domingo, 22 de março de 2026

A. A. de Assis (As emoções de um pai)


Por acaso me lembrei do caso, que aliás se deu faz uns muitos anos. Um amigo entrou na minha sala na “Folha do Norte”. Estava com os olhos miúdos de chorar de alegria. Acabara de levar à escolinha a filha de 3 anos para o primeiro dia de aula.

Naquele instante só Deus sabia que carga de emoções bulia lá no lá-dentro do jovem pai de uma só filha. Era uma experiência estranha aquela de deixar seu tesourinho entregue às professoras, no meio de tantas outras crianças até então desconhecidas.

Meu amigo deveria ir para o trabalho, contudo não tinha condições psicológicas para fazer coisa alguma. Por isso viera conversar, repartir seu nervosismo, contar o que estava sentindo, uma sensação esquisita.

Sentou-se, tomou um cafezinho, falou, sorriu, tomou outro cafezinho. Tirou do bolso o lenço, enxugou os olhos. Quem é pai pode imaginar a situação.

Dengoso e coruja, ele recordou a “biografia” da filha. O dia em que a esposa lhe comunicara a notícia: “Vamos ter um bebê”. Os meses de espera. Os mil planos. As primeiras dores. A corrida para a maternidade. Médicos. Enfermeiras. Ele no corredor andando pra-lá-pra-cá. De repente o chorinho... É menina!... É menina!

O pai ansioso para ver a filha, achar um telefone, espalhar a boa nova. Parentes e amigos chegando. A mãe ciumenta recomendando máximo cuidado com o bebê. Parece com a mãe, parece com o pai, é a cara da tia... 

Ah, o dia em que ela deu sozinha os primeiros passos, o dia em que pronunciou a primeira palavra, o dia em que jogou fora a chupeta.

E agora ela já estava na escolinha. O jovem pai ali chorando de felicidade, tomando cafezinho, olhando o relógio, querendo que o tempo passasse depressa para ele ir buscar a filhinha de volta...

E como seria o futuro dela? Quantas novas emoções estariam reservadas para o agitado coração do pai e o inquieto coração da mãe? A apresentação do primeiro namorado. A formatura. O casamento. O nascimento do primeiro neto.

Ah, os netos... Quando eles chegarem começará tudo de novo. As mesmas esperas,  as mesmas alegrias, os mesmos sustos, o mesmo enredo. Se você é pai sabe muito bem como é isso. Se é avô ou biso sabe melhor ainda.
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(Crônica publicada no Jornal do Povo – Maringá – 23.10.2025)
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A. A. de Assis (Antonio Augusto de Assis), (93), poeta, trovador, haicaísta, cronista, premiadíssimo em centenas de concursos nasceu em São Fidélis/RJ, em 1933. Radicou-se em Maringá/PR desde 1955. Lecionou no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá, aposentado. Foi jornalista, diretor dos jornais Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná e das revistas Novo Paraná (NP) e Aqui. Algumas publicações: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 vol. (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de trovas; Tábua de trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guaíra (história), etc.

Fontes:
Texto enviado pelo autor.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  

Folclore do Uruguai (Lenda do Churrinche)


A lenda do Churrinche possui diferentes versões, que refletem tanto conflitos entre tribos indígenas quanto a chegada dos europeus ao Uruguai.
 
Há duas vertentes principais conhecidas:
 
VERSÃO DE CONFLITOS ENTRE TRIBOS
 
Em tempos antigos, durante uma feroz batalha, muitos membros de uma tribo indígena buscaram refúgio nas águas de um rio próximo. 

O cacique, gravemente ferido e não querendo ser capturado pelos inimigos, retirou seu coração pulsante do peito e o transformou em um pássaro vermelho flamejante. Assim, o coração voou para as florestas nativas, emitindo um som característico, semelhante a um guincho — daí o nome "Churrinche".
 
VERSÃO DA CHEGADA DOS EUROPEUS
 
Quando os primeiros colonizadores chegaram às terras uruguaias, os charrúas ficaram perplexos com as grandes naves e os homens vestidos com metal. 

