na estrada que a vida armou;
Hoje está no esquecimento
de quem ele tanto amou.
Em um mundo que valoriza a velocidade, a eficiência e a produtividade, os idosos que não possuem um diploma de graduação universitária são frequentemente relegados ao esquecimento. São como folhas secas levadas pelo vento, esquecidas em um canto, sem valor aparente. A vida solitária e desanimadora desses indivíduos é um grito silencioso que ecoa nas ruas vazias, um lembrete cruel de que a sociedade pode ser cruel e injusta.
Eles se sentem desvalorizados, desprezados e rejeitados, como se suas realizações e experiências não tivessem importância. A falta de um diploma é como uma marca de inferioridade, um estigma que os impede de serem vistos como seres capazes e valiosos. Eles se fecham em casa, sem ânimo para sair, sem vontade de se arrumar, sem esperança de serem vistos e ouvidos.
E assim, os idosos se sentem cada vez mais isolados, como se fossem invisíveis aos olhos da sociedade. Eles começam a duvidar de si mesmos, a questionar sua própria capacidade de raciocínio, de julgamento, de decisão. Eles se sentem como se estivessem perdendo a noção de quem são, de o que são capazes.
A falta de reconhecimento e valorização é como um veneno lento, que se infiltra em suas mentes e corrói sua autoestima. Eles começam a acreditar que são realmente inferiores, que não são capazes de contribuir para a sociedade, que não têm nada de valor a oferecer.
E assim, eles se fecham ainda mais, se escondem do mundo, se protegem de mais rejeição e desvalorização. Eles se sentem como párias, como se estivessem à margem da sociedade, sem direito a voz, sem direito a serem ouvidos.
A solidão se torna uma companheira constante, uma sombra que os segue a todos os lugares. Eles se sentem como se estivessem morrendo por dentro, como se estivessem perdendo a vontade de viver.
A casa, que antes era um lar, se transforma em uma prisão, um lugar de isolamento e solidão. As coisas que antes traziam alegria e propósito agora são apenas objetos sem sentido, lembranças de uma vida que não foi vivida. A bagunça e a desordem se acumulam, refletindo a desordem interior, a sensação de vazio e inutilidade.
Mas, é importante lembrar que essas pessoas não são apenas vítimas da sociedade. Elas são seres humanos, com histórias, experiências e sabedoria para compartilhar. Elas são capazes de grandes realizações, de inspirar e motivar outros, de fazer a diferença no mundo.
O que é necessário é que as pessoas as enxerguem, as ouçam e as valorizem. É necessário que as pessoas entendam que um diploma não é o único indicador de valor e capacidade. É necessário que as pessoas reconheçam a dedicação, o esforço e a perseverança dessas pessoas, que muitas vezes trabalharam arduamente para se sustentar e para contribuir para a sociedade.
É necessário que as pessoas sejam empáticas, que se coloquem no lugar dessas pessoas e entendam o que elas estão passando. É necessário que as pessoas sejam gentis, que ofereçam um sorriso, um abraço, um ouvido atento.
Não é necessário ser um especialista para fazer a diferença. Basta ser humano, basta ser presente. Basta dizer "eu estou aqui", "eu te vejo", "eu te valorizo".
A vida é curta, e o tempo é precioso. Não se deve desperdiçá-la com julgamentos e preconceitos. Deve-se aproveitar cada momento para fazer a diferença, para tocar vidas, para inspirar e motivar.
É só olhar para os idosos com novos olhos, com respeito e admiração. Ouvir suas histórias, aprender com suas experiências. Valorizar suas realizações, celebrar suas vitórias, porque, no final, não é o diploma que define uma pessoa, é o seu coração, é a sua alma, é a sua capacidade de amar e ser amado. O que vale é fazer a diferença, fazer com que esses idosos se sintam vistos, ouvidos e valorizados. Fazer com que eles se sintam vivos novamente.
E, quem sabe, talvez um dia possam sair de casa, com a cabeça erguida, prontos para mostrar ao mundo que eles são mais do que um diploma, são homens de experiência, de sabedoria, e, acima de tudo, de valor.
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JOSÉ FELDMAN, poeta, trovador, escritor, professor e gestor cultural. Formado patologia clínica trabalhou por mais de uma década no Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi enxadrista, professor, diretor, juiz e organizador de torneios de xadrez a nível nacional durante 24 anos; como diretor cultural organizou apresentações musicais e oficina de trovas. Morou 40 anos na capital de São Paulo, onde nasceu, ao casar-se mudou para o Paraná, radicando-se em Maringá/PR. Consultor educacional junto a alunos e professores do Paraná e São Paulo. Pertence a Ordo Equitum Calami et Calicis (Título Dux Magnus), Confraria Luso-Brasileira de Trovadores (SP), Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura (SP), Academia Movimento União Cultural (SP), Academia Virtual Brasileira de Trovadores (RJ), Confraria Brasileira de Letras (PR), Academia de Letras de Teófilo Otoni (MG), Academia de Letras Brasil-Suiça (em Berna) etc. Certificados e Medalhas de Mérito Cultural de diversas Academias do Brasil, Portugal e Romênia. Possui os blogs Singrando Horizontes desde 2007, Voo da Gralha Azul (com trovas de trovadores vivos e falecidos). Assina seus escritos por Floresta/PR. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior.
Publicações:
Publicados: “Labirintos da vida” (crônicas e contos); “Peripécias de um Jornalista de Fofocas & outros contos” (humor); “35 trovadores em Preto & Branco” (análises); “Canteiro de trovas”., “Caleidoscópio da Vida” (textos sobre trovas),
Em andamento: “Pérgola de textos”, "Chafariz de Trovas", “Asas da poesia”, "Reescrevendo o mundo: Vozes femininas e a construção de novas narrativas".

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