quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Os Sonetos - Parte 3

                                   texto por José Feldman

Soneto Italiano ou Petrarquiano (Camoniano em Portugal) 

Originado na Itália, popularizado por Francesco Petrarca e adotado na língua portuguesa por Luís Vaz de Camões, este é o formato clássico mais conhecido. 


Regras e Estrutura

Divisão: 
É composto por duas quadras (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos), totalizando 14 versos.

Métrica: 
Tradicionalmente usa versos decassílabos (dez sílabas poéticas).

Esquema de Rimas: 
Nas quadras, o esquema mais comum é o interpolado (ABBA ABBA), onde o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro. Nos tercetos, o esquema de rimas é mais flexível, sendo comuns as combinações CDE CDE ou CDC DCD.

Volta (Virada): 
A mudança de uma ideia ou perspectiva (a "volta" dramática) ocorre tipicamente na transição dos quartetos para os tercetos, ou no início do primeiro terceto. 

Exemplo (Luís Vaz de Camões)

Esquema de rimas: ABBA ABBA CDE DCE.

Amor é fogo que arde sem se ver; (A)
É ferida que dói, e não se sente; (B)
É um contentamento descontente; (B)
É dor que desatina sem doer; (A)

É um não querer mais que bem querer; (A)
É um andar solitário entre a gente; (B)
É nunca contentar-se de contente; (B)
É um cuidar que ganha em se perder; (A)

É querer estar preso por vontade; (C)
É servir a quem vence, o vencedor; (D)
É ter com quem nos mata lealdade. (E)

Mas como causar pode seu favor (D)
Nos corações humanos tanto dor, (D)
Se de si mesmo o contentamento pode? (E)
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continua...

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