O cacique consultou um adivinho, que revelou que os intrusos exterminariam a raça. Determinado a lutar até o fim, o último cacique foi ferido em combate e, antes de morrer, sacou seu coração, que se transformou no Churrinche. 

Diz-se que o pássaro não canta, mas emite um som que parece um choro pela sorte da tribo.
 
OUTRA VERSÃO MENOS CONHECIDA
 
Há também uma narrativa sobre Ulian, um jovem tehuelche com poderes para se comunicar com animais e plantas. 

Ele amava um pequeno pássaro cinzento chamado Churrinche, que se sentia feio e isolado. 

Um gigante invejoso de Ulian o aprisionou em uma caverna. O Churrinche, superando sua vergonha, reuniu outros animais para resgatá-lo. 

Durante a fuga, o gigante arrojou uma espinha no peito do pássaro, que se tornou ensanguentado. 

Após salvar Ulian, o Churrinche desmaiou, mas foi curado com poderes mágicos — e desde então, seu peito ficou vermelho e seu som ecoa pelas florestas.
 
SIMBOLOGIA
 
Resistência e Identidade Indígena: 
O Churrinche representa a luta dos povos originários do Uruguai contra a opressão, seja de outras tribos ou dos colonizadores. O coração transformado em pássaro simboliza que a essência da cultura indígena não foi extinta, mas continua viva na terra.

Sacrifício e Heroísmo: 
O cacique que oferece seu coração para evitar a derrota ou a humilhação da tribo personifica o sacrifício em prol do grupo, um valor central na cultura charrúa.

Luto e Memória: 
O som característico do pássaro, descrito como um guincho ou choro, simboliza a saudade pela história e pelos ancestrais perdidos, mantendo viva a memória dos eventos que moldaram o povo uruguaio.

Conexão com a Natureza: 
Como muitos seres do folclore indígena, o Churrinche liga o mundo humano ao das plantas e animais, reforçando a relação sagrada que os povos originários tinham com o meio ambiente.

CARACTERÍSTICAS DA AVE 

É uma ave migratória, muito comum no Uruguai durante a primavera/verão. O macho possui uma cor vermelha muito chamativa no peito e na cabeça, enquanto a fêmea tem tons mais discretos.
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continua... Abuelo Ñandú

Fontes:
Facebook – Aprendelta Educación Ambiental – 20.10.2023
IA Google

sábado, 21 de março de 2026

Asas da Poesia * 165 *


Poema de
MYRTHES MAZZA MASIERO
São José dos Campos/SP

Em fogo brando

Enquanto escolhos os feijões,
sem querer faço alusões;
um grão..., dois...
e enfim,
não sobra tempo pra mim!
Corro para lavar o arroz,
deixo a mágoa pra depois.
Enquanto lavo as verduras,
me frito em conjeturas...
Enquanto escorro os legumes,
vou ruminando os queixumes.
Enquanto tempero a carne,
sinto ligar meu alarme...
Enquanto destrincho o frango,
fervo a raiva em fogo brando.
Enquanto aqueço a gordura,
unto as minhas queimaduras.
Enquanto o fogo se mantém,
Santo Deus! Sou uma refém...
Enquanto misturo os molhos,
cascas de sonhos, recolho.
Enquanto a salada esfria,
asso a vida em banho-maria.
Na hora de pôr a mesa
é que refogo a tristeza.
Mas quando sirvo o cozido...
Ah! Nem tudo está perdido!...
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Soneto de
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

Artesão

Quisera ser poeta... Sou apenas
um humilde artesão da poesia,
que lida com palavra, a duras penas,
para louvar o amor com alegria.

Trabalho quando as noites são amenas
e tenho a alma cheia de estesia;
tal qual oleiro que produz dezenas
de vasos até ver o que queria...

O artífice de si só dá o melhor,
na busca de alegrar seu bem maior,
que é uma das razões de seu viver.

