Poema de
MÁRCIA WAYNA KAMBEBA
Castanhal/PA
ACREDITAR EM SI
Nem toda palavra
que tentam nos impor é verdade.
Algumas são ditas apenas
para testar se vamos desistir ou seguir.
Se disserem:
“você não consegue”,
“isso é impossível”,
“está longe do seu alcance”,
ainda assim, não deixemos de tentar.
Tentar, mesmo com medo,
é coragem.
É ousadia.
É desejo profundo de viver,
progredir e ser feliz.
Seguir em frente é a melhor opção:
arriscar, insistir e persistir.
O final é gratificante
quando vencemos o medo, a insegurança
e a dúvida
daqueles que achavam ser impossível.
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Poema de
MARIA ALEXANDRE DÁSKALOS
Huambo/Angola
O garoto corria corria
não podia saber
da diferença entre as flores.
0 garoto corria corria
não podia saber
que na sua terra há
morangos doces e perfumados,
o garoto corria corria
fugia.
Ninguém lhe pegou ao colo
ninguém lhe parou a morte.
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Soneto de
J. G. DE ARAÚJO JORGE
(José Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC (1914 – 1987) Rio de Janeiro/RJ
Dedicatória
Este meu livro é todo teu, repara
que ele traduz em sua humilde glória
verso por verso, a estranha trajetória
desta nossa afeição ciumenta e rara!
Beijos! Saudades! Sonhos! Nem notara
tanta coisa afinal na nossa história...
E este verso - é a feliz dedicatória...
onde a minha alma inteira se declara...
Abre este livro... E encontrarás então
teu coração, de amor, rindo e cantando,
cantando e rindo com o meu coração...
E se o leres mais alto, quando a sós,
é como se estivesses me escutando
falar de amor com a tua própria voz!
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Poema de
ÓGUI LOURENÇO MAURI
Catanduva/SP
Solitários Passos
Pra mim, és agasalho das Alturas,
Que chegou à metade do caminho.
Contigo, jamais estarei sozinho,
Pois somos cúmplices nas horas duras.
Teus olhos reergueram minha autoestima;
A mando dEle, na raia tu entraste.
De minha vida, tu foste o guindaste;
De Deus, para eu dar a volta por cima.
Hoje; estar só, não passa de lembrança,
Solitários passos foram de vez.
No mar bravio, o tempo se refez;
Finda a tempestade, veio a bonança.
Foste o bálsamo pra minha ferida,
Que surgira em meus passos solitários.
Trouxeste os ingredientes necessários
Ao amor, em retomada de vida.
És mais um anjo do que uma mulher.
E teu aconchego, igual nunca vi.
Dos reclusos passos antes de ti,
Não tenho saudade, um pingo sequer…
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Trova Popular
Sonhei contigo esta noite,
mas oh! Que sonho atrevido!
Sonhei que estava abraçado
à forma do teu vestido!
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Soneto de
HUMBERTO RODRIGUES NETO
São Paulo/SP
Bentinho e Capitú
Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura,
em cujos lábios demorou meu beijo,
se ontem foste a razão do meu desejo,
hoje és causa da dor que em mim perdura!
Eu fui o teu Bentinho de alma impura
que fez de ti, em juízo malfazejo,
a fonte da vergonha e do meu pejo,
a causa, enfim, da minha desventura!
Foi preciso que ao roxo da mortalha
na tua mudez me desses a entender
por quanta vez a nossa mente falha!
E hoje distante, esse teu meigo ser
parece das alturas me dizer:
¨perde-se a vida, ganha-se a batalha¨!
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Poema de
CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
São Luís/MA, 1863 — 1946, Rio de Janeiro/RJ
O azulão e os tico-ticos
Do começo ao fim do dia,
um belo azulão cantava,
e o pomar que atento ouvia
os seus trilos de harmonia
cada vez mais se enflorava.
Se um tico-tico e outros bobos
vaiavam sua canção,
mais doce ainda se ouvia
a flauta desse azulão.
