Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Folclore Esquimó (O Caminho das Estrelas)



Há muitos séculos, na região do gelo, aconteceu um combate entre o urso negro, que se chamava Wakini, e o urso cinza, que se chamava Wakinu. Ninguém nunca soube exatamente como começou a disputa. Os antigos diziam que os dois grandes amigos ursos se enfrentaram por causa de um pequeno pote de mel. Wakini levara muito tempo colhendo o mel e Wakinu quis arrancá-lo à força do amigo.

Uma furiosa luta teve início, e o vencedor foi Wakinu, o ladrão de mel.

O líder da tribo ficou inconformado com essa vitória. Pensou que seria uma grande injustiça um ladrão se dar bem no final. Por isso, expulsou o urso cinza da comunidade. Mas Wakinu não tinha mau coração: era só um urso muito guloso. Chorou tanto e parecia tão arrependido que toda a tribo sentiu muita pena dele.

Wakinu partiu e caminhou durante vários dias. Mal enxergava, seus olhos estavam turvados de tantas lágrimas. As noites e os dias passavam sem que ele se alimentasse ou parasse para descansar. Até que, de repente, avistou um longo caminho todo prateado. Era uma estrada magnífica que brilhava contra o céu azul-escuro. O urso, pela primeira vez em muitos dias, conseguiu ver nitidamente. O caminho se estendia até as estrelas.

Wakinu experimentou uma profunda alegria e começou a correr por aquele solo prateado, e aos poucos foi se sentindo cada vez mais leve.

Era quase como se ele, um grande urso cinza, fosse só um passarinho.

Nesse mesmo instante, Wakini, seu ex-amigo, sentiu uma vontade imensa de olhar para as estrelas no firmamento. E o viu.

- Vejam! - disse à sua tribo. - É Wakinu! Está correndo no meio das estrelas!

E toda a tribo se reuniu para assistir aquela cena extraordinária.

Wakinu corria, corria, saltava as estrelas, dançava no céu. E alguém comentou:

- Wakinu alcançou o Porto das Almas, o campo das caças eternas!

Depois dessa noite, Wakinu nunca mais voltou. Mas até hoje se conta que, durante sua corrida, Wakinu balançou a grossa pelagem, que ficou cheia de luz, e dela respingaram as lindas estrelas que hoje formam a Via Láctea. Há os que não acreditam nisso, porém, e preferem pensar que Wakinu ainda está vivo, no campo das caças eternas, lugar para onde vão todos os guerreiros no final da vida: o caminho de Wakinu, o ursa cinza, o grande ladrão de mel.

Fonte:
http://www.esnips.com

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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