Se não tem perfeição de um bom poeta,
coloca o coração no que arquiteta...
Por seu amor..., não importa se morrer!
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Trova Premiada  de
LUIZ POETA
Luiz Gilberto De Barros 
Rio de Janeiro/RJ

De tanto voar sozinho
No rumo de alguma flor,
Meu coração passarinho
Fez ninho no teu amor.
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Regresso

Que fazes aqui?!
Mandaram-te embora
                         E somente agora
                    vens procurar
                          o teu ninho antigo
                            para te abrigar?!...

Pobre coitada!...
Por que fostes assim desprezada?...
...tamanha maldade fizeram contigo...

Mas, se vens para ficar
Com este primeiro
E verdadeiro
amigo,

Podes entrar... venha, SAUDADE,
Fique comigo!...
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Trova Popular

Das lágrimas faço contas
com que rezo às escuras;     
oh! morte que tanto tardas!        
oh! vida que tanto duras!    
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Soneto de 
WALTER BENJAMIM 
(Walter Benedix Schönflies Benjamin)
Berlim/Alemanha (1892 - 1940) Portbou/Espanha

A Mão que a Seu Amigo Hesita em Dar-se 

Perguntaste se eu amo o meu amigo?
como rompendo um demorado açude
na tua voz quis hausto que transmude
todo o cristal dos ímpetos consigo

Neste meu choro enevoado abrigo
pôs-me a palavra o peito em alaúde
que uma doce pergunta tua ajude
no sim furtivo que eu levei comigo

Mas a meu lábio lento em confessar-se
um mestre inda melhor o cunharia
A mão que a seu amigo hesita em dar-se

ele a tomou o que mais firme a guia
para que ao coração secreto amando
ao mundo todo em rimas o vá dando.
(Tradução de Vasco Graça Moura)
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Trova de
ANTONIO ALEIXO
(António Fernandes Aleixo)
Vila Real de Santo António/Portugal (1899 — 1949) Loulé/Portugal

Uma mosca sem valor
pousa com a mesma alegria,
na cabeça de um doutor
como em qualquer porcaria.
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Poema de
RITA MARCIANO MOURÃO
Ribeirão Preto/SP

Fonte de inspiração

O dia amanhecia flamejante.
Dentro de mim também flamejava, amanhecia.
No carro de boi, Sô Quincas Carreiro carreava
nossas tralhas e alegrias.
íamos para vila assistir aos rituais da Semana Santa.
Meu pai, minha mãe e eu,
todos no carro que seguia rangente estrada afora.
Cantávamos hinos de louvor.
O carro também cantava um monólogo triste
que invadia os grotões do sertão das Minas Gerais.
Dentro dele eu, meio santa, meio profana,
sonhava encontrar meu seguidor entre os seguidores de Cristo.
Quanto sonho, quanta esperança no coração daquela
criança verde!
O tempo passou e cumpriu sua meta, à revelia.
O asfalto engoliu a terra, a estrada ficou cinzenta
e meus sonhos mudaram de cor.
Só o carro de boi varou meus sentimentos,
atravessou fronteiras
e até hoje me fala de POESIA!
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Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

Não houve pancadaria
nem sufoco na paquera...
“Sou homem”, disse a Maria.
Ainda bem que o Zé... não era!
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Soneto de
DOROTHY JANSSON MORETTI
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP

Folhas Esparsas

Quando a tarde, ao cair, toda dourada,
lenta transmuda em gradações cambiantes,
sinto minh’ alma sensibilizada,
afinar-se ao sabor dos tons mutantes.

E os versos que componho em tais instantes
assumem cor ardente ou desmaiada:
vivos do leve Alegro aos sons vibrantes,
tristes, do grave Adágio à dor velada.

São notas desprendidas da Sonata,
dispondo um clima de jovial Cantata,
ou da Pavana o sufocado grito.