Um papagaio, surpreso
de ver o grande desprezo
do azulão, que os desprezava,
um dia em que ele cantava
e um bando de tico-ticos
numa algazarra o vaiava,
lhe perguntou: " Azulão,
olha, diz-me a razão
por que, quando estás cantando
e recebes uma vaia
desses garotos joviais,
tu continuas gorjeando,
e cada vez cantas mais?!"
Numas volatas sonoras,
o azulão lhe respondeu:
"meu amigo, eu prezo muito
esta garganta sublime,
este dom que Deus me deu!
Quando há pouco, eu descantava,
pensando não ser ouvido
nestes matos, por ninguém,
um sabiá que me escutava,
num capoeirão, escondido,
gritou de lá: "meu colega,
bravo!....Bravo!...Muito bem!"
Queira agora me dizer: -
quem foi um dia aplaudido
por um dos mestres do canto,
um dos cantores mais ricos
que caso pode fazer
das vaias dos tico-ticos?!"
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Dobradinha Poética de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR
Quero…
Constato ao alvorecer,
também ao clarão da lua:
mesmo depois de morrer
quero ser somente tua!
Quero sentir de novo as tuas mãos
a tatear meu corpo, docemente…
Quero apagar meus pensamentos vãos
para entregar-me a ti, confiantemente.
Quero pisar sem medo em quaisquer chãos,
seguir feliz na estrada à minha frente.
Quero a renúncia pronta dos meus nãos,
dar-te o meu sim, sonoro e ardentemente!
Porque quem ama sempre retrocede,
porém as consequências nunca mede,
quando a paixão reinflama o coração...
Por isso eu quero tudo o que quiseres,
ser a mais tua dentre outras mulheres:
— aquela que te amou... sem restrição!
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES
Prelúdio 4
Hoje eu soube apreciar com emoção
O feliz casal que despertou sorrindo...
A MANHÃ e o SOL!
Ambos com um misto de beleza e esplendor
Num canto primaveril de amor infindo…
Senti-me também assim,
Como eles, feliz e esplendoroso
todo cheio e orgulhoso
Com o coração a cantar em mim!...
É porque hoje... hoje irei vê-la
Com o seu sorriso de criança
Falando-me de carinho e paixão
E de nós dois...
Sem mais receios, ou embaraços...
Hoje, serei o SOL e ela, a MANHÃ,
Feliz e envolta
Bem solta
Em meus braços!...
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Soneto de
RITA MOUTINHO
Rio de Janeiro/RJ
Soneto da ausência seleta
A saudade, hoje, é alvo da pungência
e certa flecha bêbada vagueia
na aura da chama anil da inconsciência,
porque a verdade de hoje escamoteia
realidade avessa, de carência,
que não quero entender porque a meia
estadia na vida, por sua ausência,
faz-me vítima, abate-me e fundeia.
O que queria ver é o que vês,
o que queria ser é o que és,
o que queria ter é o que tens.
Mas nunca para isso haverá vez:
somos aos nossos, não a nós, fiéis
e seleta é a sensata insensatez.
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Poema de
ARMANDO BETTINARDI
Maringá/PR
Caminhando
Por que o sol,
a praça,
o burburinho da cidade
estão aqui?
Por que: a luz
o dia aberto diante de mim,
o convite à vida,
se eu estou sozinho?
Sem você, o momento
passa como o vento,
sem consumação,
naturalmente, inutilmente.
Não entendo momento,
só momento, sem ação,
sem movimento,
sem nós dois
que juntos somos vida.
Só aceito momento,
que não seja fugaz nem
efêmero;
- que seja total completamente.
Então, seremos nós
eu e você,
caminhando juntos,
de mãos dadas
rasgando a luz da tarde;
rumo ao crepúsculo.
Agora, o dia ainda está todo
aberto diante de nós;
e, é um convite à vida.
Vamos pois, inebriados
beber a vida, gota a gota
até o fim, enquanto,
juntos caminhamos.
