1
A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.
2
A distância é que nos mata
pois logo vem a saudade;
saudade – presença ingrata
da antiga felicidade.
3
A felicidade é um sonho,
- por que deixar pra depois?
O amor é sempre risonho
na vida vivida a dois.
4
Aquele beijo de Judas
no cenário da traição,
revela que as trevas mudas
podem trair nosso irmão.
5
Cai a chuva na vidraça
e eu fico triste, porque
não há beleza nem graça
nesta casa sem você.
6
Céu azul, todo estrelado,
sorrindo, ao clarão da lua,
e o meu peito, apaixonado,
a chorar a ausência tua.
7
Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de outro alguém.
8
Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a Natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.
9
Criança és flor, és bonança
espargindo luz e amor,
porque trazes a esperança
de um futuro promissor.
10
Criança, teu riso é tudo,
traz um brilhante porvir,
se amparada com estudo,
o mundo volta a sorrir.
11
“Das coisas belas da vida”
que colhi, em profusão,
eis a mais nobre e querida:
em cada TROVA um irmão!
12
Da vida não quero a glória
que tanto engana e seduz.
Prefiro não ter história
a renunciar minha cruz.
13
De manhã, sinto o perfume
das flores no meu jardim,
e um beija-flor – que ciúme,
chegou bem antes de mim.
14
Do fruto vem a esperança,
depois da bonita flor.
Assim também a criança,
depois de um florido amor.
15
É Natal! Nossa Esperança
de ser bom, fazer o bem,
nasce com aquela criança
na manjedoura em Belém.
16
Entre flores, no meu sonho
estavas nos braços meus.
Mas de repente, tristonho,
acordei ouvindo “adeus”.
17
Este cigarro, este fumo
que você traga com gosto,
será depois, em resumo,
o seu mais forte desgosto.
18
Eu sinto nos braços teus,
um carinho, um aconchego,
e me torno um semideus
vivendo em paz, no sossego.
19
Falando de amor, Maria,
que saudades sinto agora
daquela doce alegria
que em teus olhos vi outrora.
20
Gaivotas passam voando
o céu azul é um lençol;
casais na praia se amando
sob os olhares do sol.
21
Gosto da vida pacata,
homens simples dos sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.
22
Levanto cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
23
Meu peito canta, sorrindo,
ao ver o clarão do dia,
enquanto a noite fugindo
deixa rastros de alegria.
24
Minha mãe – como eu quisera
do meu amor dar-te prova,
e o meu carinho – pudera
enviar-te numa TROVA.
25
Na minha vida pacata
que levo desde menino,
tenho sido um acrobata
no circo do meu destino.
26
“Não há vaga”. Está escrito
naquele enorme portão,
e o trabalhador, aflito,
em casa não tem feijão.
27
Não julgue pela aparência,
não condene sem saber;
às vezes com paciência
algo bom temos de ver.
28
Não me fascina o sucesso,
nada tenho para dar.
Quero apenas – eu confesso
o amor no mundo espalhar.
29
Não me queixo desta vida,
apesar da minha idade.
Queixo, sim, da despedida
que me trouxe esta saudade.
30
Nenhum poema é mais belo
e inspira tanta esperança
do que um sorriso singelo
no rosto de uma criança.
31
Nesta manhã reluzente
de sol aquecendo a terra,
vejo a beleza presente
no teu olhar cor de serra.
32
No livro da natureza
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.
33
No meu balaio carrego
sonhos de amor e venturas,
mas muitos sonhos, não nego,
se tornaram desventuras.
34
No Sertão ninguém contesta,
o povo celebra e canta.
A chuva promove a festa,
fartura para quem planta.
35
No teu sorriso, criança,
vejo o mais belo perfil,
porque tu és a esperança
do futuro do Brasil.
36
O céu, hoje, de repente
escureceu e chorou.
O sertanejo, contente,
sorriu, pulou e cantou.
37
O tempo – é santo remédio,
cura os males da paixão:
- cicatriza a mágoa e o tédio
e dá paz ao coração.
38
Ouço o barulho das águas
que se batem nos rochedos,
vão levando minhas mágoas,
vão sepultando segredos!
39
Quando a amargura me assalta
e a tristeza o peito invade,
eu sinto que a tua falta
vai me matar de saudade.
40
Quantas noites, meu amor,
olhando, no céu, a lua,
eu me sinto um trovador
pensando na imagem tua.
41
Que fomos feitos de barro,
não há, aqui, discussão.
Mas quando em você esbarro,
esse barro é de emoção.
42
Quem conversa sem saber,
querendo ser sabichão,
cuide, que vai receber
severa repreensão.
43
Que o teu futuro, criança,
seja de luz e esplendor,
vislumbre de confiança
no mundo do desamor.
44
Segue uma estrada florida
quem, na verdade, tiver
a glória de ter, na vida,
um coração de MULHER!
45
Sinto um perfume na rua
fazendo a gente feliz,
enquanto a noite flutua
nas flores de bogaris.
46
“Sorriria de feliz”
e o mundo teria paz,
se o coração que maldiz
soubesse perdoar mais.
47
Sou aprendiz nesta Escola
de amores, lições e sonhos,
- meu verso voa e decola
buscando dias risonhos.
48
Tenho certeza que a trova
– poema feito de amor -
é um sonho que se renova
na vida de um trovador.
49
Vivendo ao sabor do vento
neste vaivém de emoção.
Sou, no mundo, um cata-vento
buscando o teu coração.
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Filemon F. Martins (1950)
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu EM 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). Foi também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.
Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.

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