ROGÉRIO SALGADO
Belo Horizonte/MG
Sobre todas as coisas
O meu amor tem dessas coisas
de cultivar estrelas
no céu da tua boca
ser criança, como quem ama
adolescentemente
pela primeira vez.
O meu amor tem dessas coisas
de dizer silêncios
quando te observa e se encanta
no encontro de fazer milagres
no coração.
Assim, o me amor adormece
e acorda no acorde de ser canção
sobre todas as coisas assim
o meu amor tem dessas coisas
de sobre todas as coisas amar.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
FRANCISCO NEVES DE MACEDO
Natal/RN 1948 – 2012
Iconoclastas do meio ambiente
As árvores são tanta e já floridas,
e são milhares, todas importantes,
mas sei também de muitas ressequidas,
que a moto serra, fez agonizantes.
Árvores tombam, tantas, tanta vidas,
por mãos e mentes, as mais ignorantes,
nas ambições nefastas desmedidas,
o que lhes tornam torpes ruminantes.
Do apocalipse, a “besta” da ambição,
com a maldita, moto serra à mão,
destruindo as irmãs da nossa gente.
Vem a mortal desertificação,
morte virá também ao falso irmão:
Iconoclasta do Meio Ambiente.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
CRUZ E SOUZA
Florianópolis/SC, 1861-1898, Antonio Carlos/MG
Cristais
Mais claro e fino do que as finas pratas
o som da tua voz deliciava...
Na dolência velada das sonatas
como um perfume a tudo perfumava.
Era um som feito luz, eram volatas
em lânguida espiral que iluminava,
brancas sonoridades de cascatas...
Tanta harmonia melancolizava.
Filtros sutis de melodias, de ondas
de cantos volutuosos como rondas
de silfos leves, sensuais, lascivos...
Como que anseios invisíveis, mudos,
da brancura das sedas e veludos,
das virgindades, dos pudores vivos.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
TROVA POPULAR
Dizem que o pito alivia
as mágoas do coração;
eu pito, pito e repito
e as mágoas nunca se vão.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO
Rio de Janeiro/RJ
Além da vida
Muitos dizem que a vida é uma tortura,
e o mundo é um vil celeiro de ilusão;
que, para cada dia de ventura,
vivem meses de plena solidão...
Que vegetam... Respiram desventura,
que a incerteza é mais forte que a razão;
que a cada instante morrem de amargura,
mas não ouvem a voz do coração.
Malgrado seja a vida uma incerteza,
não vou mesclar meus dias de tristeza
enquanto espero o dia da partida,
pois, voando nas asas do seu verso
o poeta transpõe todo o universo
e vive muito além da própria Vida!...
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Poema de
RAIMUNDO SAMPAIO COSTA
Aracaju / SE
O enigma do Eu
Não é preciso dares nome
À tua enfermidade moral.
Este teu puritanismo nas entranhas embutido
É a doença que vos infecta.
E, para satisfazeres a saga de tua insana mente
Atacas-nos qual abutre faminto invejando-nos o ser.
Enfim! Libertas-te das algemas sujas
Do calabouço moralista que vos aflige.
Procuras na pureza pura dos prazeres te encontrar.
A causa de tua imensa dor
É a crise interna do desamor.
O Enígma de teu Eu, é apenas teu.
Não se reprima, não se reprima.
Pouco importa se és Dagmar, Itamar ou Valdemar...
Cruzes, cruzes, cruzes.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Dobradinha Poética de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR
A força do amor sofrido
Difícil de compreender
a força do amor sofrido,
mas bem fácil de entender
depois de tê-la sentido…
A inquebrantável força de um amor
resiste ao tempo, à dor e à despedida;
ignora a culpa, esquece do amargor,
veemente, segue incólume na vida.
Atenta ao coração do sofredor,
leva a esperança e a calma comedida;
despreza a solidão e, sem pudor,
oferta-lhe a presença destemida.
Contudo, quando o amor, senil, cansar-se,
a força ativa, sem jamais quedar-se,
não deixará que prostre, entregue à sorte...
Honradamente irá retroagir,
o amor fará no sonho submergir...
Trará a ilusão, que pode adiar a morte!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Poema de
ALESSANDRO BORGES DE MOURA
Rio Branco / AC
Magia infinda
Olha lá! O vento assanhando os cabelos verdes das árvores!
O moleque escorregando a ladeira com luvas
A correnteza levando os barquinhos de papel...
São crianças brincando na chuva.
Olha lá! A euforia subindo as montanhas!
A água turva se embalando;
O trovão montando na nuvem...
São crianças brincando na chuva.
Olha lá! Dezenas de pezinhos
Dançando sobre o barro vermelho!
A bola na rua fazendo curva,
As risadas sagradas da felicidade...
São crianças brincando na chuva.
Olha lá! Esse rio alegre de gente!
