Não é tela de cinemascope com direito a fundo musical. São figuras que o interior dos meus olhos passam a ver como se as trouxessem lá de dentro.
Frutos do silêncio? Talvez.
Umas trazem a repetição do que vivenciei. O ontem, o anteontem, o “tresantontem” a se perder no tempo como reflexo de mim mesmo.
Outras vêm com figuras fabulosas com cores indefinidas, em situações diversas de um mundo que não é o meu.
São produto do desconhecido, do inimaginado.
Ali eu vivo o estranho.
Um momento jamais sonhado a produzir angústia. E maneiras para que dele tente me livrar, porque a reação é espontânea.
Às vezes o sono as absorve. Em outras, rumino-as enquanto ele não vem. Mas pressinto que sim. O sono salvador ao chegar, faz o mocinho ao salvar a donzela –– pondo em fuga os bandidos.
Nesses passeios fora de mim, absorvo-me e, com passos vagos vejo lugares inóspitos, gente entristecida, ambiente degradado e céu nebuloso. Outras situações se compõem em meus olhos com figuras nostálgicas. Essas possuem a minha aparência. Elas não são altas de modo que se sobressaiam frente às demais, nem tão baixas a chamarem a atenção.
Parecem-se comigo. Então reflito: –– São outros eus que se põem a vagar as mesmas ruas em que caminho. Os que vejo têm aparência preocupada, olhos fixos, passos largos, precisos, rápidos. Decididos! O corpo se manifesta sensível ao sol quente, ao vento em demasia, à poeira solta a causar incômodo.
Tal qual me apresento no dia a dia.
As figuras se transmutam em corpos, pouco cá, pouco lá de beleza, sem que sirvam de referência a qualquer análise mais profunda.
O que me põe a pensar é sobre o porquê de elas aparecerem na fase do pré-sono.
Por fim, a resposta: essa sensação que se dá na sonolência, é a tal ‘ponte dourada’ entre a vigília e o sono profundo, momento em que a lógica relaxa, e a mente, como um parque de diversões, nos leva a dar vida ao subconsciente.
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Renato Benvindo Frata é de Paranavaí/PR, advogado, escritor e trovador.
(Texto enviado pelo autor. )

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