
O trem levando a paixão
e alguém sofrendo na espera.

Alvorada no horizonte,
surge Sol abrasador,
eterna e perene fonte
de vida, luz e calor.

A mãe terra está ferida,
são tantas chagas expostas,
a natureza agredida
se vinga dando respostas.

A nossa cara-metade
em adeus, na despedida,
deixa um rastro de saudade
que dura por toda vida.

Ao invés das discussões
por queixas de nossas lavras,
silêncio... Meditações...
Valem mais que mil palavras.

Aos pedacinhos de afeto
juntei plumas de carinho;
daí nascendo o projeto
eu e você, um só ninho.

A propaganda é no grito:
“Meu produto é de primeira!”
Galinha, porco, cabrito...
de tudo se vê na feira.

Das lembranças do passado,
em velho baú achei
o retrato desbotado
daquela que sempre amei.

Defronte o silente monte,
só se escuta a melodia
do rumorejar da fonte
na mais completa harmonia.

Em tempos tão conturbados
onde o crime faz costume,
valores mais ajustados
somente a família assume.

É perfeita a melodia
que a nada mais se assemelha,
ouvirmos em noite fria
o som da chuva na telha.

É seca e o sol no horizonte
torna a terra ressequida,
mas a pequenina fonte
insiste em manter a vida.

Essas mãos que me afagaram,
dando carinho e guarida,
são as mesmas que acenaram
no instante final da vida.

Família desajustada
aponta o endereço certo:
onde droga faz morada
e o crime ronda por perto.

Há velho que a mocidade
ainda nele perdura,
e jovem que em tenra idade
é velho em sua postura.

Lembro a infância, nos sertões...
Um chão forrado de esteira,
onde ouvi recitações
de cordéis à noite inteira…

Meu pensamento vagueia
e esbarra em enigma inverso:
ser a terra um grão de areia
ante o esplendor do universo.

Na família, os dissabores,
que causam tantos queixumes,
vêm da inversão de valores
e perdas dos bons costumes.

No picadeiro da vida
às vezes somos palhaços:
com atitude fingida
maquiamos os fracassos.

Nos olhos da mãe o brilho,
no rosto um sorriso farto;
como prêmio, vê seu filho,
que chora depois do parto.

Numa singela palhoça,
uma família roceira
senta, reza e até almoça
sobre as palhas de uma esteira.

O pôr-do-sol no horizonte,
com seus raios, me seduz
e eu vejo por trás do monte
uma cascata de luz.

Quando em suas águas me vi,
dei-me conta, estava vivo;
em seu lago descobri
a paz como lenitivo.

Quem no início de carreira
quer resposta imediata;
lembre-se que a corredeira
nem sempre chega à cascata.

Sofre do velho à criança,
morre o gado e a plantação;
só não fenece a esperança,
quando há seca no sertão.

Sua estada foi tão breve,
vendo-a, meu peito doía;
não matando, nem de leve,
a saudade que eu sentia.

Todo amor que a ti proponho,
com ternura e com carinho,
faz parte de um grande sonho,
construção de nosso ninho.

Uma brisa que alivia
suavemente o calor,
é um sopro que Deus envia,
num simples gesto de amor.

Um alçapão que alguém deixa,
ao prender um passarinho,
sequer o dono ouve a queixa
dos órfãos que estão no ninho.

Um triste adeus e a partida...
Teu lenço acenando ao cais
são sombras da despedida
que hoje alimentam meus ais.

Vou vencer a timidez,
amar-te eu irei sem medo;
te conquisto e, desta vez,
desvendarei teu segredo.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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