quinta-feira, 8 de outubro de 2026

José Feldman (Chafariz de Versos) * 1 *


1 - Minha Careca

Que inveja... cabelos brancos... 
Quisera eu os ter também. 
Hoje aos trancos e barrancos 
nenhum fio se mantém, 
pois nesta minha careca 
onde o tempo - este vilão - 
me fez tremenda meleca, 
"tô" mais liso que um melão.

2 - Caleidoscópio da Vida

 No caleidoscópio da vida,
vitórias e derrotas…
Ficamos na torcida.

3 - Cativo

 Ó pai, tanto te agradeço,
dos versos que sou cativo,
pois, sem eles, reconheço…
seria só um morto-vivo!

4 - Realidade

Não somos mais que esboços,
desenhados por outras mãos.
Olhos que veem sem ver.
Fantasmas do passado
assombrando o amanhã.

5 – Tédio

Verão terminando.
A chuva está implacável…
e eu em casa mofando!

6 - Dúvida

Minha vida são muitas reticências
entre vários parênteses.
Às vezes provoca exclamação,
mas de vírgula em vírgula
no final de todo parágrafo
sempre fica uma interrogação…

7 - Vida Lascada

Sigo pela estrada...
um tapete de cascalhos:
– Êta vida lascada!

8 - Destino

(Para o Professor Garcia, Carolina Ramos e A. A. de Assis)

Vou caminhando pela vida sem rumo,
entregue aos ventos do destino,
carrego apenas uma vela,
acesa na fonte do divino.
Qualquer que seja a minha lida,
seguirei mesmo que contra a maré.
Meu coração é a parafina,
e a chama acesa é a minha fé.

9 - Gratidão

Sou grato, todos os dias,
por eu ser um trovador,
transformando fantasias,
em tantos versos de amor.

10 - A Velha Chata
 
Essa é uma história ridícula,
com certeza é puro papo,
que vivia em uma edícula
uma velha... que era um trapo.
 
Sempre estava resmungando,
sobre todos, sobre tudo,
e sua vida, estagnando
em seu modo carrancudo.

Passam horas, passam dias,
se esvaindo as alegrias 
passa o tempo sem cessar.
 
Só esta velha não passa,
chata... parece pirraça,
a todos a azucrinar.

11 - Balança do Tempo

 Nosso tempo é uma balança,
com subidas e descidas,
cujo manto de esperança
acalenta nossas vidas.

12 – NINO

(Ubiratã/PR, 11 julho 2003 – 08 setembro 2021, Maringá/PR)

Lá se foi o meu menino
deixando muita saudade.
Seu nome… era apenas Nino,
mas enorme em lealdade.

Tantos anos o ralhei
por seu miado constante,
contudo jamais pensei
num silêncio angustiante.

Acaba a noite… outro dia
e eu com minha alma a chorar.
Já não há mais alegria

nem porquê comemorar.
Sem miados… a agonia
insiste em me torturar.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Nascido em São Paulo em 1954, JOSÉ FELDMAN é um escritor, poeta, trovador,  professor, enxadrista e gestor cultural radicado no Paraná desde 1999. Sua trajetória literária e profissional foi moldada por influências familiares precoces, orientação de nomes como André Carneiro, Izo Goldman, Eunice Arruda e Artur da Távola, além de uma sólida formação multidisciplinar e atuação de destaque no xadrez e na promoção cultural. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital. (Excerto Biográfico por Cailin Dragomir)

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