Que inveja... cabelos brancos...
Quisera eu os ter também.
Hoje aos trancos e barrancos
nenhum fio se mantém,
pois nesta minha careca
onde o tempo - este vilão -
me fez tremenda meleca,
"tô" mais liso que um melão.
2 - Caleidoscópio da Vida
No caleidoscópio da vida,
vitórias e derrotas…
Ficamos na torcida.
3 - Cativo
Ó pai, tanto te agradeço,
dos versos que sou cativo,
pois, sem eles, reconheço…
seria só um morto-vivo!
4 - Realidade
Não somos mais que esboços,
desenhados por outras mãos.
Olhos que veem sem ver.
Fantasmas do passado
assombrando o amanhã.
5 – Tédio
Verão terminando.
A chuva está implacável…
e eu em casa mofando!
6 - Dúvida
Minha vida são muitas reticências
entre vários parênteses.
Às vezes provoca exclamação,
mas de vírgula em vírgula
no final de todo parágrafo
sempre fica uma interrogação…
7 - Vida Lascada
Sigo pela estrada...
um tapete de cascalhos:
– Êta vida lascada!
8 - Destino
(Para o Professor Garcia, Carolina Ramos e A. A. de Assis)
Vou caminhando pela vida sem rumo,
entregue aos ventos do destino,
carrego apenas uma vela,
acesa na fonte do divino.
Qualquer que seja a minha lida,
seguirei mesmo que contra a maré.
Meu coração é a parafina,
e a chama acesa é a minha fé.
9 - Gratidão
Sou grato, todos os dias,
por eu ser um trovador,
transformando fantasias,
em tantos versos de amor.
10 - A Velha Chata
Essa é uma história ridícula,
com certeza é puro papo,
que vivia em uma edícula
uma velha... que era um trapo.
Sempre estava resmungando,
sobre todos, sobre tudo,
e sua vida, estagnando
em seu modo carrancudo.
Passam horas, passam dias,
se esvaindo as alegrias
passa o tempo sem cessar.
Só esta velha não passa,
chata... parece pirraça,
a todos a azucrinar.
11 - Balança do Tempo
Nosso tempo é uma balança,
com subidas e descidas,
cujo manto de esperança
acalenta nossas vidas.
12 – NINO
(Ubiratã/PR, 11 julho 2003 – 08 setembro 2021, Maringá/PR)
Lá se foi o meu menino
deixando muita saudade.
Seu nome… era apenas Nino,
mas enorme em lealdade.
Tantos anos o ralhei
por seu miado constante,
contudo jamais pensei
num silêncio angustiante.
Acaba a noite… outro dia
e eu com minha alma a chorar.
Já não há mais alegria
nem porquê comemorar.
Sem miados… a agonia
insiste em me torturar.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Nascido em São Paulo em 1954, JOSÉ FELDMAN é um escritor, poeta, trovador, professor, enxadrista e gestor cultural radicado no Paraná desde 1999. Sua trajetória literária e profissional foi moldada por influências familiares precoces, orientação de nomes como André Carneiro, Izo Goldman, Eunice Arruda e Artur da Távola, além de uma sólida formação multidisciplinar e atuação de destaque no xadrez e na promoção cultural. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital. (Excerto Biográfico por Cailin Dragomir)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Solicito que coloque o seu nome após o comentário, para que o mesmo seja publicado. Somente serão aceitos comentários relativo às publicações, outros que sejam políticos, pessoais, chulos, etc. serão excluídos. Veja política de conteúdo na página inicial. Outros assuntos relativos a postagens, use o formulário de contato na coluna à direita ou envie para o email gralha1954@gmail.com
Não coloque nos comentários telefones, emails, dados pessoais para não cair em golpes de terceiros.