São folhas soltas, pelo vento esparsas…
Verdes ou murchas, voam como garças,
deixam meus sonhos no azul do infinito.
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Trova de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DE CARLI
Bandeirantes/PR

Deves repartir teu pão
com quem pede, no momento,
pois, às vezes, a inversão
ocorre ao sabor do vento...
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Spina de
SOLANGE COLOMBARA
São Paulo/SP

Reencontro

Exalas cada manhã 
tuas cores, pairando 
nas esquinas frias 

ilusões, ou serão velhas poesias?
Um badalar do sino, timidamente, 
anuncia em vozerios, tuas magias
ou será um poeta (re)descobrindo 
este renascimento todos os dias?
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Trova de
ARTHUR THOMAZ
Campinas/SP

Tua voz a sussurrar,
quando estamos nos amando,
parece a brisa do mar,
mansas ondas encrespando...
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Soneto de
LUIS VAZ DE CAMÕES
Coimbra/Portugal (1524 – 1580) Lisboa/Portugal

XIX

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
            
Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
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Poema de
ROBERT FROST
(Robert Lee Frost)
São Francisco/EUA (1874 – 1963) Boston/EUA

A Família da Rosa

 A rosa é uma rosa
E sempre foi rosa.
Mas hoje se usa
Crer que a pera é rosa
E a maçã vistosa
E a ameixa, uma rosa.
Pergunta a amorosa
Que mais será rosa.
Você, claro, é rosa –
Mas sempre foi rosa.
(Tradução: Renato Suttana)
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Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Cuidado, amigo, atenção... 
não beba o primeiro trago. 
– Quando se escuta o trovão, 
o raio já fez o estrago!
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Indriso de
ISIDRO ITURAT
Villanueva e La Geltrú/Espanha

O Ladrão de Lençóis

Um raio de lua que é pássaro e homem
através do xadrez do vitrô entra,
e de halo, então, passa a corpo denso.

É chamado pelo dormir das que não sabem
de seus sonhos e, assim, os lençóis
rouba. E quiçá deixe como se um orvalho

que fica no corpo ou como um sabor

de lua nos lábios ou um sonhar que esteve.
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Trova de
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

Deu a tantos seu carinho
que no enlace, em confusão,
deu o sim para o padrinho
e o beijo no sacristão!
* = * = * = * = * = * = * = * 

Hino de 
SÃO MATEUS DO SUL/ PR

Fulgurante no vigor da mocidade
São Mateus, bela cidade, meu torrão,
Eu te adoro como adoro a liberdade
E a ti levanto um altar no coração
Terra sublime, por Deus amada,
Tu és a fada do meu sonhar.
Neste regime de ardor e zelo
Ao bom e belo te quero amar.

ESTRIBILHO
Rainha bela do Iguaçu tão majestosa
Neste alvor esperanço e juvenil
Na tua vida já lutaste vitoriosa
Com amor pela grandeza do Brasil.
Terra sagrada, São-Mateuense
Que luta e vence com rigidez
Nesta alvorada de grandes feitos
Batem os peitos com altivez.

Da colina que entronizas dignamente
Ao longe vedes tuas matas de valor,
E ao beijar num longo beijo reverente
Teus alvos pés, o Iguaçu com tanto amor,
Bela cidade dos bons ervais
Que tem jamais tristeza e dor.
Na mocidade robusta e forte
Confieis a sorte do teu valor.
* = * = * = * = * = * = * = * 

Soneto de
IALMAR PIO SCHNEIDER
Porto Alegre/RS

Mágoas e queixas

Fazer versos é fácil - dir-me-eis -
se lerdes minhas páginas singelas
e simplesmente reparardes nelas
mágoas que nem de longe conheceis....

Se assim pensardes, nunca entendereis
da própria alma as fatídicas procelas
surgindo à noite, não em tardes belas,
e sois felizes porque não sofreis...

Se, no entanto, sentirdes a tristeza
transparecendo aqui nas entrelinhas
destes versos, que os leva a correnteza

a transbordar em zonas ribeirinhas,
é possível que tendes, com certeza,
queixas amargas iguais às minhas !
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

Os lobos e as ovelhas

Os lobos e as ovelhas, que tiveram
Uma guerra entre si, tréguas fizeram:
Os lobos em reféns lhes entregavam
Os filhos; as ovelhas os cães davam.
Os lobinhos, de noite, pela falta
Dos pais, uivavam todos em voz alta:
Acudiram-lhes eles acusando
As ovelhas de um ânimo execrando;
Pois contra o que é razão e o que é direito,
Algum mal a seus filhos tinham feito:
Faltavam lá os cães que as defendessem,
Deu isto ocasião a que morressem.

