Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 31 de julho de 2016

Alexandre Dumas (1802 – 1870)

Seu verdadeiro nome era Alexandre David de La Pailleterie. Nasceu em Villers-Cauteret (Aisne), França, em 24 de julho de 1802.

Seu pai, que se chamava como ele e adotou o nome suposto de Alexandre Dumas para sentar praça, aos quatorze anos, no regimento de dragões da rainha, nasceu em Haiti, era fruto da união do marquês de La Pailleterie com uma negra escrava, e chegou a ser um dos mais brilhantes e valorosos generais de Napoleão I.

Quando o futuro romancista tinha apenas quatro anos de idade, morreu seu pai. A viúva não contava com outros recursos além da exígua pensão que lhe consignara o Estado, e não pode tirar seu filho da pequena cidade em que residiam, para lhe dar uma instrução mais de acordo com seu precoce talento.

Sendo ainda um rapazola, empregou-se como escrevente de um notário de sua vila, e em 1823, ansioso por mudar de rumo, mudou-se a Paris munido de cartas de apresentação para os antigos companheiros de armas de seu pai, em sua maioria afetos aos Bourbons, e somente obteve cordial acolhida do general Fay, que, admirado do belo tipo de letra do jovem Dumas, conseguiu para ele um modesto emprego na secretaria do duque Orléans, que lhe permitiu, poder entregar-se ao estudo da história de França, que sobremodo o atraia.

Aproveitando horas de descanso, de noite estudava também idiomas, fisiologia, química, física, e lia sofregamente os clássicos franceses.

Segundo ele mesmo conta em suas "Memórias", tendo assistido a uma representação de "Hamlet", experimentou, tal entusiasmo, tal ânsia de impulsionar a glória dos grandes poetas dramáticos, que resolveu seu destino ali mesmo. Escreveria para o teatro.

Depois de assistir àquela representação shakespeariana, resolveu deixar Villers-Cauteret e ir experimentar a sorte em Paris.

A 22 de setembro cie 1825 estreava-se a sua primeira obra no velho teatro de "L'Ambigu", o vaudeville "La chasse et l'amour". No ano seguinte lançou seu primeiro volume em prosa: "Nouvelles contemporaines" e estreou outro Vaudeville: "L'enterrement", com o pseudônimo de "Davy", como a peça anterior, e que como o anterior também obteve escasso êxito.

Em 1829 obteve seu primeiro triunfo de dramaturgo, com "Henri III et sa cour", cuja estreia assistiu o próprio duque de Orleans, que o promoveu, nomeando-o bibliotecário. A obra tornou-se de repertório e obteve um número apreciável de representações consecutivas.

No seguinte ano estreou a trilogia em cinco atos: "Stockolmo, Fontainebleau et Rome", cujo êxito não foi inferior a "Henri III", e o drama em verso "Christine".

Abandonou, em seguida, seu emprego para se dedicar à literatura e, ao estalar a revolução de julho de 1830, tomou parte ativa nela, às ordens de Lafayette, primeiramente, em Paris, e depois marchou para Soissons e Vendée, assegurando o triunfo do partido vencedor. Ao seu regresso foi nomeado capitão de artilharia da guarda nacional, mas não conseguiu por parte do rei Luiz Filipe maior apreciação de seus esforços em prol da casa de Orleans. Um de seus contemporâneos escreveu que Alexandre Dumas, para se vingar do seu fracasso político, em oito dias apenas escreveu seu drama "Napoléon Bonaparte" (1831).

Inspirado por sua violenta paixão por Melania Waldor, escreveu um dos seus melhores e mais célebres dramas: "Anthony", que alcançou 130 representações consecutivas, cifra insólita naquele tempo (1831).

Seguiram-se: "Charles VII" (1831); "Richard Darlington" (1831);'"Thérèse" (1832); "Le mari de la veuve"; "La tour de Nesle" (1832); "Angelo" (1833); "Catherine Howard" (1834); Don Juan de Mañara" (1836); "Keau" (1836); "Piquillo" (1837); "Calígula" (1837); "Paul Jones" (1837); "Mademoiselle de Belle Isle" (1839); "L'alchimiste" (1839); "Un mariage sous Louis XV" (1841) ; "Lorenzazio" (1842) ; "Halifax" (1842); ; "Les demoiselles de Saint-Cyr" (1843); "Louise Bernard;" (1843); "Le gard forestier (1845); escritos os mais destes dramas e comédias de parceria com diversos colaboradores.

Tendo sofrido um ataque de cólera, ficou em 1832 recuperando sua saúde e, por conselho médico, teve de mudar de ares, viajando então pela Borgonha e Suíça. Continuando suas viagens até 1858, visitou Espanha, Itália, Alemanha, Rússia, Argélia, Egito e Tunísia, que lhe serviram para escrever suas famosas "Impressões de Viagem", que tanto contribuíram para sua popularidade, e que se acham reunidas em quinze volumes.

A paixão que, a princípio, sentira pelo teatro, chegou mais tarde a consagrá-la ao romance, no qual chegou a ser o "rei dos folhetinistas", segundo a conhecida frase de Delarme.

Suas obras completas atingem a cifra assombrosa de 285 volumes, isto sem incluir as produções teatrais que, agrupadas em separado, formam outros 15 volumes...

Certamente que nem tudo por ele firmado foi por Alexandre Dumas escrito, pois seus colaboradores não foram poucos, entre eles, o mais destacado, Augusto Maquet, mas sempre ficaram relegados e no anonimato.

Seus romances mais célebres e conhecidos são: "Acté" (1839); "Maitre Adam le Calabrais" (1840); "Os Três Mosqueteiros" (1844); "Conde de Monte-Cristo" (1844); "A Rainha Margot" (1845); "La Dame de Monsoreau" (1846); "Vingt ans après" (1845); "Le Vicomte de Bragelona" (1848); "Os Quarenta e Cinco" (1848); "'Le chevalier d'Harmental" (1849); "Le chevalier de Maison-Rouge" (1846); "Mémoires d'un médecin" (Joseph Balsamo, 1848); "Angel Pitou" (1853); "La comtesse de Charny" (1855); "Les mohicans de Paris" (1858}, etc...

Acerca de sua fecundidade literária o próprio Dumas escreveu, em 1848: "Durante vinte anos trabalhei dez horas por dia, o que representa um total de setenta e três mil horas. Durante estes vinte anos escrevi quatrocentos tomos de novelas e trinta e cinco dramas. Cada um destes tomos, em edições de quatro mil exemplares, vendidos a 5 francos, dão 8.000.000 de francos; os trinta e cinco dramas, representados em média 100 vezes cada um, deram 6.300.000 francos".

Em plena guerra franco-prussiana, longe de Paris, em Puys (Dieppe), morreu a 5 de dezembro de 1870.

Fonte: Wkipedia

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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