Sagrado e consagrado. A cada julho, na primeira semana o caminho é o sul fluminense, passando pelo litoral espetáculo paulista para chegar à paradisíaca Parati. Depois de tantas águas verdes, ilhas, grotões, pedras, mata atlântica nas costeiras bandeirantes, ali a última curva. Surge a magia, o casario centenário.
Mas não é só a paisagem urbana, eis o Centro Histórico de ruas pé-de-moleque - calçamentos irregulares sem trânsito de carros. O toque mágico, a arquitetura colonial portuguesa, casarões coloridos, sacadas de madeira, floridas.
Neste ambiente que persuade e seduz é que acontece anualmente a FLIP - Feira Literária de Parati – - caleidoscópio cultural onde a gente anda pelas ruas em meio a escritores de toda estirpe, novos, antigos, Prêmio Nobel, todo mundo conversando com todo mundo.
Dentro desta festa da cultura, conversávamos ali no Centro Histórico, este escriba aprendiz, mais o Luiz Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, ambos aclamados no uso do verbo.
O papo girava em torno de assuntos variados - família, literatura, morte, viagens... Quando o Zuenir perguntou ao Luiz Fernando :
- O que você acha da morte, Veríssimo?
- Eu sou contra! (risos)
E a conversa seguiu ao sabor de Parati.
Busquei esta croniquinha entre os alfarrábios para homenagear a vida e a memória do escritor Zuenir Ventura, que nos deixou nesta semana. Grande cultor das letras - livros, jornais, revistas -, criatura afável, sempre risonho, boa conversa, bonomia na intimidade.
Que as Mansões do Altíssimo o recebam com alegria, com palavras, com os vinhos.
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Silmar Bohrer (1950)
O escritor e poeta SILMAR BOHRER destaca-se na cena cultural contemporânea por sua intensa produção literária voltada para a poesia, trovas e crônicas regionais, além de sua importante atuação na liderança de instituições literárias na Região Sul do país. Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Suas primeiras produções e memórias de juventude, incluindo o serviço militar obrigatório, remetem a jornais regimentais e ao gosto pelas redações escolares. Reside atualmente no município litorâneo de Itapoá, no estado de Santa Catarina.
Bancário aposentado da Caixa Econômica Federal. Paralelamente à sua carreira profissional, sempre manteve o ofício da escrita como um sacerdócio diário. É um dos membros fundadores e exerceu o cargo de presidente da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), instituição fundada em 2014 no município de Caçador/SC, com o objetivo de fomentar a cultura local. Também possui forte vínculo associativo com entidades como a Associação dos Economiários Aposentados da Caixa em Santa Catarina. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras.
Silmar iniciou sua jornada na escrita ainda na adolescência. Possui uma produção monumental com mais de 10 mil textos publicados digitalmente em plataformas de catalogação literária, acumulando dezenas de milhares de leituras. Sua obra foca predominantemente em formas líricas curtas e descrições do cotidiano, sendo o estilo predominante trovas transcendentais, prosa poética, crônicas do dia a dia e versos livres. Suas coletâneas e antologias de distribuição independente — frequentemente distribuídas de "mão em mão" de maneira não comercial durante eventos e lançamentos — reúnem séries textuais de sucesso na internet, tais como “O Contágio do Verbo”, “Pousadinha de Trovas”, “Ninhal de Trovas” e “Poesia sem Distanciamento”. Ele também se dedica à escrita de artigos de resgate histórico e crônicas sobre outras figuras literárias sulistas. Editou os livros: Vitrais Interiores (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Mais do que concorrer a premiações comerciais de grande escala, o autor foca sua trajetória no reconhecimento institucional e comunitário. Suas láureas vêm de concursos literários internos voltados a servidores e aposentados federais, além de homenagens prestadas por academias de letras municipais em Santa Catarina pelo seu papel ativo na difusão da escrita poética regional.
A relevância de Silmar Bohrer reside no seu papel de ativista e descentralizador cultural no interior de Santa Catarina. Ao liderar a fundação da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), ele contribuiu diretamente para levar oficinas, eventos e o amor pelos livros a uma das regiões socioeconomicamente mais desafiadoras do estado. Silmar defende uma literatura baseada no compartilhamento afetivo e na simbiose entre as vivências cotidianas e o lirismo tradicional, mantendo viva a tradição da trova e da crônica de costumes na era digital.
Fontes:
Texto enviado pelo autor.
(Biografia produzida pelo Blog: Garimpos pela internet)

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