Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Joaquim de Melo Freitas (1852 – 1923)

Praça Dr. Joaquim de Melo Freitas - Aveiro/Portugal
Joaquim de Melo Freitas nasceu em Aveiro, Portugal em 1852 e faleceu nesta mesma cidade em 1923, dedicando toda a sua vida a Aveiro, deixando o seu nome ligado a diversas coletividades, jornais, revistas e outras publicações. Bacharel formado em direito, Sócio correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Sócio fundador da Associação dos Jornalistas e Escritores portugueses

Hoje, o nome de Joaquim de Melo Freitas é lembrado na toponímia aveirense – Praça Dr. Joaquim de Melo Freitas – junto aos “Arcos” e às “Pontes”, em pleno centro da cidade, precisamente onde se ergue o monumento de homenagem aos Mártires da Liberdade e a José Estevão, do qual foi um dos mentores.

Joaquim de Melo Freitas era oriundo de uma família com fortes pergaminhos liberais. O pai foi perseguido e esteve exilado por motivos políticos, enquanto pior sorte teve o seu tio, Clemente da Silva Melo Soares de Freitas, que foi enforcado na Praça Nova, do Porto, com outros liberais aveirenses também implicados na revolução de 16 de maio de 1828.

Sobre Joaquim de Melo Freitas, o historiógrafo aveirense Eduardo Cerqueira escreveu que “perfilhava os princípios dos seus familiares e primava por um largo espírito de convivente tolerância, foi uma figura singularmente simpática e aliciante, um escritor e orador de faculdades invulgares e um cintilante conversador, pontífice de tertúlia, cultivado, espirituoso, com o dom de amenizar pela anedota propositada, ou a fina ironia da réplica imediata e desconcertante, os temas mais austeros”.

Já o seu contemporâneo Marques Gomes, outro dos grandes nomes aveirenses, anotou que “a forma nova e leve com que reveste os seus escritos, a sua graça espontânea, franca, portuguesa, que em todos eles esfuzia hilariante, a sua muita correção de linguagem, tão opulenta e ao mesmo tempo tão castigada e esbelta, as suas qualidades de observador, de artista e narrador”, acrescentando que Melo Freitas “falava com a mesma suprema elegância com que escrevia”.

Eduardo Cerqueira realçou que a personalidade de Joaquim de Melo Freitas “mais se evidenciaria na colaboração esparsa pela maioria dos jornais aveirenses” de então, “muito particularmente em «A Época», que fundou e dirigiu”, cujo primeiro número saiu no dia 5 de fevereiro de 1885. O último seria datado de exatos dois anos depois”. De acordo com este historiógrafo aveirense “«A Época» espelhava os seus predicados e predileções e marcou, assim, na imprensa local um lugar de evidência já do ponto de visto literário, já na defesa dos interesses regionais”.

Antes de se lançar na publicação de «A Época», Joaquim de Melo Freitas foi redator dos jornais aveirenses «O Povo de Aveiro» e «Locomotiva», tendo ainda colaborado “com assiduidade, no «Campeão das Províncias», no «Distrito de Aveiro», no «Tribuno Popular», na «Revista Ilustrada», no «Democrata» e vários outros periódicos, durante mais de meia centúria de anos”, como referiu Eduardo Cerqueira.

Como escritor, Joaquim de Melo Freitas publicou inúmeros livros, sobre os mais variados temas, dos quais, mais de uma dúzia está disponível para consulta na Biblioteca Municipal de Aveiro. Alguns dos de que foi autor têm por título: “Homenagem a Serpa Pinto”, que escreveu em parceria com o Barão de Cadoro (Carlos de Faria), “A Granel – Diabruras, brado e bagatelas, provincianismos e chinesices”, “Garatujas”, “Ironias transparentes” e “Violetas”.

Joaquim de Melo Freitas foi um ativo interveniente na sociedade aveirense, tendo integrado diversas coletividades e sociedades. Em 20 de abril de 1879, foi convidado a integrar a “Sociedade Construtora e Administrativa do Teatro Aveirense”, constituída por dez acionistas, que construiu o Teatro Aveirense, inaugurado no dia 5 de março de 1881.

No dia 5 de fevereiro de 1888, foi eleito comandante da Companhia dos Bombeiros Voluntários de Aveiro (atual Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro “Bombeiros Velhos”), cargo que manteve até janeiro de 1893. 

Eduardo Cerqueira recordou que ele era “profundamente arraigado à sua terra”, pelo que “coube-lhe por dilatado tempo, a função, que por tácito sufrágio lhe confiavam os seus concidadãos, de intérprete dos mais estrênuos sentimentos de aveirismo, intramuros da cidade ou fora dela, cantando-lhe as belezas, advogando-lhe as reivindicações; acolhendo os visitantes, singulares ou coletivos, com fidalga e cordialíssima lhaneza; realçando a história, as figuras insignes e demais valores, e as tradições da sua terra”.

O grande escritor português Camilo Castelo Branco correspondeu-se com Joaquim de Melo Freitas, tendo mesmo solicitado, numa carta escrita em S. Miguel de Seide, datada de 26 de maio de 1890, que intercedesse junto do oftalmologista aveirense Edmundo Magalhães, que queria consultar numa desesperada tentativa de evitar a cegueira que o afetava.

Também o jornalista e escritor aveirense Acácio Rosa afirmou que “Joaquim de Melo Freitas é um nome que, grande como é, não cabe bem numa simples nota”.

Alberto Souto, outro dos nomes grandes de Aveiro, proferiu, no dia 9 de dezembro de 1923, o elogio fúnebre de Joaquim de Melo Freitas, dizendo junto ao monumento dos Mártires da Liberdade, no cemitério central, que “em Aveiro, longe do grande mundo, sem que a grande imprensa o soubesse, foi a enterrar em varão ilustre que, tendo vivido apenas para o pensamento e para o sentimento, teve na sua morte uma consagração local que constitui um ato belo e comovente civismo”.

Alberto Souto recordou que o féretro de Joaquim de Melo Freitas saiu dos Paços do Concelho, num domingo, conduzido pelos Bombeiros Voluntários, “rodeado dos estandartes de todos os clubes, de todas as associações, de todas as coletividades da cidade. Cobria-o a bandeira de damasco e ouro do município”.

No centro da atual Praça Joaquim de Melo Freitas ergue-se o monumento aos Mártires da Liberdade. O discurso de encerramento da inauguração desse monumento oferecido a Aveiro pelo Clube dos Galitos em 1909, no centenário do nascimento de José Estêvão, foi proferido por Joaquim de Melo Freitas que então afirmou: “entre os festejos do dia, este obelisco, devido ao lápis e ao cinzel de Ernesto Korrodi, avulta, já pelo seu pensamento generoso, já porque se ergue neste local, onde a 16 de Maio de 1828, um núcleo de cidadãos, unindo-se às forças de Caçadores 10, de guarnição nesta cidade, soltaram o grito de revolta e iniciaram esse grande movimento, que dotou o país com as instituições constitucionais! Nem o exílio, nem o ergástulo, nem a forca, nem os combates, a miséria e a desgraça detiveram esse punhado de bravos patriotas, que se propunham fundar uma pátria nova, impregnada de luz, de progresso e de amor!”

Fontes:
Correio do Vouga. Aveiro. 10 abr. 2013.
Projeto Gutemberg.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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