Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 9 de outubro de 2016

A. A. de Assis (Triversos Ibéricos)

1.
Mergulho na história.
Giro em Portugal e Espanha,
a quarenta graus.
2.
Castelos, museus,
seculares catedrais.
Num roteiro Abreu.
3.
Augusta Lisboa.
Licença, meu bom Pessoa,
pra pisar teu chão.
4.
Ah, o velho Tejo.
Dá tremeliques na alma
vê-lo ali pertinho.
5.
Bem-vindos à mesa.
O bom vinho, o bacalhau,
os pastéis de nata.
6.
À noite sonhamos.
Ao som de viras e fados,
frementes bailados.
7.
Milenar cidade.
Chiado, Estrela, Jerônimos,
Praça do Rossio.
8.
O Oceanário, os shoppings.
O futuro está presente
na Lisboa nova.
9.
Torre de Belém.
De onde partiu a canoa
que achou o Brasil.
10.
Missa de domingo
na Igreja de Santo Antônio.
Ele ali nasceu.
11.
Estoril, Cascais.
A Europa em traje de praia
nas férias de agosto.
12.
O túnel do tempo.
Óbidos, Aljubarrota,
ruinas, mosteiros.
13.
De joelhos, rezo.
Ave, Mãezinha querida,
de Fátima, amém.
14.
Solene Coimbra.
Cada parede parece
recitar Camões.
15
Os vinhos do Porto.
Ao depois, descer de barco
as águas do Douro.
16.
Memória romana.
A Sé de Braga a rezar
no rolar do Minho.
17.
A porta da Espanha.
O doce falar galego,
quase igual ao nosso.
18.
Peregrinação.
Santiago de Compostela
é de ir às lágrimas.
19.
Leão e Castela.
O nobre berço real
da história de Espanha.
20.
Moinhos de vento.
Dom Quixote e Sancho Pança,
onde está Cervantes?
21.
Pátio das Escolas.
Em redor a Renascença
mora em Salamanca.
22.
As muralhas de Ávila.
De Teresa de Jesus,
doutorinha santa.
23.
Madri é Madri.
Já na entrada da Gran Via
a emoção dispara.
24.
A Porta do Sol.
O cheirinho da paella
passeia na praça.
25.
Leitão no Botín.
O charme do restaurante
mais velho do mundo.
26.
Templos do consumo.
Em cada quadra uma loja
do El Corte Inglés.
27.
Castanholas, danças.
O canto forte da terra
na noite flamenca.
28.
Prece em Zaragoza
para a Virgem do Pilar.
Madrinha do Reino.
29.
Barcelona bela.
Futebol, trabalho e arte
no Mediterrâneo.
30.
Sagrada Família.
Na obra-prima de Gaudi
o moderno eterno.
31.
No topo do mundo.
A fé sente em Montserrat
o aroma do céu.
32.
Fenícios, romanos,
muçulmanos. Hoje o brilho
da floral Valência.
33.
Os jardins do Alhambra.
Veraneio dos sultões
no alto da colina.
34.
Granada ao luar.
Que pena que os Três Tenores
não estavam lá.
35.
Viva Andaluzia.
Ouvindo o Guadalquivir,
Córdoba e Sevilha.
36.
Ah, Sevilha, a chique.
Velasquez, Murillo, as óperas,
e lá está Colombo.
37.
Évora branquinha.
Cheia de lendas e encantos,
e de queijadinhas.
38.
De novo em Lisboa,
para o retorno ao Brasil.
Grupo nota mil.
39.
Tudo bem... valeu.
Palmas para o guia Santos
e o chofer Antônio.
40.
Tchau, Vô Portugal;
tchau-tchau-tchau, querida Espanha.
Até breve, olé!

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5 a 22 de agosto - 2016

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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