quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A. A. de Assis (Conversa de gente grande)

Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras.

Quanto você pagaria para ter o direito de escutar durante uma hora uma conversa entre pessoas pelas quais tenha grande admiração? Pois é: pelo andar dos algoritmos, daqui a uns cinco anos (ou menos) isso será perfeitamente possível. Ligaremos uma coisa parecida com televisor e programaremos a conversa que desejarmos testemunhar. A tal ferramenta, abastecida por alguma IA, nos possibilitará presenciar diálogos entre celebridades de grande projeção num determinado período da história.

Quem preferir poderá, por exemplo, começar xeretando um papo entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Ou entre Shakira e Beyoncé.

Da minha parte, gostaria de começar lá na Antiguidade. Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras. Ou entre Virgílio e Cícero. Ou entre os apóstolos Pedro e Paulo. Ou entre Júlio César e Cleópatra. 

Depois viria avançando no tempo: Copérnico e Galileu, São Francisco de Assis e Santo Antônio, Dante e Petrarca, Cervantes e Camões, Shakespeare e John Donne, Mozart e Chopin, Voltaire e Pascal, Chardin e Darwin, Freud e Proust…

Aí começaria a ouvir gente mais próxima de nós: Churchill e De Gaulle, Gandhi e Luther King, Chaplin e Disney, Humphrey Bogart e Cary Grant, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn, Sofia Loren e Brigitte Bardot, Pavarotti e Frank Sinatra, Elvis Presley e John Lennon, Edith Piaf e Maria Callas, João Paulo II e Madre Teresa de Calcutá, Ângela Merkel e Margaret Tathcher…

Na sequência chegaria ao Brasil: Castro Alves e Gonçalves Dias, Machado de Assis e José de Alencar, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, Drummond e Bandeira, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, Ulisses e Tancredo,  Dom Paulo Evaristo e Dom Aloísio Lorscheider, Dona Zilda Arns e Irmã Dulce, Pelé e Garrincha, Rivelino e Zico, Senna e Piquet, Noel Rosa e Pixinguinha, Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira, Bibi Ferreira e Tônia Carrero, Oscarito e Grande Otelo, Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Xororó, Jobim e Vinícius, Roberto Carlos e Caetano, Chico e Milton Nascimento, Jair Rodrigues e Elis Regina, Cecília Meireles e Clarice Lispector, Ruben Braga e Fernando Sabino, Quintana e Manoel de Barros…

Vai chegar esse dia sim. Está chegando.  Que coisa sensacional será ver ali na tela, à nossa frente, um par de gênios discutindo futebol, politica, religião, filosofia, poesia, música…
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A. A. de Assis (1933)
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas:  Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.

Fontes:
Portal do Rigon. 20.08.2026
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

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