Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Folclore Japonês (A Fuga dos Gatos)

Era uma vez em um Japão distante, um gato de uma beleza estonteante, com o pelo suave e brilhante como a seda, e sábios olhos cor de esmeralda… Seu nome era Gon, o felino pertencia a um professor de música, que muito o amava, orgulhoso, acreditava que nada no mundo poderia separá-los.

Gon era bastante popular, todas as gatas do bairro se encantavam com sua beleza, faziam de tudo para lhe chamar a atenção mas, Gon não era nada fácil de agradar.

Porém, não muito longe da casa do músico, vivia uma senhorita que possuía uma bela gatinha nomeada Koma. Ela era uma gata rara… Koma piscava os olhos delicadamente, e comia elegantemente sua refeição, e ao terminar sempre lambia suavemente seu nariz rosa, sua senhora sorria e dizia: “Koma, minha querida Koma… o que faria sem você?”

Um dia estes dois felinos, saíram para um passeio à luz da noite. Durante sua caminhada, Gon avistou Koma, a elegante gata estava sentada com sua postura serena sob uma árvore de cerejeira em plena floração. Eles trocaram olhares e nesse pequeno momento, Gon se viu caído loucamente de amor pela bela Koma. Antes que tivesse tempo para pensar, o caprichoso Gon aproximou-se sedutoramente da gata, que também se encontrava cativa pelo bichano.

Passado um tempo juntos, disse Gon: “Venha comigo, vamos viver juntos!”, mas Koma baixou a cabeça, temendo as dificuldades em seu caminho. Respondeu: “Minha patroa me ama, eu nunca poderia deixá-la!”

Os dois, por não serem aceitos juntos por seus donos, se separaram. Alguns meses se passaram, o sentimento que Gon e Koma nutriam um pelo outro crescia cada vez mais. Os felinos, então incapazes de omitir o amor que sentiam, se encontraram novamente debaixo da cerejeira onde se conheceram. Determinados a ficarem juntos, decidiram partir, aventurando-se em um mundo desconhecido.the cat's elopement1

Durante todo o dia eles marcharam bravamente através da luz do sol, até que haviam deixado suas casas muito atrás de si. O sol começou a baixar e, ao fim da tarde, eles descobriram um imenso parque verde.

Os pequenos aventureiros estavam cansados da longa viagem. Já meio arrependidos de sua fuga, sentiam pesar seu pequeno coração por seus donos abandonados. Exaustos, pararam para descansar, acomodando-se sobre o gramado verde embaixo da sombra de uma enorme árvore. O jovem casal repousava mansamente quando, de repente, um ogro apareceu em sua frente na forma de um grande cachorro!

O cão se colocou ferozmente contra eles, mostrando todos os dentes, Koma gritou e, apavorada, subiu na árvore. Gon corajosamente se manteve firme, e arqueou as costas preparando-se para a batalha, pois sentia os olhos atentos de Koma sobre ele, dando-lhe força para que não fugisse da luta.

De seu poleiro na árvore alta, Koma observava tudo, e gritava com toda sua força, na esperança de que alguém iria ouvi-la e vir em sua ajuda. Felizmente, um servo da princesa, a quem o parque pertencia, estava passando por perto e espantou o cão feroz para longe, pegou então o trêmulo Gon em seus braços, e levou-o para sua senhora.

A pequena Koma foi deixada sozinha e, em cima do galho, deitou a cabeça caindo em prantos ao ver Gon sendo levado para longe, sem saber o que fazer.

A princesa adorou seu novo gatinho, ficou encantada com sua beleza e pelos generosos. Mas o carinho da jovem não consolava o pobre Gon. Mas o que ele poderia fazer? Não adiantava lutar contra o destino, pensou, lembrando-se da pequena koma sozinha. Ele só poderia sentar e esperar, até achar uma forma de fugir das imediações do Palácio.

A princesa era bondosa e gentil, todo mundo a amava, e teria levado uma vida mais feliz, se não fosse por uma serpente que constantemente perturbava seu sossego aparecendo em seus jardins. Seus servos tinham ordens para vigiá-la dia e noite, protegendo-a da cobra. Mas, certo dia, em um descuido, a serpente muito astuta, deslizou por eles adentrando o castelo.

A jovem princesa estava sentada em seu quarto, tocando seu instrumento musical favorito, quando sentiu algo deslizar sobre sua faixa. Apavorada, gritou e jogou-se para trás, Gon, que tinha se enrolado em um banquinho a seus pés, ao ouvir o grito da princesa, saltou rapidamente agarrando a perversa serpente pelo pescoço. Ele deu-lhe uma mordida e atirou-a no chão, a princesa nunca mais teria que se preocupar com sua inimiga. Então, ela o pegou em seus braços, e o acariciou alegremente em agradecimento.

Algumas dias se passaram, e a jovem, durante todo esse período, o encheu  com as mais raras iguarias e almofadas de seda, toda a atenção que ele jamais poderia sonhar em receber. E Gon teria sido muito feliz e satisfeito. Mas, o pequeno Gon tinha apenas um desejo, encontrar Koma novamente.

O tempo passou, e uma manhã quando Gon estava aquecendo-se ao sol. Ele olhou preguiçosamente para o mundo que se estendia diante dele, e avistou ao longe uma grande briga, um gato grande intimidando um menor. Gon saltou para cima arrepiando o pelo espesso e, valente como era, disparou naquela direção. Cheio de raiva afugentou o gatão brigão. Então, satisfeito com sua própria bravura, virou-se para confortar o pequeno, quando o seu coração quase explodiu de alegria ao descobrir que era Koma, sua amada Koma.

Koma, assustada, por um momento não o reconheceu, ele tinha crescido e se tornado grande e imponente. Mas, quando se aproximaram, ela reconheceu Gon, sua felicidade não conhecia limites. E eles esfregaram suas cabeças e seus narizes, enquanto seus ronronares poderiam ter sido ouvidos a uma milha de distância.

Pata na pata, Gon levou Koma até a princesa, demonstrando toda sua história de amor. Emocionada ao ver uma devoção tão sincera, caiu em lágrimas, prometendo que nunca mais deveriam estar separados. O casal apaixonado, dali em diante, viveria com ela em seu castelo sob seus cuidados e proteção.

Passado um tempo, a própria princesa se casou e teve filhos, e Gon e Koma tiveram muitos filhotes, todos eles viviam juntos e felizes, foram amigos até o fim de suas vidas.

Fonte:
Com o título original “The Cat’s Elopement”, o conto de fadas japonês foi recolhido do livro “Japanische Marchen und Sagen” 1885 de David Brauns, traduzido por Andrew Lang. O conto foi incluído em “O Livro Rosa das Fadas” de 1897, que contém um total de quarenta e um contos japoneses, entre outros.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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