domingo, 31 de agosto de 2025

Asas da Poesia * 84 *


Trova de
CEZAR AUGUSTO DEFILIPPO 
Astolfo Dutra / MG

Deita exausto e ao despertar,
o "peão da construção",
só sente a aurora chegar
no aperto da lotação.
= = = = = = = = =  

Poema de
ANTERO JERÓNIMO
Lisboa/Portugal

Etéreo momento
(métrica livre)

Entreabrem-se os lábios em provocação 
cintila o desejo na promessa dos olhos
momento por demais aguardado 
em suspiros de desvelada antecipação 

a palavra exerce o dom da quietude
sobre a vontade em espera impaciente
aprisiona-se a magia do momento
não visível ao olhar, apenas se sente

nos passos que caminham em harmonia
o pensamento ganha a leveza da pluma
a felicidade presa entre os dedos entrelaçados
rasga o ar impregnado de quentes odores

os corpos saúdam-se sem pudores
cheios de significados que se revelam
na plenitude da entrega que vai descobrindo
a verdadeira e pura essência do poema

etéreo é o momento glorificado
das almas bafejadas em sopro de magia
enquanto os corpos se exploram livremente
por entre desvendados rasgos de poesia.
= = = = = = = = =  

Trova de
ABIGAIL RIZZINI +
Nova Friburgo/RJ 

Olhar triste, é o da criança,
que olha a vitrina, e em segredo,
chora a morte da esperança
ante o preço de um brinquedo!
= = = = = =

Poema de 
CECÍLIA MEIRELES
Rio de Janeiro/RJ, 1901 – 1964

Dia de chuva
 
As espumas desmanchadas
sobem-me pela janela,
correndo em jogos selvagens
de corça e estrela.
 
Pastam nuvens no ar cinzento:
bois aéreos, calmos, tristes,
que lavram esquecimento.
 
Velhos telhados limosos
cobrem palavras, armários,
enfermidades, heroísmos...
 
quem passa é como um funâmbulo,
equilibrado na lama,
metendo os pés por abismos...
 
Dia tão sem claridade!
só se conhece que existes
pelo pulso dos relógios...
 
Se um morto agora chegasse
àquela porta, e batesse,
com um guarda-chuva escorrendo,
e com limo pela face,
ali ficasse batendo
 
- ali ficasse batendo
àquela porta esquecida
sua mão de eternidade...
 
Tão frenético anda o mar
que não se ouviria o morto
bater à porta e chamar...
 
E o pobre ali ficaria
como debaixo da terra,
exposto à surdez do dia.
 
Pastam nuvens no ar cinzento.
Bois aéreos que trabalham
no arado do esquecimento.
= = = = = =

Trova de
ARI SANTOS CAMPOS
Balneário Camboriú/SC

Do que vale o meu canteiro
de bom trigo, de primeira,
se joio dá mais dinheiro
na “cultura” brasileira ?!
= = = = = = 

Soneto de
FLORBELA ESPANCA
(Flor Bela de Alma da Conceição Espanca)
Viçosa/Portugal, 1894 – 1930, Matosinhos/Portugal

Alma perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente, 
Tu és, talvez, alguém que se finou!
 
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, alma doente
De alguém que quis amar e nunca amou!
 
Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
 
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!
= = = = = = = = =  

Trova do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN

A liberdade do poeta,
está num verso... Num grito...
No equilíbrio se completa,
vencendo o próprio infinito!
= = = = = = 

Poema de 
REGINA MÉRCIA
Novo Horizonte/SP

 Desilusão

É o maior mal a desilusão
Pois perdi o amor que
Tinha no coração
Perdi a esperança
Que decepção!
Ela demora passar
É um gosto amargo
Na boca que
Que demora passar!
O tempo não passa
Apesar dele ser
Meu aliado
Não sei como fazer
As horas passarem
Não sei como vou trabalhar
No dia-a-dia
Um dia a esperança
Voltou e trouxe me
Muita alegria
Ai comecei a relembrar
Os bons momentos
Que já vivi!
Eu me dei conta
Como fui boba
Em pensar que
A ilusão perduraria
Para sempre mas como
Um passo de mágica!
Mandei a desilusão
Embora e hoje
Sou muito feliz
Porque fui perseverante
E venci a desilusão!
= = = = = = 

Trova de 
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

De um amor que é só miragem
finjo agora ter o assédio,
para escapar da engrenagem
dessa moenda que é o tédio.
= = = = = = 

Soneto de 
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

“Idem”

Se alguém me diz: “eu gosto de você”,
eu digo “idem”.  Mas, bem ao contrário,
se outro me disser que sou otário,
lhe digo “um tudo bem”, sabe por que?

