Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Folclore Japonês (Ningyo: As Sereias do Japão)

Lendas sobre sereias são contadas há muito tempo ao redor do Mundo. Essas criaturas enigmáticas têm sido vistas e encantado marinheiros nas águas dos cantos mais distantes da Terra. No Japão, uma nação rodeada pelo mar, histórias desses seres meio-humanos e meio-peixes foi relatada durante séculos. Sereias são conhecidas como Ningyo em japonês, mas diferente das tradicionais sereias ocidentais, estas se assemelham mais a uma criatura marinha do que a um ser humano, provocando horror nas águas da “Terra do Sol Nascente”.

Com o torso e o rosto variando entre humano e peixe, as sereias nipônicas possuem dedos longos, garras afiadas e brilhantes escamas douradas, podendo variar em tamanho, desde o tamanho de uma criança a um adulto. Suas cabeças foram, por vezes, descritas como sendo deformadas, possuidoras de chifres, ou dentes proeminentes. Em outras versões, as sereias são descritas com uma forma que lembra a versão mais familiar de sereias ocidentais, mas com uma aparência sinistra, meio demoníaca.

Segundo a lenda, são capazes de emitir um canto agradável como a canção de um pássaro ou o doce som de uma flauta. Mas, ao contrário das sereias das lendas do Atlântico e do Mediterrâneo, uma Ningyo do Pacífico e do Mar do Japão são criaturas horríveis, sendo consideradas como um pesadelo surreal ao invés de uma mulher sedutora. Porém, acredita-se que a carne de uma Ningyo pode conceder a imortalidade e, suas lágrimas transformam-se em pérolas e, quando consumidas, trazem a juventude eterna sendo, portanto, assunto de muitos contos populares, alguns assustadores.

Avistamentos de Ningyo estão presentes no Nihon Shoki, um dos livros de registros mais antigos de histórias japonesas, que remonta a 619 dC. De acordo com antigas crenças, apanhar uma Ningyo pode trazer tempestades e infortúnio. Uma Ningyo levada com as ondas para a praia era um presságio de guerra ou calamidade. Essas sereias são consideradas Youkais, possuidoras de poderes sobrenaturais e podem amaldiçoar os seres humanos que tentarem ferir ou capturá-las. Algumas lendas falam de cidades inteiras que foram engolidas por terremotos ou maremotos após um pescador levar para casa uma Ningyo em uma de suas capturas.

Muitas e antigas histórias sobre Ningyos são relatadas na “Terra do Sol Nascente”. Diz-se que o primeiro relato registrado de sereias no Japão data do ano 619, durante o reinado da imperatriz Suiko. Nessa época, uma Ningyo teria sido capturada em águas japonesas e levada perante o tribunal da própria Imperatriz. A criatura teria sido mantida em um tanque improvisado para o entretenimento de Suiko e de seus visitantes.

Com o passar do tempo, qualidades místicas e habilidades mágicas foram atribuídas às sereias do Japão e, assim como outros Youkais, acredita-se que tenham a capacidade de mudar de forma. Uma antiga história se passa no Farol de Nosaapu, ao nordeste de Hokkaido. A lenda conta que, em 1870, os guardiões do farol acreditavam que as sereias locais poderiam se transformar em medusas ou água-viva mortal. Estas sereias teriam se transfigurado em belas mulheres trajadas com requintados quimonos, que vinham em terra para seduzir e atrair os homens para o oceano. Em seguida se transformavam em medusas gigantes, matando qualquer um, tolo o suficiente por ter mergulhado com elas nas águas do mar.

Nomes como: Amabie, Amahiko, Arie e Yao Bikuni, estão entre as lendas de sereias e tritões mais conhecidas dos mares do Japão.

Amabie, uma sereia lendária com poderes de premonição, podia profetizar, quer uma abundante colheita ou devastadoras epidemias. Segundo contam, Amabie era uma Ningyo com o corpo do pescoço para baixo coberto por escamas, semelhante a um peixe, rosto humano e longos cabelos, porém, ao invés de boca, possuía um bico. De acordo com a lenda, no Reino de Higo, antigo distrito da prefeitura de Kumamoto, em torno do quinto mês do ano de Koka (meados de Maio, 1846), durante o Período Edo, um brilhante objeto foi avistado no mar.

