GUILHERME DE ALMEIDA
Campinas/SP, 1890-1969, São Paulo/SP
Cigarra
Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.
= = = = = = = = = = = = = =
Poema de
OLAVO BILAC
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)
Justiça
Chega à casa, chorando, o Oscar. Abraça
Em prantos a Mamãe.
“Que foi, meu filho?”
—“Sucedeu-me, Mamãe, uma desgraça!
Outros, no meu colégio, com mais brilho,
Tiveram prêmios, livros e medalhas...
Só eu não tive nada!”
—“Mas porque não trabalhas?
Porque é que, a uma existência dedicada
Ao trabalho e ao estudo,
Preferes os passeios ociosos?
Os outros, filho, mais estudiosos,
Pelas suas lições desprezam tudo...
Pois querias então que, vadiando,
Os outros humilhasses,
E que, os melhores prêmios conquistando,
Mais que os outros brilhasses?
Para outra vez, ao teu prazer prefere
O estudo! e o prêmio alcançarás sem custo:
E aprende: mesmo quando isso te fere,
É preciso ser justo!”
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
ROZA DE OLIVEIRA
Santo Antônio de Pádua/RJ, 1942 – 2026, Curitiba/PR
Minhas trovas são abraços,
mil braços vou abraçar,
nos mil infinitos laços
que a trova sabe engendrar.
= = = = = = = = = = = = = =
Poema de
FRANCISCO MIGUEL DE MOURA
Jenipapeiro/PI
Paisagem por dentro
Abro os braços
para a paisagem
descortinada janela a fora,
aos olhos que se arregalam.
E o coração:
- a vida é bela bebida aos poucos.
O verde enverdece o sol,
o amarelo traz fruta – esperança,
a saudade em chuva e orvalho
cai (dos tempos de criança).
Bate-me por dentro, nas laterais:
- as narinas sentem
e os ouvidos ouvem
o vento
e seus mistérios e eflúvios,
arrepiando a pele como tentáculos.
A alma que voava
me pousou
na beira do sonho.
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Serra Negra do Norte/RN, 1934 – 2015, Natal/RN
Se este mundo tão bisonho
te nega paz e guarida,
usa o refúgio do sonho,
onde o amor sustenta a vida!
= = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG
São Fidélis/RJ
Chuva
Lá fora cai a chuva docemente...
dos meus olhos uma chuva de saudade,
no peito bate um coração ardente
e na alma um quê de felicidade.
Que esta chuva caindo sobre a terra,
transforme em vida todas as sementes,
fertilizando de forma tão materna
ternura que brotou dentro da gente.
Estamos sós, a vida quis assim...
não adianta isso lamentar,
estar longe não quer dizer o fim.
E amanhã quando despontar a aurora,
vou-me lembrar da chuva que caiu,
sentir sozinho, o que sinto agora!
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Miguel Couto/RJ
Não julgues a sorte ingrata,
pois Deus, que tudo divisa,
bem sabe a medida exata
da ajuda de quem precisa…
= = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
RAQUEL ORDONES
Uberlândia/MG
Porções de mim
E em cada frase que escrevo
Lá estou eu toda derramada
Inspiração em mim é enlevo
E a poesia se faz tão sagrada.
Um verbo fala muito de mim
E posso estar em um adjetivo
Quem sabe o reverso sem fim
E na entrelinha: meu objetivo.
Escrever é junção de pedaços
O amontoado de livres letras
Dos meus cacos em abraços.
Escrevo , escrevi e escreverei
Vinculo com a escrita meu ser
Caso parta; inda assim ficarei.
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
DOROTHY JANSON MORETTI
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP
Ora eloquente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de tudo,
no fútil revés… do nada!
= = = = = = = = = = = = = =
Poema de
JÚLIO CESAR BRIDON DOS SANTOS
Gaspar/SC
O poeta e a vida
As lágrimas vertidas
De um poeta sonhador
Traduzem suas virtudes
No trilhar sereno da saudade.
Apagaram-se as mágoas,
Caiu a máscara das verdades
E o poeta, maus uma vez,
Transformou seu sonho em realidade.
Navegou por mares sem fim,
Elevou-se ao infinito dos céus,
Tocou de leve as estrelas
E pousou seus olhos no luar prateado.
De sonhador a criador
Transpôs sua própria visão
E deu um gigantesco salto
Na direção de seus anseios.
Agora, o poeta não mais sonhava
Com algo inacabado
Pois, finalmente, seus desejos
Tinham sido conquistados.
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR
Não sei se todos ponderam
a troca que o livro traz…
Grandes homens o fizeram,
grandes homens ele faz!
= = = = = = = = = = = = = =
Poema de
RITA VELOSA
(Rita Bernadete Sampaio Velosa)
Araraquara/SP
Faroleiros de Almas
Assim somos nós, faroleiros de almas:
Iluminando os penhascos,
Clareando os abismos,
Perscrutando segredos,
Fincados em meio ao nada,
Presos no mar revolto
Girando, girando, girando...
Focando os perigos,
Alertando os incautos,
Orientando os perdidos;
Uma luz de esperança no mundo,
Faroleiros de almas!
Mas quem acenderá uma luz para nós?
Nossa dor é grande:
Vemos demais, sentimos demais
E nada podemos fazer por nós mesmos.
Solitários em alto mar,
Brilhando e consumindo-nos loucamente,
No desespero da lucidez,
Em chama interna,
Luz eterna,
No calor da esperança,
Girando, girando, girando...
Perscrutando desesperadamente!
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP
Felicidade?… É a que eu tenho
quando na vida ajo assim:
– Quero alguém feliz… me empenho…
e esqueço um pouco de mim!
= = = = = = = = = = = = = =
Soneto de
JOSÉ A. JACOB
(José Antonio de Souza Jacob)
Juiz de Fora/MG
Crença
Quando firmava o azul e o sol abria
Ao dia a sua bem-aventurança,
O homem bom repartia à vizinhança
Toda espécie de estima que sentia.
E amanhecia cheio de esperança
De vir o dia, após um novo dia,
Para lhe dar apreço e cortesia
Conforme a sua ingênua confiança.
Depois curvava a fé que lhe convinha
À soleira da porta, e de tardinha
Fiava as horas, crédulo a sorrir.
E a noite o recolhia nesse afã
De estar sempre esperando esse Amanhã
E sempre esse Amanhã tardando a vir...
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
MARIA CALIL ZAMBON
Novo Horizonte/SP (1935 – 2012) Bandeirantes/PR
Em toda Mulher se vê:
o charme, o encanto, a alegria
e em todas elas há um quê
da doçura de Maria!
= = = = = = = = = = = = = =
Poema de
CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964)
Encomenda
Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.
= = = = = = = = = = = = = =
Trova de
MARIA MADALENA FERREIRA
Magé/RJ
Felicidade! – Eu te estudo
e não decifro a “charada”:
– Uns – infelizes com tudo…
– Outros – felizes sem nada!!!
= = = = = = = = = = = = = =

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Solicito que coloque o seu nome após o comentário, para que o mesmo seja publicado. Somente serão aceitos comentários relativo às publicações, outros que sejam políticos, pessoais, chulos, etc. serão excluídos. Veja política de conteúdo na página inicial. Outros assuntos relativos a postagens, use o formulário de contato na coluna à direita ou envie para o email gralha1954@gmail.com
Não coloque nos comentários telefones, emails, dados pessoais para não cair em golpes de terceiros.