Porque por natureza eu sou hilário!
Jamais dei bola para “quelelê”...
Tenho este jeito por pura mercê
de Deus que à briga me fez refratário!

Nasci para viver só na amizade,
sem distinção..., com toda a sociedade.
Nem ligo à propensão de cada um...

Felicidade é o que desejo a todos,
para não ver ninguém vivendo em lodos...
mas com amor fadado ao bem comum!
= = = = = = 

Trova de
ZAÉ JÚNIOR
Botucatu/SP, 1929 – 2020, São Paulo/SP

Passei a vida cantando
minhas canções que eram dela...
e a ingrata, mesmo escutando,
nunca me abriu a janela!
= = = = = = 

Hino de 
SANTA INÊS / MA

Outrora no vale do Pindaré
Antes das vilas e dos canaviais
Predominava o Índio Amanajé
Em meios às sombras dos babaçuais.

Logrou após, o lugar mais projeção
Pela pesca, lavoura e pecuária
E pelo exemplo de dona Inez Galvão
Entre outras mestras extraordinárias.

Brava gente, terra amada!
Lar de paz hospitaleiro
Ó Santa Inês, prestigiada
Neste solo brasileiro.

Sua cultura é tradicional
Do bumba-boi ao folguedo junino
E do terreiro ao brio do carnaval
Da vaquejada a festa do divino.

Hoje, esbelta e tão modelar cidade,
Com o eixo rodoviário ativo
E a ferrovia dando prosperidade
Com o comércio a esse povo altivo.
= = = = = = 

Trova de
RITA MOURÃO 
Ribeirão Preto/SP

Busquei-O além do horizonte,
nas águas do mar sem fim,
mas curvando a minha fronte
senti Deus dentro de mim.
= = = = = = 

Recordando Velhas Canções
SÚPLICA CEARENSE
Waldeck Artur de Macedo

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o Senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Que sempre queimou o meu Ceará
Que sempre queimou o meu Ceará
Que sempre queimou o meu Ceará
= = = = = = = = = = = = = 

Trova de
NEI GARCEZ
Curitiba/PR

Machucando a natureza,
sem pensar numa enxaqueca,
paga, o homem, na represa,
a imprudência pela seca.
= = = = = = = = =

Soneto de
SÍLVIA ARAÚJO MOTTA
Belo Horizonte/MG

A folha caída

Aquela “Folha” quis mostrar caída
que era o momento certo para amar...
Quem sabe até, por ser também sofrida
quis dar a chance para a luz brilhar.

A folha seca pela dor vencida,
envelhecida veio às mãos, lembrar:
-Terceira idade pode ser querida
para envolver quem quer beijar, sonhar.

Beijos nas mãos selou adeus, que a lua
pode antever, por sua vez, soluços,
da alma, que também foi quase sua.

Fim da viagem, folha foi ao chão...
Quanta saudade! Sento e me debruço!
Computador já pode ver lição.
= = = = = = = = =  

Trova de
RACHEL SANTO ANTONIO 
São Gonçalo/RJ

A aurora com seus matizes,
tem brilho enternecedor
Remete a tempos felizes,
de sol, de graça e de amor.
= = = = = = = = =  

Poema de
CARLOS LÚCIO GONTIJO
Santo Antônio do Monte/MG

Apassarado

Não quero conforto de mar
Ser porto de espera não quero
Nem pacífico nem mar morto
Absorto, voo na paisagem
Sou viagem, corro atrás
Ainda que seja fugaz o sonho
Eu me ponho a procurar …
= = = = = = = = =  

Trova de
HENRIQUE EDUARDO ALVES PEREIRA 
Ocara / CE

O dia chega, enfim, lindo,
e no esplendor do arrebol,
vem com a aurora sorrindo,
nos braços áureos do sol!
= = = = = = = = = 

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