Haja paz, cessem guerras tão choradas;
Mas fiquem sempre as armas e os soldados,
Que inimigos que são atraiçoados,
Tomaram ver potências desarmadas.
Não durmam, nem descansem confiadas
Em ajustes talvez mal ajustados:
Nem creiam na firmeza dos tratados,
Que os tratados às vezes são tratadas.
Só as armas os fazem valiosos;
E ter muitos, soldados ali juntos
Respeitáveis a reis insidiosos;
Senão, para os quebrar há mil assuntos;
E mais tratados velhos, carunchosos,
Firmados na palavra dos defuntos.
* = * = * = * = * = * = * = * 

Mensagem na Garrafa 161 = Pastel, Guaraná e Deus


AUTOR ANÔNIMO

Um menino pequeno queria encontrar com Deus, e sabia que tinha um longo caminho pela frente.

Encheu uma mochila com pastéis e guaraná e começou a caminhada.

Andou umas 3 quadras e encontrou um velhinho sentando num banco da praça olhando os pássaros.

Sentou-se junto dele e abriu a mochila.

Ia tomar um gole de guaraná, quando olhou o velhinho e pensou se ele estaria com fome. Ofereceu-lhe um pastel. 

O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu ao menino. Tinha um sorriso tão incrível que o menino quis vê-lo sorrir de novo.

Ofereceu-lhe guaraná. Mais uma vez o velhinho aceitou e sorriu ao menino. O menino estava muito feliz!

Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pastel e bebendo guaraná pelo resto da tarde sem falarem um ao outro.

No início da noite, o menino estava cansado e resolveu voltar para casa, mas antes de sair ele se voltou e deu um grande abraço no velhinho.

O velhinho deu-lhe o maior sorriso que o menino já havia recebido.

Quando o menino entrou em casa, a mãe, surpresa, pergunta, ao ver a felicidade estampada na face do filho: "O que fizeste hoje que te deixou tão feliz?

Ele respondeu: "Passei a tarde com Deus" e acrescentou "Você sabe, ele tem o mais lindo sorriso que eu jamais vi!"

Enquanto isso, o velhinho chega em casa radiante, e o filho pergunta: 

"Por onde estiveste, que chegas tão feliz?"

Ele respondeu: "Comi pastéis e tomei guaraná no parque com Deus!"

Antes que seu filho pudesse dizer algo ele falou: "Sabes, Ele é bem mais jovem do que eu pensava!!!"
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Nunca subestime a força de um sorriso, o poder de uma palavra, o valor de um ouvido de ouvir, de um elogio honesto, de um ato de carinho. Tudo isso pode fazer virar uma vida. 

Por medo de diminuir deixamos de crescer. Por medo de chorar deixamos de sorrir!!!

Renato Benvindo Frata (Segunda-feira)


O sinal de fé por três vezes: testa, lábios e peito, com olhos fechados, joelhos dobrados. A seguida genuflexão. O agradecimento à noite, para benzer o dia. A profissão de fé, o sentimento de paz, o pensamento positivo.

O espelho do banheiro retrata o sorriso alargando a cara de meio sono. Os olhos teimosos se abrem até a metade; o ranço da cama ainda se gruda às costas, e o pijama amassado posto no cesto, compõe, embaixo dos fios do chuveiro o “bom dia”, na sequência de atos inspiradores ao dia.

Pardais no telhado teimam em bem acordar o sol com chilreares curtos, repetitivos e barulhentos. Como gritam os pequeninos!

É algazarra de segunda, que se repetirá na terça, na quarta, na quinta... sem pressa de acabar.

A primeira da segunda-feira.

