“Orgulho humano, qual és tu mais: feroz, estúpido ou ridículo?” Essa célebre pergunta está no clássico “Eurico, o presbítero”, do escritor português Alexandre Herculano. A melhor resposta creio que seria esta: “o orgulho é tudo isso ao mesmo tempo: feroz, estúpido e ridículo. E além de tudo cego.”
Na verdade abri o computador pensando em escrever sobre o Dia do Perdão – 30 de agosto. O orgulho entrou na cena de metido, como o Coringa entraria num filme do Batman, ou seja, como inimigo número um. Ele é o Coringa do perdão. Está sempre bloqueando os esforços do perdão na busca da paz.
Começar um conflito é fácil. Qualquer pezinho-de-briga basta: ganância, ciúme, inveja, raiva, rivalidade, vingança. Difícil é reacalmar os ânimos.
Dois fulanos, por uma razão qualquer, se desentendem. Poderiam pensar calmamente nos motivos de cada um, cada um ceder um pouco, buscar um consenso e voltar a conviver em harmonia. Simples assim, porém o orgulho, com apoio nos tais brios feridos, impede o acordo.
Da mesma forma os dirigentes de dois países começam uma desavença, a desavença vira rompimento de relações e com mais um pouco acaba virando guerra.
Os de um lado e os de outro sabem que todos sofrerão prejuízos gravíssimos. Poderiam então, em nome do bom senso, resolver suas questões mediante o diálogo e fumar o cachimbo da paz. No entanto o orgulho entra no meio, endurece e embaça os sentimentos e o raciocínio dos envolvidos e não deixa cessar as agressões.
Esse tal de orgulho é fera, ainda mais quando ferido. Cria situações que levam a consequências terríveis. Como consertar os estragos?
O caminho teria que ser assim: esfriar a cabeça > verificar serenamente as razões de cada um > ceder cada um o que tiver que ceder > cada um pedir desculpas ao outro > efetivar a troca de perdão > assinar o acordo de paz > viver felizes para sempre.
O mais difícil será a troca de perdão, porém será o passo mais bonito, mais sábio e decisivo – a atitude sine-qua-non. Sem perdão não há anistia (esquecimento) e sem anistia a mágoa continuará latente, podendo a qualquer instante reacender o conflito.
O remédio indicado pelo Mestre é perdoar setenta vezes sete, ou seja, infinitamente. Por mais teimoso que seja o orgulho, haverá um momento em que o perdão vencerá.
(Crônica publicada no Jornal do Povo – Maringá – 28-8-25)
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A. A. DE ASSIS (Antonio Augusto de Assis), poeta, trovador, haicaísta, cronista, premiadíssimo em centenas de concursos nasceu em São Fidélis/RJ, em 1933. Radicou-se em Maringá/PR desde 1955. Lecionou no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá, aposentado. Foi jornalista, diretor dos jornais Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná e das revistas Novo Paraná (NP) e Aqui. Algumas publicações: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 vol. (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de trovas; Tábua de trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guaíra (história), etc.
Fonte:
Texto enviado pelo autor.
Imagem criada com Microsoft Bing e desenho do autor

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