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Décima de
FRANCISCO JOSÉ PESSOA
Fortaleza/CE, 1949 – 2020
Meu sertão sou teu pedaço
Berço de gente feliz
Que dança ao som de Luiz
no escurinho do terraço.
Tem sol quente tem mormaço,
Tem ave de arribação,
Xaxado xote e baião
Tem um Santo Padim Ciço.
Quem nunca viu tudo isso
Não sabe o que é sertão.
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Hino de
Feira de Santana/BA
Salve ó terra formosa e bendita
Paraíso com o nome de Feira
Toda cheia de graça infinita
És do norte a princesa altaneira
Bem nascida entre verdes colinas
Sob o encanto de um céu azulado
Ao estranho tu sempre dominas
Com o poder do teu clima sagrado
Sorridente como uma criança
Descuidosa da sua beleza
Do futuro és a linda esperança
Terra moça de sã natureza
Poetisa do branco luar
Pelas noites vazias de agosto
Fiandeira que vive a fiar
A toalha de luz de sol posto
De Santana és a filha querida
Noite e dia por ela velada
E o teu povo tão cheio de vida
Só trabalha por ver-te elevada
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Dobradinha Poética de
JOSÉ FELDMAN
Floresta/PR
Sonhos
Vejo uma luz no horizonte,
a paz no mundo a brilhar.
Pode ser sonho distante...
Um dia ele irá vingar...
Sempre quis pintar um mundo encantado,
com tintas da aquarela de meus sonhos,
Pintar na tela um céu todo estrelado,
e lá no fundo, corações risonhos.
Sempre quis espargir versos no mundo,
perfumá-lo com aura de esperança,
plantando sementes em chão fecundo,
qual o amor num coração de criança.
A vida é um caminho de idas e vindas,
momentos de alegria e de tristeza,
no anseio de encontrar paisagens lindas,
anda-se encruzilhadas da incerteza,
fazendo o destino em ruas infindas,
com toda a força de nossa grandeza.
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França
O marido, a mulher e o ladrão
Um marido extremoso,
Que adorava a mulher
Sendo, embora, feliz — julgava-se inditoso.
Dos olhos dela nunca um só fugaz volver,
Um modo gracioso,
Uma frase de amiga, um lânguido sorrir,
Mil expressões gentis, rápidas, mas sinceras,
Lisonjeando o descrido,
Conseguiram jamais de leve persuadir
Que era amado deveras.
Enfim... era um marido!
Se amor neste himeneu,
Como bênção divina,
Mudado lhe tivesse a tão estéril sina...
Mas... tal não sucedeu!
Batida pela sorte,
Sem mais um desafogo,
Nem mimos para o triste e mísero consorte,
Esta esquiva mulher
Ouvia-lhe uma noite o lamentar de fogo,
Sem um suspiro só de todo compreender,
Quando surge um ladrão,
E interrompe o queixume acerbo e dolorido.
Ela sente do susto a fria contorção...
Procura amparo e cai... nos braços do marido!.
«Amigo, exclama então
O jubiloso amante,
Ao pérfido ladrão:
Foram-se os meus pesares!
Sem ti, eu não teria um tão gostoso instante!
Ventura tão intensa!
Toma, leva, arrecada aquilo que encontrares,
Leva a casa também... É justa a recompensa!»
Não se perdem ladrões por homens delicados,
E a crer ninguém se inclina
Que eles sejam um pouco honestos ou vexados:
Este, pois, atirou-se impávido à rapina!
Deste conto se infere
Que o medo é das paixões a que mais largo fere;
Pois quando audaz assoma,
Como vence a aversão,
Algumas vezes doma
O amor que avassalou de todo um coração.
Tu bem viste, leitor,
Somente para ter
Nos braços a mulher...
Um marido o que fez! Foi vítima do amor!
Eu gosto deste amor altivo e temerário
Que brilha e não se estiola,
Que cresce e não se apouca!
O conto me agradou de um modo extraordinário:
Ele bem diz numa alma indômita, espanhola,
Mais sublime que louca!
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