Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 13 de agosto de 2016

Juan Pablo Villalobos (1973)

“A influência dos espaços na produção literária”, com Juan Pablo Villalobos, dia 16/09, às 19h30, na 3ª FLIM - Festa Literária Internacional de Maringá, no Centro de Convivência Comunitária Renato Celidônio, ao lado da prefeitura.
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Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, em 1973.

Casado com uma brasileira, com quem tem dois filhos “meio mexicanos, meio brasileiros”, foi residir em Campinas (SP), onde se dedicou a concluir a trilogia sobre seu país natal. Na Espanha, com uma bolsa de estudos da União Europeia, fez o doutorado em Teoria Literária.

Autor dos romances Fiesta en la madriguera (Anagrama, Espanha), publicado no Brasil como Festa no covil (Companhia das Letras, 2012), traduzido para 15 idiomas, e Si viviéramos en un lugar normal (Anagrama, Espanha), publicado no Brasil como Se vivêssemos em um lugar normal (Companhia das Letras, 2013), traduzido para 8 idiomas. A edição inglesa de Festa no covil, Down the Rabbit Hole (And Other Stories), foi finalista do prêmio First Book Award do jornal londrino The Guardian e selecionada como livro do ano nas listas de The Daily Telegraph e The New Statesman. Festa no covil foi adaptado para o teatro em São Paulo e seus direitos foram vendidos para o cinema. A edição inglesa de Se vivêssemos em um lugar normal, chamada Quesadillas (And Other Stories), recebeu o Pen Club Award e foi selecionada como livro do ano nas listas de The Guardian e Financial Times.

Escreve para diferentes revistas, jornais e blogs do México, Brasil, Espanha, Colômbia, Argentina, Reino Unido e Estados Unidos. É colunista do Blog da Companhia das Letras e do Blog do Pen Club do Reino Unido. Seus livros estão publicados no Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Holanda, Hungria, Turquia, Estados Unidos, Japão, Rússia, Israel, Romênia, Bulgária e Portugual.

Traduziu para o espanhol os romances brasileiros Todos os cachorros são azuis, de Rodrigo de Souza Leão, e O drible, de Sérgio Rodrigues. É bolsista do Sistema Nacional de Creadores de Arte de México.

Fontes:
Facebook
CELPCYRO

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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