Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 24 de julho de 2016

Folclore Japonês (A Lenda dos Mil Tsurus)

Considerado sagrado, o Tsuru é uma das aves mais apreciadas na cultura asiática, inspirou muitas lendas, crenças e a arte baseadas em sua beleza e história. Segundo a crença, esses pássaros podem viver 1000 anos, sendo o símbolo da longevidade e juventude. Ainda, segundo a lenda, se construir mil origamis de Tsurus, terá seus pedidos atendidos pelos deuses.

Segundo a crença, os Tsurus eram os pássaros companheiros dos monges eremitas que faziam meditação no alto das montanhas. Acreditava-se, que estes anciões possuíam poderes sobrenaturais que retardavam seu envelhecimento. Com o tempo, esses poderes místicos foram creditados as aves companheiras de peregrinação. Sendo consideradas talismãs de poder, conquistaram o título de “Pássaro da longevidade”.

Na Ásia, a crença da juventude perdura até os dias atuais, onde essas aves simbolizam a mocidade eterna e a felicidade plena. Pois, por serem monogâmicas, também são o símbolo do amor conjugal e a fidelidade, acredita-se que somente a morte os separa.

O pássaro, de plumagem branca está entre as mais belas aves do Mundo. Existem mais de 15 espécies de grous que habitam o planeta, porém o mais majestoso é o grou japonês (Grus japonensis), comum no leste asiático. Esta espécie, cujas penas são brancas e possui uma coroa vermelha no topo da cabeça e que podem chegar a cinco metros de altura e mais de seis metros de envergadura, estão entre as mais raras existentes. Estima-se que atualmente no Japão, existam apenas 1.000 de sua espécie.

TSURUS:  Arte do Origami 

Os Tsurus inspiraram muitas crenças, e estas, a arte. Uma de suas formas mais reconhecidas no Mundo é o “Origami”, arte de dobradura de papel. Tanto, que muitos também consideram o tsuru como o símbolo dessa arte japonesa. Até algum tempo atrás, era comum encontrar no Japão pedaços de barbantes amarrados com vários desses tsurus de papel, que eram pendurados no teto para distrair os bebês ou deixados nos templos para pedir proteção.
No Japão, acredita-se que ao fazer mil tsurus de papel, a pessoa terá seus desejos realizados pelos deuses. Baseados nessa crença, é comum muitos enfermos receberem tsurus de presente.

Mil Tsurus de Origami: A História de Sadako

Essa crença inspirou uma das mais belas e trágicas histórias japonesas, a da pequena Sadako, um exemplo de esperança e batalha pela vida.

Sadako Sasaki nasceu em Hiroshima e tinha apenas dois anos de idade quando os americanos lançaram a bomba atômica sobre a cidade. Ela vivia distante do epicentro da bomba, cerca de 2 quilômetros do centro da explosão, e juntamente com a mãe e o irmão, saiu quase ilesa do ataque. Mas, consta que durante a fuga, quando se aproximaram da ponte em uma área chamada Misasa, foram atingidos pela “chuva negra” (chuva radioativa, consequência da bomba) que caiu sobre Hiroshima ao longo daquele dia.

Tempos depois, a família Sasaki retornou à Hiroshima para reconstruir a casa depois da guerra. Sadako cresceu feliz e saudável, sem lembrar do dia em que a bomba atômica foi lançada, mas ciente que muitas pessoas foram mortas, incluindo sua avó.

 Sadako levava uma vida normal, em 1949 iniciou seus estudos na Escola Nobori-cho, era uma garota alegre, tinha muitos amigos e gostava de cantar e praticar esportes. Com onze anos, foi a corredora mais rápida da sua turma do ano. Ela fez parte da equipe vencedora na corrida de revezamento de bastão no Dia de Campo. A jovem Sadako sonhava ser uma atleta e um dia, professora de atletismo.

Mas, em janeiro de 1955, durante uma aula de educação física, Sadako, com então 12 anos, sentiu-se mal, com tonturas. Depois de alguns dias surgiram marcas escuras e caroços em seu corpo e o diagnóstico foi de “cancro”, leucemia, uma consequência da exposição a radiação, doença que já estava matando outras crianças expostas à bomba. Na época a leucemia era chamada de “doença da bomba atômica”. Ela foi internada em fevereiro de 1955, recebendo a previsão de apenas mais 1 ano de sobrevida.

Em Agosto deste mesmo ano, ela recebeu a visita de Chizuko Hamamoto, sua melhor amiga, que lhe contou a “Lenda dos Mil Tsurus”, a presenteando com um origami da ave sagrada .

Impressionada com a história, Sadako que desejava muito sua recuperação, resolveu confeccionar os tsurus, na esperança de que os deuses pudessem lhe conceder a cura. Então passou a fazer os origamis com ajuda de sua família e amigos que iam visitá-la no hospital. Mas a doença avançava rapidamente, sem entregar-se, Sadako cada vez mais debilitada, prosseguia esperançosa dobrando lentamente os pássaros, sem nunca falar sobre sua dor ou sofrimento. A menina compreendeu que sua doença era fruto da guerra e mais do que desejar apenas a sua própria cura, ela desejou a paz para toda a humanidade, para que nenhuma criança mais sofresse as consequências destes conflitos. Pensando nisso, ela disse para si mesma: “Eu escreverei PAZ em suas asas e você voará o mundo inteiro”.

Mas, por fim, na manhã de 25 de Outubro de 1955, Sadako montou seu último tsuru. Pouco tempo depois, com sua família a seu lado, Sadako Sasaki placidamente adormecera. Ela não conseguira completar os mil tsurus, mas sua dedicação tocara profundamente a todos e estes dobraram os tsurus que faltavam para que fossem enterrados com ela.

Inspirados por seu exemplo de coragem e força, seus amigos juntaram e publicaram um livro com uma coleção de cartas escritas por Sadako. Dando início ao sonho de construir um monumento em homenagem  a Sadako e a tantas outras vítimas da guerra. Muitos jovens japoneses, solidários a causa, passaram a arrecadar dinheiro para o projeto. Com doações de alunos de mais de 3000 escolas japonesas e de nove outros países, em 5 de Maio de 1958, exatamente no “Dia das Crianças” no Japão, foi erguido no Parque da Paz em Hiroshima o “Monumento das Crianças à Paz”, também conhecido como “Torre dos Tsurus”.

O monumento de granito simboliza o “Monte Horai”, local místico, onde os japoneses acreditam que vivem os Espíritos. Em seu cume, pousa uma estátua de bronze de Sadako segurando um tsuru dourado em suas mãos estendidas.  Em sua base, um desejo registrado para sempre: “Este é nosso grito, Esta é nossa oração: PAZ NO MUNDO!”

Hoje, todos os anos, milhares de Tsurus coloridos são enviados, tanto do Japão como de todo o Mundo, as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Uma mensagem de todos que, assim como o Tsuru, querem viver por um longo tempo na Terra e, principalmente, em PAZ!

Fonte: 
https://en.wikipedia.org/wiki/Sadako_Sasaki/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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