Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Fernando A. Cavazzoni Junior (O Encontro com o Menino)



Um Conto De Natal Escrito Para Refletir E Meditar

- Olá! Faz tempo que você está aí?

- Faz. Já faz algum tempo sim, por quê?

- Eu estou indo de um dos meus pastos para outro, mas não pude deixar de notar aquela “muvuca” na estalagem ali embaixo, está vendo?

- Aquele “tropé” ali? - apontando com o dedo indicador – Estou, sim. Por coincidência estava olhando para lá também...

- É mesmo? E você sabe o que está acontecendo lá?

- Sei...

- E... você pode me contar?

- Você não sabe de nada, não é?

- Saber o que? Era para eu saber alguma coisa?

- De fato, não era não...

- Então, vou-me embora... você não vai me contar mesmo, vai?

- Não tem muita coisa para ser dita...

- Já sei! Estou te atrapalhando, não é? Vou embora então...

- Oh, não! Sente-se aqui comigo. Não vai me atrapalhar em nada. A propósito, como você se chama?

- Meu nome é Leigo, e você? Quem é?

- Eu sou Lú Scífer.

- Muito prazer – respondeu estendendo a mão para o cumprimento.

- Ah! O prazer é todo meu! Vejo que já se acomodou...

- Sim...

- Então, vou te contar o que vi até agora. Você está vendo aquele casal; ele na porta da estalagem e ela montada no jumento?

- Sim, estou vendo. Ele parece preocupado...

- Ah, não está não!

- Por quê? Como você sabe?

- Veja bem: eles saíram de Nazaré e vieram à Belém para o recenseamento. Você está sabendo, não está?

- Do recenseamento?

- Claro, meu jovem Leigo!

- Oh! Sim estou! Todos estão, na verdade. Esses romanos vivem contando a gente para ver se podem pegar mais dinheiro de nós...

- É verdade, mas sabe, as populações crescem... não é bom que cresçam muito... você sabe... daí vai faltar comida, casa para todos, é uma dificuldade só...

- O senhor trabalha para o governo?

- Trabalhar? Eu? Não, não... só estava pensando alto...

- Então, mas e o casal lá embaixo? Olha só, agora várias pessoas saíram da estalagem e estão indo para o estábulo, me parece.

- É... que será que vão fazer? Eu ia dizendo que eles vieram a Belém por conta do recenseamento, mas a moça, coitada, está grávida!

- É mesmo! Que legal!

- Legal? É sério? Imagina só! Ele a trouxe até aqui grávida! Deviam ter esperado a criança nascer. Seria muito mais humano para com a mulher, não acha?

- Ah... não sei... é... talvez. Viajar nesse estado deve ser difícil para Ela... vai ver... sei lá o que eles têm para fazer aqui? Talvez seja importante, não sei...

- Importante? O que pode justificar um homem pegar sua mulher grávida, e dizem por aí que nem são casados, e partir por estradas sombrias, de dia e de noite... com tantos perigos...

- Eu vivo por aqui e digo que não é tão perigoso assim... O senhor é daqui?

- Eu? Bem, eu diria que... sou do mundo... uma hora aqui, outra ali...

- Olha! Estão ajudando o homem a limpar o estábulo... acho que eles vão ficar instalados ali...

- É! Olha só... o homem trás a família na ultima hora e quer achar lugar na melhor estalagem da região... é o fim da picada mesmo!

- Será que não tem mais lugar por aí?

- Claro que não! Já estão tudo lotado e...

- Acho que vou até lá... a moça está grávida e eu tenho um quarto para hospedes na minha casa... vou levá-los para lá e dar...

- Você está louco, meu jovem?

- Eu? Por quê?

- Ora, você nem os conhece! Vai dar guarida para gente de fora, que você nunca viu antes? Está louco? O que os outros vão pensar?

- Puxa, mas eles parecem tão bons... não vejo nada estranho...

- Deixe que aqueles forasteiros cuidem deles... já estão lá mesmo!

O jovem Leigo interrompe dizendo em voz alta: - Olha só! Veja aquela...

- O que? O que? – responde Lú Scífer apressadamente.

- Aquela senhora saindo da casa grande, com água e panos nas mãos... acho que a Criança vai nascer agora! Vamos lá ver? É tão legal ver uma Criancinha recém nascida...

- Eu até gostaria de ir com você, mas... olha só... Está um nojo ali perto... tem coco de tudo que é tipo no chão... vamos sair de lá fedendo...

- Bem, tem um pouco de coco aqui e ali, mas é uma região de pastoreio, então tem que ter um pouco de coco por aí...

- Meu jovem; vejo que você está ficando empolgado com essa história, não está?

- Bem, eu queria ver o Neném nascer... é legal ver um nascimento... e veja que estrela linda no céu... está quase claro como dia... vai dar para ver tudo direitinho...

- É mesmo, não tinha notado a estrela... talvez se fossemos para o alto da colina pudéssemos ver melhor, que acha?

- Ir para o alto da colina? Mas aí vamos ficar mais longe. Como vamos ver melhor?

