Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 24 de fevereiro de 2018

A. A. de Assis (Pacote de Poesia)




Pacote de Poesia

     Carregada de magia, sonoridades, emoções e sentimentos, a poesia é um meio privilegiado de despertar o amor pela leitura escrita. Os artífices, por dotar de encanto as palavras, são os poetas que buscam mostrar um pouco do mundo e de si, usando como forma de expressão a poesia.
     Com o objetivo de levar a poesia ao cotidiano das pessoas de forma lúdica, o Sesc Paço da Liberdade, por meio dos Pacotes de Poesia, vem há muito divulgando parte da arte poética de grandes nomes da língua portuguesa.
     Os famosos pacotes de poesia têm formato simples e dinâmico, que se utiliza das características de uma embalagem em papel kraft, semelhante a de um pacote de pão, caracterizado com uma ilustração. As embalagens vêm acompanhadas de filipetas contendo parte da obra do poeta homenageado e são distribuídos de forma gratuita na unidade do Sesc Paço da Liberdade e em diversas instituições de educação e cultura do Paraná.
     Além de transmitir os sentimentos dos poetas, o projeto busca, de forma lúdica, semear a poesia e fomentar o hábito de leitura.
     Bom mergulho no universo poético.

Alguns Triversos deste pacote do poeta:
Zunzunzum... zunzum...
É um pernilongo brincando
de fórmula um.

Quantas vezes, ah,
eu vi o pião rodar.
E os anos também.

Alô... é da Lua?...
Manda uma cheia, com flores,
para a minha amada.


     O professor, jornalista e poeta Antonio Augusto de Assis (A. A. de Assis) é fluminense de São Fidélis, nasceu no dia 7 de abril de 1933. Como docente, A. A. de Assis atuou na Universidade Estadual de Maringá; como jornalista exerceu a função de diretor nos jornais "Tribuna de Maringá" e "Folha do Norte do Paraná", além de atuar nas revistas "Novo Paraná" (NP) e "Aqui". Trovador premiado no Brasil e no exterior, A. A. de Assis possui diversas publicações e atuações em antologias poéticas, entre as quais podemos destacar: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 volumes (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de Trovas; Tábua de Trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); A língua da gente (linguagem); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guairá (história); Antologia 100 trovas inesquecíveis (coord). O poeta é integrante da Academia de Ltras de Maringá e da União Brasileira de Trovadores - seção de Maringá-PR. Visite a página de A. A. de Assis (http://aadeassis.blogspot.com.br) e conheça um pouco mais sobre esse artista de várias faces poéticas.

Fonte: A. A. de Assis (Pacote de Poesia)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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