segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Semeando Trovas)

 

1
Ao dar tudo o que ela quer,
a evitar que o amor se perca,
o corno cerca a mulher
mas a mulher pula a cerca.
2
Após a noite que embaça
a janela do viver,
ressurge a luz na vidraça
com um novo amanhecer.
3
Aprenda bem a lição, 
desde bem cedo, menino,
pois na vida a Educação
é base do seu destino.
4
Canta o galo de matina
na Cantagalo florida,
saudando o sol que ilumina
duzentos anos de vida.
5
Capiau faz dentadura
sem ter o dente frontal,
pois deste modo assegura
um sorriso natural.
6
Com saudade do gramado,
da função desempenhada,
o gandula aposentado
corre atrás de uma pelada.
7
 Dia das Mães! Não se esqueça
dos presentes de ninguém:
por incrível que pareça,
sua sogra é mãe também!
8
Enquanto a gente descansa
na metade de um caminho,
um outro qualquer alcança
a outra metade sozinho.
9
Ensinando ao aprendiz,
nosso professor Raimundo,
no quadro negro e com giz
sonhava mudar o mundo.
10
Galopando sem receio
um indomável equino,
vou pela vida em rodeio
no cavalo do destino.
11
Há uma lição que sem cola
pelo estudante é sabida:
– na vida a melhor escola
é a grande escola da vida.
12
Luminar Academia,
plena de vitalidade,
a tua luz irradia,
a cultura na cidade.
13

Manassés compositor,
com suas belas canções,
canta a vida, canta o amor,
despertando as emoções.
14
Mostra a vida, mostra a história,
que a prática da coerência,
determina a trajetória
de uma correta existência.
15
Natal! Campos do Jordão,
cidade em que o amor reluz,
faz de cada coração
o berçário de Jesus.
16
O amanhecer se vislumbra
quando o sol em sua ida,
se elevando da penumbra
irradia a luz da vida.
17
O autêntico jornalista,
expressa nos seus relatos,
correto ponto de vista
da realidade dos fatos.
18
O garoto se insinua
perante a namoradinha:
– Minha sombra com a sua
será que fazem sombrinha?
19
O jogador e a torcida
têm que ser disciplinados,
pois toda copa é vencida
dentro e fora dos gramados!
20
O migrante em sua andança
parte do amado rincão.
Leva consigo a esperança
mas deixa o seu coração.
21
O vovô vai à balada
e sem muito lero-lero,
na pista dança lambada
em compasso de bolero.
22
Parece o craque Coalhada
com o galã falastrão:
- não aguenta uma pelada
mas diz que joga um bolão.
23
Peão ardiloso paca,
do seu intento dá cabo:
- usa o cheirinho da vaca
para amansar touro brabo.
24
Pela sua grande crença,
salvou-se, na Arca, Noé:
- não há dilúvio que vença
um homem cheio de fé!
25
Proteja Deus o migrante
que com seu labor fecundo
faz de uma terra distante
a melhor terra do mundo.
26
Quando a vejo na calçada,
de passagem pela rua,
minha sombra inconformada
ainda vai atrás da sua.
27
Quando me sinto estressado,
fugindo da realidade,
vou do presente ao passado
pelo túnel da saudade.
28
Quando toca Manassés
as canções de tempos idos,
tem o público aos seus pés
para os aplausos devidos.
29
Se alastrando lentamente
qual um glaucoma, o rancor,
impede os olhos da gente
de enxergar a luz do amor.
30
Seja de que modo for
e sem qualquer preconceito,
na casa onde mora o amor,
mora também o respeito.
31
Teu corpo ardente, formosa,
caminho da perdição,
é uma rua perigosa
que eu subi na contramão.
32
Toda natureza atesta
que esta vida é uma pintura,
onde Deus se manifesta
sem a Sua assinatura.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (1942)
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO é um renomado engenheiro, gestor público e um dos mais ativos e premiados trovadores contemporâneos do estado de Minas Gerais. Com forte atuação na comunidade lírica nacional, ele se destaca pela precisão métrica e sensibilidade de suas composições. Nascido no Rio de Janeiro, em 1942 e radicado em Juiz de Fora/MG, cidade polo cultural que historicamente abriga uma forte tradição de trovadores. Graduado em Engenharia, atuou profissionalmente no serviço público do município de Juiz de Fora. Exerceu cargos de grande relevância executiva e técnica, tendo sido Superintendente da GETTRAN (Subsecretaria/Gerência de Transporte e Trânsito de Juiz de Fora), liderando o planejamento de mobilidade urbana e trânsito da cidade nos anos 2000.
Dulcídio estruturou sua trajetória literária sob o gênero da Trova É um membro proeminente da UBT - Seção Juiz de Fora. Além de produzir e competir, atua frequentemente como jurado e avaliador técnico em múltiplos certames nacionais de poesia e Jogos Florais. Reconhecido no meio poético como um "premiadíssimo vencedor de Concursos", acumula honrarias em todo o país.
Sua obra é publicada predominantemente em regime de coletâneas especializadas, antologias dos Jogos Florais e compilações de Academias de Letras que reúnem as trovas vencedoras e selecionadas ao redor do Brasil. Na tradição da trova, o registro impresso costuma ocorrer de forma compartilhada nessas antologias e portais dedicados à preservação da memória lírica. 
Dulcídio é fundamental para a manutenção da tradição da trova clássica no Brasil. Sua importância reside em: Manter acesa a chama literária da Zona da Mata mineira, conectando a nova geração à herança deixada por ícones locais como Belmiro Braga; Suas composições transitam com maestria entre o lirismo filosófico, as temáticas cotidianas da fé, as belezas das cidades brasileiras e a sensibilidade social para com os menos favorecidos; Ao atuar ativamente em entidade trovadoresca e em comissões julgadoras, ajuda a garantir o rigor técnico e a vitalidade da trova poética em língua portuguesa.

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