Não importam as trovoadas;
Essa chuva ainda vai longe...
Espalhando por toda terra
A magia infinita de toda essa criançada!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
CECIM CALIXTO
Pinhalão/PR, 1926 – 2008, Tomazina/PR
Testamento
Labuto em vão a costurar futuro
e a delinear as coisas que preciso.
Mas se me ligo, permanece escuro,
certo porão que se me hospeda o juízo.
Colhendo pedras ao projeto, aturo,
toda vileza que não tem aviso.
E já percebo que a sangrar procuro
as frágeis notas do obscuro siso.
E inalcançável tudo que imagino,
por isto aceito o freio ao meu destino,
na busca atroz de uma ilusão que existe.
Poeta...! Vale o teu anseio justo...
pois sabes bem que saberão o custo
todos que lerem teu soneto triste.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Poema de
ANA CAROLINA VIANA FARIA
Belo Horizonte / MG
Frágil
Um monstro essa tal solidão
Que mata e envenena
Te rouba a razão
Te faz ir na contramão.
Um horror essa tal ilusão
Que afasta e queima
Um ou outro coração...
Sem hesitar.
Uma frágil emoção
Esse amor guardado em meu peito
Tão frágil que dá medo
Tão seguro que é frágil.
Parece que somos tão iguais...
E tão diferentes
Parece que somos tão unidos...
E tão distantes.
Não me pergunte por quê
E nem para onde
Só posso lhe dizer
Que agora eu quero você.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Pantun de
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN
Pantun dos desajustados
TEMA:
Quando a família é rompida
por atos cegos, tiranos,
deixa destroços de vida,
restos de seres humanos.
Manoel Cavalcante
Pau dos Ferros/RN
PANTUN:
Por atos cegos, tiranos,
por ciúme ou por loucura,
restos de seres humanos
são sobras da desventura.
Por ciúme ou por loucura,
as decisões mal tomadas,
são sobras da desventura
de vidas abandonadas.
As decisões mal tomadas,
as vezes gera a desgraça
de vidas abandonadas
jogadas no chão da praça.
As vezes gera a desgraça
das almas cheias de vida,
jogadas no chão da praça
quando a família é rompida.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Hino de
Guarapuava/PR
O Sol surgiu, um dia, mais brilhante
E foi, risonho as flores acordar
O riacho, sobre as pedras, a cantar
A cidade que surgia triunfante!
Com fervor, nós te saudamos, Guarapuava
Neste hino de Louvor!
Teu vulto sem igual
Pinheiro magistral
Eu sempre hei de cantar com ardor!
Vaqueiro colossal
Figura imortal
Guarapuava é meu grande amor!
O Sol doura o campo verdejante
A brisa, os trigais a balançar
Guarapuava é menina radiante
Com o ouro dos trigais a se enfeitar!
Com fervor, nós te saudamos, Guarapuava
Neste hino de Louvor!
Teu vulto sem igual
Pinheiro magistral
Eu sempre hei de cantar com ardor!
Vaqueiro colossal
Figura imortal
Guarapuava é meu grande amor!
O Sol doura o campo verdejante
A brisa, os trigais a balançar
Guarapuava é menina radiante
Com o ouro dos trigais a se enfeitar!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Poema de
JOAQUIM EVÓNIO
(Joaquim Evónio Rodrigues de Vasconcelos)
Funchal/Portugal 1938 – 2012
Foi um Anjo
Foi um anjo, melodia
que voou para os meus braços
em amplexo tão ardente...
Curou todas as feridas
que me traziam doente...
Mas hoje, amanhã e sempre
trarei no peito em chamas
a triste recordação
do tempo que não vivi.
Foram dias, foram anos
vividos pelos pinhais,
sentindo como os navios
perdidos… órfãos de cais...
Com o sol nasceu encanto
abraçado aos braços dela...
Veio o Verão, Primavera,
guardando o meu Outono
numa caixa de Pandora...
Foi a aventura sincera
sem amargura nem dor,
foi tudo, foi quase nada,
apenas um grande amor.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França
Os dois touros e a rã
Dois touros brigavam, por causa de amores,
Não longe de nédia vaquinha louçã;
Do charco onde habita, notando os furores,
Assim, assustada, lhes fala uma rã:
«Que é isso?... não vedes que ao fim dessa briga
Será desterrado do campo um de vós,
O qual, suportando vergonha e fadiga,
Virá sobre os charcos pisar-nos a nós?
É justo soframos, sem ter pretendido
A posse da vaca?» — E a triste acertou!...
Fugiu para os charcos o touro vencido,
E rãs, sob as patas, às mil esmagou!
Famosa verdade! Mas, caros leitores,
Por muito sabida, não deve espantar:
As grandes toleimas dos grandes senhores
São sempre os pequenos que as têm de pagar!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Nenhum comentário:
Postar um comentário