Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Olivaldo Junior (Bruta Saudade)

Há pouco, enquanto eu dobrava roupa, me deu uma bruta saudade de ter tido um amigo. Amigos, tenho-os todos com os quais me correspondo via e-mail. Amigos de longe, que me mandam notícias, que me fazem mimos, que se correspondem com este caro amigo que escreve. Falo de ter tido um amigo que me visita e me convida a sair, andar por aí, ir a um barzinho escutar alguém, alguém cantando, alguém fazendo a boa e eterna MPB de boa índole, que respeita os ouvidos e, acima de tudo, o espírito do ouvinte.

Ouço que esse tipo de amigo que eu queria ter tido e não tive, esse amigo é artigo de luxo; não se acha no lixo, quando se é pobre, nem na lancha, quando se é rico. "Amigo é coisa pra se guardar", diria o nosso Milton, mas como é que se guarda o intangível? Não sei. Fazia tempo que não tinha isso. Sofro da utopia de não ter sabido como é ter uma amizade "Toquinho e Vinicius", "Roberto e Erasmo", "Caetano e Gil". Puxa, meu Brasil, a vida é um peito vazio sem amigos chamando pra um chope, pra um bom bate-papo!

Papo furado, muita risada, choro convulso, coisas de amigo, as que nunca tive. Vive-se como se pode. Os poetas me guardam, a Poesia me aguarda, insone, indomável, à porta do quarto. Com ela, não deito, nem durmo: escrevo. Servo de seus ais, que me aliciam, alivio minha falta, essa calma sem ter paz que me alucina. A solidão. Não, a vida é mais que um amigo fiel, uma terna amizade, uma velha canção. Não, a nossa amizade é uma dura, uma estreita vereda, um grande sertão sem o amigo que eu queria ter tido.

Falo de ter tido um amigo que me visita e me convida a sair, andar por aí, ir a um barzinho escutar alguém, alguém cantando, alguém fazendo a boa e eterna MPB de boa índole, que respeita os ouvidos e, acima de tudo, o espírito do ouvinte. Ouvinte de longe, que lhe manda notícias, que lhe faz seus mimos, que se corresponde com seus caros amigos que o ouvem. Há pouco, enquanto eu dobrava roupa, me deu uma bruta saudade de ter tido um amigo. Amigos, tenho-os logo que a este amigo correspondem.

Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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