- Não, não... de lá de cima podemos ver mais e melhor... dá um ângulo melhor das coisas...

Enquanto Lú Scífer falava, o jovem Leigo não tirava os olhos da cena. Sem se dar conta do que havia sido dito, o jovem irrompe na conversa:

- Puxa! Veja quanta gente por perto, chegando... está juntando cada vez mais pessoas... Esse casal deve ser de gente importante, não acha?

- Importante! Que nada! É só mais um casal de gente pobre, perdida nesse mundo e incomodando as pessoas... E vai incomodar mais quando Aquela Criança nascer! Você vai ver...

- Então eu vou lá ver! Vamos?

- De jeito nenhum!

- Vamos! É só uma Criança nascendo...

Antes do jovem terminar a frase ouve-se o badalar de sinos – de sinos afinados e numa melodia empolgante, alegre, cheia de esperança.

- Você está ouvindo isso? – pergunta o jovem Leigo.

- O que?

- Esse som de sinos...

- Ah, isso? Estou... E daí?

- Bom, para começar, de onde vem?

- Que importa... vai acordar todo mundo...

- Meus amigos pastores devem estar acordados ainda. De certo estão ouvindo e virão para cá...

- Mais gente!

- É! E daí? Você se incomoda!

- Um pouco...

- Acho que vou até lá então...

- Não! Espera aí! Agora que ia te fazer um convite...

- Convite? Para que?

- Você é pastor, não é?

- Sou.

- Você disse que ia de um pasto seu para outro, certo?

- Certo. Muito observador de sua parte...

- Então você deve estar, digamos, bem na vida, não está?

- Como assim?

- Eu digo, deve ter um outro bicho para fazer um churrasco, não tem?

- Tenho, sim, alguns.

- Então meu caro! Eu queria te convidar para fazermos um churrasco! Que tal! Subimos o morro, vamos até seu pasto e eu mato um novilho enquanto você chama seus amigos... Faremos uma festa! Que tal?

- Legal, mas já é meio tarde e... olha só...

- O que?

- Meus amigos já estão lá embaixo!

- É mesmo?

- É! Só nós estamos aqui...

- Ótimo! Aqui nós estamos a salvo!

- A salvo? A salvo do que?

Lú Scífer vira a cara para o lado e diz em voz baixa: - ...é de quem, seu palerma!

- O que? Que foi que você disse?

- Deixa “prá” lá... Vamos fazer o churrasco ou não?

- Seria legal, mas tenho que ir andando...

- Você não vai lá embaixo, vai?

- Acho que sim. Estou vendo todos os meus amigos lá...

- Eu sou seu amigo e não estou lá...

O jovem Leigo pensa consigo: “que sujeito atrevido! Sinto que preciso ir embora mas ele está sempre me convencendo a ficar. Até que ele tem umas idéias boas, mas eu preciso sair...”

Enquanto o jovem pensava, outra pessoa se aproxima e diz:

- Olá vocês aí! Tudo bem?

Lú Scífer toma um susto e permanece calado. O Jovem responde:

- Tudo bem, obrigado. Você está vindo lá de baixo?

- Na verdade estava indo para lá e vi vocês aqui.

Lú Scífer se intromete, dizendo: - Pode ir então. Eu e meu amigo estamos bem aqui.

O jovem pergunta: - Vocês já se conhecem?

Eles respondem simultaneamente: - Já!

Então o jovem leigo pergunta ao que acaba de chegar: - Qual é seu nome, senhor?

- Eu me chamo Miguel.

- Muito prazer – responde o jovem estendendo a mão para cumprimentá-lo e emenda uma pergunta: - você sabe o que está acontecendo lá embaixo?

- Sei sim - responde Miguel, e continua – e ele também sabe.

- Quem? O Lú Scífer?

- Ele mesmo.

- Bem, isso já não importa mais. Preciso ir andando e não sei direito o que fazer.

Miguel toma a frente no dialogo: - O que você tem para fazer?

- Não sei se vou até lá embaixo ver aquela Criança ou procuro meus amigos para fazer um churrasco.

- Seus amigos estão lá embaixo...

- Parece que estão todos tão felizes naquele estábulo... Sinto uma vontade enorme de ir lá. Não sei por que, mas acho que vou para lá...

Lú Scífer solta um grito e sai correndo pelo campo.

- Puxa! Que sujeito estranho, não é Miguel?

- “Deixa ele pra lá”, mas cuidado! Ele volta qualquer hora dessas.

- Espero não vê-lo mais por aqui...

- Se você vai lá para baixo, eu te faço companhia.

- Ahm... eh... está bem, vou sim...

- Ótimo!

- Você disse que estava indo para lá, não é?

- Na verdade estou sim...

- Você conhece aquele casal?

- Conheço. Eles se chamam Maria e José. Maria acaba de dar a luz a um Menino, que se chama Jesus.

- Puxa! Você sabe tudo, heim!

- Sei muito mais! Vamos indo que te conto tudo no caminho.

- Beleza! Vamos nessa!

Fonte:
http://www.mesadoeditor.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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