Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Folclore Japonês (Tsurara Onna: A Lenda da Mulher de Gelo)

Essa é mais uma velha história de fantasmas do Japão. Tsurara Onna ou “A Mulher sincelo”, conta sobre um homem que vivia solitário em meio a floresta e, numa noite fria de nevasca, encontra uma mulher fantasmagórica tão alva e esbelta como um pingente de gelo. O antigo conto popular japonês é semelhante à outra lenda famosa:  Yuki-Onna “A Mulher da neve”.

A Lenda

Há muito tempo no Japão existiu um homem que nunca havia se casado. Ele morava sozinho em uma pequena casa, numa região desértica dentro da espessa floresta. O homem era muito solitário e ansiava por alguém que pudesse passar a vida a seu lado.

Uma manhã de inverno, ele estava olhando para fora da janela, quando passou a perceber alguns sincelos pendurados sob o beiral de sua casa.

Ele disse para si mesmo: “Eu gostaria de ter uma mulher tão alva e bela como esses pingentes”.

Naquela mesma noite, houve uma batida na porta da frente de sua casa. Quando o homem atendeu, surpreso, viu uma mulher de uma beleza estranhamente sobrenatural parada bem em frente a sua porta. O seu corpo era elegantemente longo e delgado e seu rosto estava pálido como a neve. Ele a convidou a sair do frio.

A bela e estranha mulher acabou por ficar e, conforme o tempo passava, o casal se apaixonou. Eles decidiram viver na pequena cabana como marido e mulher.

Houve apenas um pequeno problema. O homem percebeu que sua bela esposa tinha um estranho habito, ela nunca tomava banho. Sempre que tentava falar sobre isso, ela se recusava a discutir o assunto.

Um dia, o marido já cansado da situação, agarrou a mulher e arrastou-a para o banheiro. Ela gritava e chorava, tentando se esquivar para longe dele. Decidido, jogou-a na banheira de água quente, deixando-a lá e batendo fortemente a porta atrás de si.

Uma hora se passou e tudo o que o homem pode ouvir foi o silêncio. Não havia sons de salpicos d’água vindo do banheiro, nem nada. Pensando o quanto isso era estranho, ele abriu a porta e olhou para dentro.

Ele estava vazio. Sua esposa tinha desaparecido. Tudo o que ele viu flutuando na água, foi o pente de cabelo que sua mulher sempre usava.

O homem estava com o coração partido. Ele imaginava que sua esposa, aborrecida com o acontecido, o havia deixado, fugindo. Então, depois de muito procurar, mesmo contrariado, decidiu seguir em frente com sua vida.

Poucos meses depois, ele conheceu uma nova mulher e decidiram se casar. Em pouco tempo, sua nova esposa veio morar em sua cabana, e felizes, passaram os meses seguintes juntos. Até que o inverno aproximou-se novamente.

Após uma noite de forte nevasca, o homem olhou pela janela e viu um enorme pingente sob o beiral do telhado de sua casa. Aborrecido com suas lembranças, decidiu  sair para derrubá-lo mas, havia uma mulher do lado de fora parada estranhamente sobre a neve. Um calafrio o percorreu ao sentir seu gélido olhar, ele a reconheceu…  Era sua antiga esposa.

Dentro da casa, a nova mulher ouviu um grito de agonia terrível. Ela correu para fora e encontrou o homem já sem vida deitado sobre a neve. Ao redor de sua cabeça, o sangue quente tingia de vermelho os brancos cristais. A seu lado, um único e grande pingente de gelo que havia perfurado seu olho penetrando profundamente seu cérebro. O frio sincelo o atingira matando-o instantaneamente.

Fonte:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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