Um ou outro barulho de carros, choro de meninos, carroceiro que ralha com a parelha teimosa, o farinhar de vassouras, enquanto cenas da novela se repetem nas bocas de quem as manobra, sem a preocupação com o volume de suas vozes.

A segunda é feita de barulho!

Do banho à roupa limpa, bem passada; do cheiro de sabonete e amaciante; do sapato engraxado, gravata de nó ajustado e paletó escovado; do perfume do café colorindo a cozinha, do pão aquecido, sorriso franco e encontro de lábios em desejo de “bom dia”.

A segunda é feita de cuidados — e promessas para logo mais à noite.

A pasta com papéis, os documentos pessoais e o dinheiro, as chaves do carro, o livro começado, a olhada rápida para conferir os ponteiros, o sentimento de pressa, o pensamento em cuidados — especialmente nas esquinas. Nas esquinas moram os demônios.

Um tchau com abraço e outra bicota, a passada de mão no cachorro que abana a alegria com o rabo, a chave na porta, os olhos de brilho vivaz, o querer medita o sucesso. O dia vai ser supimpa!

A segunda será especial.

Abre as grandes portas da garagem, as do carro, entra, senta-se, vira a chave, aquece o motor e sai. Ou tenta.

De motor ligado e freio puxado, abre a porta, olha os pneus — e xinga.

Range os dentes, desliga o motor, bate a porta.

Tranca a outra enorme e sai. A pé. Vai chegar atrasado.

A segunda nunca seria segunda se tudo se desse de primeira.
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Renato Benvindo Frata nasceu em Bauru/SP, radicou-se em Paranavaí/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs:  Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing 

Folclore do Uruguai


O folclore uruguaio é rico e diversificado, resultado da mistura de influências indígenas, europeias e gaúchas.
 
Personagens e Criaturas
 
Paloma Pecho Rojo: 
Da tradição charrúa com sincretismo religioso, é uma paloma (pomba) com peito vermelho que visita casas para avaliar a bondade das pessoas e levar essas informações a Deus. Se passar perto de uma casa de alguém muito bom, pode conceder um desejo. 

Abuelo Ñandú: 
Também da tradição charrúa, é um ñandú gigante que vive no céu e teria criado as Três Marias com sua pata. Antigamente vivia na Terra, mas foi expulso e agora prega o futuro, tendo avisado os charrúas sobre a chegada dos europeus. É considerado o avô de todos os uruguaios.

Churrinche: 
Nasce de um chefe de tribo indígena que, em uma batalha, retirou seu coração do peito e o transformou em um pássaro vermelho flamejante para não ser capturado pelos inimigos. Voa pelas florestas cantando uma melodia semelhante a um chiado.

Negrito del Pastoreo: 
É um espírito protetor das fazendas e do gado. Descreve-se como um homem negro de pequena estatura, vestido com roupas tradicionais gaúchas, que ajuda a cuidar do rebanho e a resolver problemas dos trabalhadores rurais.

Gigante de Montevidéu: 
Da lenda charrúa, é um gigante sábio e poderoso que protegia o povo. Cansado, decidiu descansar sob o Cerro de Montevidéu, prometendo que sempre estaria presente para ajudar em momentos de necessidade.

Cão Negro das Estâncias: 
É uma criatura sobrenatural que paira pelas propriedades rurais à noite. É descrito como um cão preto enorme, com olhos brilhantes, e pode ser um protetor dos honestos ou um presságio de desgraça para os injustos.

Lobisomem: 
Originário da mitologia guarani, é o último filho varão de Tau e Keraná, um dos 7 monstros guaranis. Transforma-se em uma criatura meio-homem meio-lobo toda sexta-feira de lua cheia, com olhos de fogo, pelo escuro e cheiro fétido. A única forma de libertá-lo é com uma arma branca ou bala abençoada.

Outras Lendas Importantes
 
Origem da Erva Mate: 
Existem várias versões, sendo uma das mais conhecidas a de Caá-Yaríi, onde um jovem enviado por Deus recompensa um índio e sua filha por sua bondade, fazendo nascer a planta e ensinando a preparar a infusão. Outra versão diz que deusas da lua e das nuvens presentearam um gaúcho ou índio que as salvou de um jaguar com a erva mate, chamada de "bebida da amizade".

