Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 25 de abril de 2010

Bruno Enei: Um Passeio pela Literatura Italiana



artigo de Ismael de Freitas

Livro traz aulas do professor Bruno Enei que foram taquigrafadas por sua aluna Sigrid Renaux entre os anos de 1956 a 58

A autoridade e o conhecimento em Literatura Italiana de um dos maiores intelectuais que Ponta Grossa já teve, aliados à dedicação de uma aluna que taquigrafava e depois datilografava as aulas, resulta agora no livro "Bruno Enei, aulas de Literatura Italiana e Desafios Críticos", da professora Sigrid Lange Scherrer Renaux, distribuído pela Todapalavra Editora.

O projeto do livro foi iniciado em 1983, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e através do patrocínio da Itaipu Binacional vai ser distribuído para escolas públicas municipais e estaduais, além de instituições particulares e de Ensino Superior, bibliotecas e instituições culturais de Ponta Grossa.

A embaixada da Itália, consulados daquele país e as principais bibliotecas do Brasil também receberão exemplares. A solenidade que marca o início da distribuição acontece no próximo dia 6 de maio, às 20 horas, no Colégio Regente Feijó, que também foi palco das aulas magistrais de Bruno Enei. No entanto, quem quiser ter o conteúdo da obra poderá baixar gratuitamente na internet, através do site www.todapapavraeditora.com.br.

A obra é um passeio pela Cultura Italiana, desde os tempos medievais, passando pelo Humanismo, Romantismo, Decadentismo até a Literatura após D'Annunzio. O leitor também vai encontrar escritos de Bruno Enei sobre Leonardo da Vinci, Carlos Drumond de Andrade, Literatura dos Campos Gerais e uma carta dirigida à professora Sigrid, então aluna de Bruno Enei, onde ele discorre sobre trechos da "Divina Comédia", de Dante Aliguieri. Finalizando, o livro traz textos publicados em jornais sobre o professor.

As aulas de Bruno Enei foram taquigrafadas entre os anos de 1956 e 58, período em que Sigrid foi aluna de Língua e Literatura Italiana no Curso de Letras Neolatinas da UEPG, naquela época, Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras. "Estudei taquigrafia com a professora Ema de Macedo, esposa do doutor Carlos de Macedo, numa época (década de 50) em que não se usavam ainda gravadores. Como eu também havia feito o curso de datilografia, aproveitei os dois cursos já enquanto estudava na Escola Técnica de Comércio Ponta-grossense. Assim, quando ingressei na UEPG (1956-59), costumava taquigrafar as aulas de Literatura Latina, Portuguesa, Francesa, Espanhola e Brasileira, além da Italiana, porque os assuntos me interessavam", conta.

Erudição e entusiasmo eram suas marcas

A autora diz que havia algo de especial na maneira como Bruno Enei ministrava suas aulas, marcadas pelo entusiasmo. "Tive excelentes professores no curso de Letras Neo-Latinas, como Nicolau Meira de Angelis, Faris A. Michaele e Robert K. Bowles, entre outros. As aulas do professor Bruno, entretanto, caracterizavam-se não só pela profunda erudição e conhecimento de literatura, arte, filosofia e história, mas também pelo entusiasmo contagiante que impregnava todas as suas palavras em sala de aula".

O livro também é o resultado da forte impressão que Bruno Enei causava em seus alunos. "Na realidade, foi a figura humana e o idealismo do professor Bruno que, acredito, marcaram não só a mim mas a todos os meus colegas de faculdade, características essas presentes em todas as páginas do livro publicado", salienta a professora Sigrid.

Texto mostra liberdade de pensamento

Um dos trechos mais impressionantes do livro é parte de um discurso por ocasião da formatura de seus alunos. O professor aconselha aos formandos a matar o "cepticismo, o mecanicismo, a gramática e o ponto". Para a professora Sigrid essa atitude o aproximava dos mestres. "Acredito que todo grande escritor, como todo grande crítico de literatura, está acima e além das regras fixas, seja de gramática, de gênero ou outras. O próprio Guimarães Rosa, numa entrevista, já dizia que '[A] língua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a benção eclesiástica e científica. Entretanto, como sou sertanejo, a falta de tais formalidades não me preocupa. Minha amante é mais importante para mim', dizia. O fato de o professor Bruno aconselhar aos formandos 'Matai a gramática', bem revela sua afinidade com os grandes mestres e sua coragem em proclamar isso numa sessão pública de formatura".

Obra quer preservar atividade intelectual

De acordo com a professora Sigrid, a intenção de publicar o livro com as aulas do professor Bruno Enei é uma maneira de reconhecer o trabalho desenvolvido pelo mestre. "Estou extremamente gratificada por poder, através da publicação desses textos, retribuir de alguma maneira todo o conhecimento e cultura que adquiri do professor Bruno. Acredito que a merecida divulgação de seus textos irá aumentar em muito o reconhecimento, para as gerações atuais e futuras, da figura ímpar deste mestre. Gostaria de registrar meus agradecimentos ao professor Hein L. Bowles, como editor da Todapalavra, que me procurou para retomar este projeto de publicação, iniciado em 1983 na UEPG e interrompido por motivos alheios à minha iniciativa. Graças a ele, à sua equipe e ao patrocínio da Itaipu Binacional, o livro finalmente se concretiza", finaliza a professora.

Professor recebe homenagens em Ponta Groosa

O professor Bruno dá nome à Biblioteca Pública de Ponta Grossa e a um evento anual de cultura na cidade. Muitos consideram que ele foi o principal intelectual que a cidade já teve. "Álvaro Augusto da Cunha Rocha, num artigo publicado na imprensa local em 5 de novembro de 1983, já se referiu a Bruno e à sua mulher Maria Enei como 'duas das mais extraordinárias figuras (intelectuais e humanas) que esta cidade já abrigou'. Compartilho dessa opinião" , frisa a professora Sigrid Renaux.

>> A professora Sigrid Paula Maria Lange Scherrer Renaux, carioca, radicada em Curitiba. É licenciada em Letras Neo-Latinas pela UEPG e em Letras Anglo-Germânicas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É mestre em Estudos Anglo-Americanos e doutora em Literatura Norte-Americana e Inglesa pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-doutorado pela Universidade de Chicago.

Fonte:
Jornal da Manhã.
http://www.jmnews.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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