Oficiais de Higo foram enviados à costa para investigar o reluzente objeto. E, durante muitas noites, se dirigiram até a beira da praia para observar a intensa luz. Em uma destas vigílias, uma estranha criatura saiu do mar. Ela revelou-se chamar Amabie e pronunciou uma profecia: “Durante seis anos, esse território boa colheita terá, porém, com a colheita, poderá surgir uma epidemia, se a doença surgir, um desenho deverá ser feito a minha imagem e mostrado aos doentes que, ao ver a imagem, se curarão da enfermidade”.  Após profetizar, imediatamente Amabie retornou ao mar. A história foi impressa no Kawaraban (boletim impresso em xilogravura) e assim sua aparência foi divulgada por todo o Japão.

Existem relatos de outras Ningyos com poderes semelhantes por toda costa japonesa. Amahiko Nyudo (amahiko monge), um tritão idêntico a Amabie, foi avistado na província de Hyuga (região de Miyazaki). Uma criatura idêntica, chamado Arie, apareceu em Aoshima-gun, de acordo com o jornal “Yamanashi Nichinichi Shinbun” de 17 de Junho 1876. Todos esses seres eram possuidores de poderes de predição, igual a muitos outros Youkais do vasto folclore nipônico.
Yao Bikuni: A Lenda

Outra lenda famosa sobre Ningyo, com diferentes versões, é a de Yao Bikuni, cujo nome significa “Monja budista de 800 anos”. Durante o período Edo, já rezavam as lendas que ossos de sereias podiam ser usados como remédio para curar qualquer doença, e que a ingestão da carne de uma Ningyo faria com que a pessoa vivesse para sempre.

Segundo essa crença, um homem chamado Takahashi que vivia na província de Wakasa, certa vez, após longo dia no mar, capturou uma criatura incomum em sua rede apinhada de peixes. Em todos os seus anos de pesca, nunca tinha visto nada parecido, animado, convidou seus amigos para provar a sua carne. Depois de muita comemoração e bebedeira, o homem levou parte do que sobrou para casa. Porém a filha de Takahashi, Yao Bikuni, comeu despreocupadamente da carne, sem suspeitar que era de uma ningyo.

Os anos se passaram e Yao Bikuni, manteve a mesma aparência jovem. Ela casou-se, viu a morte de seus pais e de seu marido, mas nunca envelhecia. Depois de ficar viúva, novo e de novo, Yao Bikuni cansou de seus muitos anos de juventude, uma vida perpétua. Amaldiçoada por viver eternamente, ela tornou-se uma monja, dedicando-se a ajudar os necessitados. Até que, aos 800 anos, desapareceu nas cavernas da montanha do local onde havia nascido.

Durante muito tempo, as sereias foram avistadas nos mares do Japão, não só pelos japoneses, mas por marinheiros e oficiais de navios estrangeiros que registraram sua aparição em seus diários de bordo. Em 1610, um capitão britânico registrou ter visto uma sereia em um cais no porto de Sentojonzu. Segundo seu relato, a criatura estava brincando nas proximidades e supostamente veio muito perto do cais onde o capitão desnorteado a avistara.

As Ningyo não só foram avistadas como capturadas por um longo tempo. Muitas vezes por sua carne imortal, em outras, expostas como atrações em Misemonos (feiras do período Edo) que atraia milhares de pessoas. Estes populares eventos, contavam com uma grande variedade de atrações, sendo que os mais aguardados eram as exposições de fenômenos naturais bizarros e exóticos como as sereias. Existem muitos relatos sobre essas criaturas fazerem sucesso nas feiras desse período, além de serem exportadas para outras partes do Mundo. Contam que, muito desse material foram confeccionados artesanalmente para essas exposições, mas eram tão minuciosamente detalhados que enganavam até o mais exigente expectador.

Histórias de Sereias povoaram e encantaram a imaginação, não só dos marinheiros, mais de pessoas do Mundo todo durante muito tempo e, até hoje, suas aparições intrigam envoltas em mistério nas águas de todo canto da Terra.

Fontes:
http://monster.wikia.com/wiki/Ningyo / http://mysteriousuniverse.org/2015/02/the-mysterious-mermaids-of-japan, disponível em Caçadores de Lendas

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to