Passagem da Cruz: 
Conta a história de um homem que, após mudar de vida graças a um talismã, foi morto por invejosos. Sua alma passou a vagar como uma luz azulada, até que as pessoas começaram a pregar cruzes na região e uma árvore se formou na forma de uma cruz, tornando o local sagrado.

Luz Mala: 
É uma lenda gaúcha sobre fenômenos luminosos misteriosos que aparecem nas áreas rurais, associados a almas em pena ou a eventos sobrenaturais. Acredita-se que podem levar as pessoas ao perigo ou confundi-las nos caminhos.

As lendas uruguaias/indígenas que abordamos têm fortes paralelos com narrativas de outros povos ao redor do mundo, refletindo valores universais e adaptações culturais específicas.
 
1. Churrinche x Seres Ligados à Essência do Povo
 
Thunderbird (Povos Nativos Norte-Americanos): 
Assim como o Churrinche representa a essência resistente dos povos indígenas uruguaios, o Thunderbird é um pássaro sagrado que simboliza a força e a proteção das tribos. Ambos ligam a identidade do povo a criaturas que carregam a história e a energia dos ancestrais.

Garuda (Mitologia Indiana): 
Garuda é um pássaro divino que representa a liberdade e a luta contra a opressão, assim como o Churrinche surge de um sacrifício para evitar a derrota de seu povo.
 
2. Abuelo Ñandú x Guardiões Cosmológicos
 
Kukulkan (Maias) e Viracocha (Incas): 
Abuelo Ñandú é um guardião que liga Terra e Céu, prevendo eventos e transmitindo sabedoria — assim como Kukulkan (a serpente emplumada) representa a conexão entre os mundos e Viracocha é o deus criador que guarda o conhecimento ancestral.

Zeus (Mitologia Grega) ou Odin (Mitologia Nórdica): 
Esses deuses também são figuras de sabedoria suprema que observam os humanos do céu e interferem em momentos cruciais, assim como Abuelo Ñandú cuida de seus descendentes.
 
3. Paloma Peito Vermelho x Figuras de Sacrifício e Amor Materno
 
Coruja (Mitologia Grega e Africana): 
Em algumas tradições africanas, a coruja é uma ave ligada ao sacrifício maternal e à proteção dos filhotes. Na Grécia antiga, representa a sabedoria, mas também a dor de mães que perderam seus filhos.

Isis (Mitologia Egípcia): 
A deusa Isis sacrificou-se para salvar seu filho Hórus, simbolizando o amor materno extremo — assim como a Paloma Peito Vermelho dá sua vida pelos pintinhos.

Pomba Branca (Simbolismo Cristão Global): 
A pomba é universalmente ligada à paz e ao divino no cristianismo. A versão com influência cristã da Paloma Peito Vermelho aproxima-se disso, ao associar o sacrifício da ave ao de Jesus, assim como a pomba branca representa o Espírito Santo.
 
4. Pontos em Comum Universais
 
Ligação com a natureza: 
Todas as lendas conectam seres humanos a animais ou elementos do meio ambiente, refletindo uma visão de mundo onde a natureza não é separada do espiritual — algo presente em povos como os aborígenes australianos, os celtas e os japoneses.

Sacrifício pelo grupo: 
O bem-estar da comunidade sobre o indivíduo é um valor central em lendas de diversas culturas, desde os heróis da mitologia nórdica até os guerreiros astecas.

Memória ancestral: 
A transmissão de conhecimento através de figuras sagradas é comum em todos os povos, garantindo que a história e os valores sejam preservados ao longo das gerações.
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Continua… Lenda do Churrinche
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Fontes
https://www.reddit.com/r/uruguay/
https://www.instagram.com/p/DC1uWWouNzm/ 
https://www.reddit.com/r/uruguay/comments/r8cw78/leyendas_de_uruguay_poco_conocidas/