Texto tendo por base a trova de Maria Thereza Cavalheiro (São Paulo/SP, 1929 – 2018)
de esperança e sonhos belos,
pois de simples grãos de areia
faço pontes e castelos…
Dizem que o tempo é um senhor impiedoso que tudo consome, em sua sabedoria de quatro versos, parece ter descoberto o segredo para dobrar as horas e se desviar das ruínas. Não precisa de mármore, cimento ou grandes investimentos para erguer seu império. O essencial é o que sobra nos vãos dos dedos: o grão de areia.
Viver, para muita gente, é um exercício de peso. Acordamos preocupados com o tamanho dos muros que precisamos levantar para nos proteger ou com a largura dos abismos que nos separam dos outros. Olhamos para o chão e só enxergamos a poeira, o resíduo, o ínfimo. Mas a alma que carrega esperança tem uma visão de engenheiro e uma delicadeza de artista.
Onde o cético vê apenas um deserto árido ou a sujeira que o sapato traz da rua, o sonhador vê matéria-prima. É uma questão de escala e de fé. A ponte não começa no arco de aço; começa na vontade de atravessar. O castelo não nasce da pedra bruta; nasce do desejo de ter um lugar onde a beleza seja a única regra.
Fazer pontes de grãos de areia é a metáfora perfeita para a nossa capacidade de reconciliação e de alcance. É entender que os grandes afetos são construídos de gestos minúsculos: um "bom dia", uma escuta atenta, um olhar que não julga. São partículas de humanidade que, somadas, permitem que a gente chegue ao outro lado sem molhar os pés na amargura.
E os castelos? Ah, esses são os nossos refúgios internos. Ter a "alma cheia de esperança" é manter as torres desses castelos sempre altas, mesmo quando o vento do mundo sopra contra. É saber que, se a maré da realidade vier e levar a construção da tarde, a areia continuará lá, sob o sol, pronta para ser moldada outra vez amanhã.
A trova é um convite à leveza. Ela nos ensina que não precisamos de muito para construir um destino grandioso. Basta o olhar que transforma o pequeno no imenso e a paciência de quem sabe que toda eternidade é feita de instantes — um grãozinho por vez.
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José Feldman (1954)
JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, em 1954, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.
(dados biográficos por Cailin Dragomir)

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