Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Folclore Japonês (O Samurai e a Raposa Encantada)

Uma tarde, em seu caminho para casa, passava ele pelo portal “Shujaku” do palácio Imperial,  quando ele viu uma jovem de figura extremamente graciosa, trajando um belo kimono de seda,  parada na avenida principal.

Ela lhe pareceu tão linda com seus cabelos negros, como as penas de um corvo flutuando na brisa gentil, que o jovem samurai ficou imediatamente fascinado pela imagem.  Ele se aproximou da garota e a convidou para entrar no jardim do palácio e conversar um pouco com ele. A menina, parecendo interessada no jovem samurai, concordou com grande alegria.

O jovem casal passou boa parte do tempo em um local tranquilo do jardim animadamente conversando. Logo as estrelas começaram a brilhar luzindo aqui e ali no céu e mesmo a silhueta da Via Láctea surgiu. Disse o jovem bem perto do ouvido da menina: “Nós nos encontramos aqui, eu devo dizer, por uma feliz graça da providência divina.  Por isso, você deve aceitar o que peço – de todas as formas. Nós devemos compartilhar os mesmos sentimentos. Eu sinto que te amo desde o momento em que a vi, e acho que você me ama também”.

O que lhe respondeu a garota enrubescida: “Se eu concordar com todos seus pedidos, pobre de mim! eu morrerei. Este será meu destino”.

“Seu destino morrer?” – as palavras dela ecoaram na cabeça do samurai – “isso é impossível. Você está simplesmente dizendo isso para evitar-me.”

E tentou segurá-la em seus braços. A garota se libertou de seu abraço e disse:

“Eu sei que você tem outra e está dizendo que me ama no calor do momento. Eu estou chorando porque eu sei que vou morrer por causa de um homem caprichoso.”

Ele negou tudo o que ela disse, de novo e de novo até que ela consentiu em acompanhá-lo.  Nesse meio tempo as estrelas e a Via Láctea estavam reluzindo com todo o brilho nos céus. Havia uma noite propicia ao romance no ar… Eles encontraram um lugar na vizinhança e passaram a noite juntos.

Um grilo solitário foi ouvido cantando através da noite… O sol de verão apareceu cedo. A garota com a tez pálida, então disse:

“Agora voltarei para casa – para morrer, como te avisei ontem à noite.  Quando eu me for, por favor, recite preces pelo descanso de minha penosa alma copiando o “Sutra de Lotus” e os oferecendo para o misericordioso Buda”.

O jovem apenas consentiu: “É à maneira do mundo que um homem e uma mulher fiquem assim tão próximos um do outro. Você não está destinada a morrer por causa disso.  Entretanto se você morrer, eu não vou falhar com você. Eu prometo”.

A garota disse tristemente, tentando ajeitar seu longo cabelo:

“Percebo que ainda não acredita em minhas palavras, mas, se você se importar em saber se o que falo é verdade ou não, vá até a vizinhança de “Butoku-den”  esta manhã”.

O jovem samurai não conseguia acreditar no que dizia a linda garota.

Ela terminou num tom pesaroso: “Deixe-me ficar com seu leque como uma boa lembrança dessa noite?”

Ele entregou o leque a triste menina. Tomou-lhe as mãos e olhou direto nos seus olhos embaçados. Então a seguiu até lá fora, e ficou parado até que a figura desapareceu no véu cinza da manhã cinzenta.

O jovem não conseguiu sequer cogitar sobre as trágicas palavras da garota . Entretanto, durante a manhã ele foi até aos lados de  “Butoku-den”, principalmente, porque estava muito ansioso para descobrir o seu verdadeiro destino.

Lá ele viu uma velha senhora sentada em uma pedra, chorando amargamente.

Consternado, aproximou-se da velha senhora: “Por que a senhora está chorando assim?  Qual o problema minha senhora?” perguntou a ela.

“Eu sou a mãe da jovem que você viu perto do portão de “Shujaku” na noite passada.  Ela está morta agora,” ela respondeu.

“Morta?” o rapaz respondeu com um olhar incrédulo. “Sim, ela está morta.  Eu fiquei aqui esperando por você, para lhe dar a triste notícia. O corpo dela está bem ali.”

Assim dizendo, a velha senhora apontou para um canto do grande salão, desaparecendo como mágica no momento seguinte.

O jovem  samurai, aproximando-se do lugar apontado, encontrou uma jovem raposa morta no chão, seu rosto coberto com um leque branco aberto, o leque dado por ele!

“Então essa raposa era a garota que encontrei noite passada, uma kitsune!” disse pesaroso por si mesmo.  Ele em nada podia ajudar, e sentiu muita pena pela pobre raposa fria ali deitada. Então retornou para casa sentindo o coração pesar no peito.

Profundamente tocado, começou a copiar imediatamente o “Sutra de Lotus”, assim como foi pedido pela raposa enquanto na forma da linda garota.  Ele achou a tarefa muito difícil de continuar. Porém, ele copiou um sutra por semana oferecendo-o a Buda, e rezou dia e noite pelo descanso da alma da raposa encantada morta.

Uma noite, cerca de seis semanas depois, o jovem samurai teve um estranho sonho no qual ele encontrava a linda jovem. Ela parecia tão nobre e divina que ele pensou que se tratava de uma ninfa celestial. Disse a jovem em seu sonho:

“Apesar do que aconteceu, você me salvou ao escrever o “Sutra de Lotus” e oferecer muitos deles ao generoso Buda. Através de seus esforços, renasci no “Paraíso” livre de pecado. Serei eternamente grata a você!”. Desaparecendo da mesma forma em seguida, e, deixando em paz e livre de seu pesar, o coração do jovem samurai.

Fonte:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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