Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Flávia Vasconcelos (Jornalismo Literário)


O que é Jornalismo Literário

As chamadas grandes reportagens mesclam características da narrativa literária, da história e do texto jornalístico. Elas fazem parte do jornalismo literário. Livros como Rota 66, de Caco Barcellos, filmes como Todos os homens do presidente e especiais televisivos como Globo Repórter, inserem o público em um mundo muitas vezes desconhecido, temido ou distante; contam a história de maneira romanceada, quase lúdica em alguns casos, prendendo a atenção e distanciando-se dos padrões de jornalismo aos quais estamos acostumados.

Em 1960 os Estados Unidos observaram o surgimento de uma nova maneira de fazer jornalismo. Cansados das matérias desinteressantes e factuais, os jornalistas decidem sair de suas redações e inovar, apurar a fundo um fato, fazer muitas entrevistas, pesquisar em arquivos, percorrer grandes distâncias, levantar dados, “imergir” na história e narrá-la com o uso de recursos e ferramentas da ficção. A grande reportagem pode explicitar em seu conteúdo as impressões de quem a fez e da mesma forma que fazemos ao relatar para amigos como foi à última viagem que fizemos; ou seja, quais foram nossas impressões sobre as pessoas e o lugar visitado, o que lá aconteceu, etc.

Também no Brasil tivemos repórteres dispostos a quebrar antigas regras e “mergulhar” em tempo integral em suas matérias. A produção dessa “dualidade” do jornalismo e todos os seus desdobramentos culturais é importante tanto para o dia-a-dia quanto para o futuro, uma vez que denunciam ou tornam públicos acontecimentos contemporâneos, como é o caso das reportagens sobre as drogas feitas por Tim Lopes, que foi assassinado de maneira brutal por traficantes em 2002, ou como uma descrição detalhada de acontecimentos relevantes da nossa história.

Nos dias de hoje, principalmente no Brasil, esse ramo do jornalismo vem se minguando e, quando respira, restringe-se à mídia televisiva. Essas matérias ocupam muito espaço, um espaço redacional cada vez mais rarefeito em todos os grandes jornais, e há cada vez menos repórteres dispostos a encarar o desafio de entrar de cabeça num só assunto, esquecer tudo o mais para, no fim, ter o prazer de contar uma boa história.
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Nós fazemos Jornalismo Literário
(por Flávia Vasconcelos)

Leitor, aqui nós fazemos jornalismo literário.

Isso porque nós respeitamos o seu direito de ter acesso a informações de qualidade, sem economia de detalhes sobre o fato.

Fazemos jornalismo literário porque nós não somos jornalistas-robôs, destituídos dos cinco sentidos, sem experiências de vida e, muito menos, sem capacidade de observação do meio que nos cerca.

Nós somos, assim como você, seres humanos e, por isso, compactuamos com a ideia do jornalista Raimundo Pereira, editor da Revista Retratos do Brasil e profissional atuante da imprensa alternativa, quando, em 1981, escreveu no último editorial do saudoso Jornal Movimento que a afirmação sobre o jornalista ser um técnico, se não da neutralidade ao menos da objetividade, não passa de um mito. Nós somos profissionais de carne, osso, sentimento e racionalidade.

Ao contrário do que a “grande massa jornalística” pensa, o jornalismo literário não é utopia, ficção, romantismo e nem é feito por escritores. É feito por jornalistas profissionais e pode sim ser a realidade dos jornais diários, revistas e sites jornalísticos, a exemplo do nosso.

Escrever com estímulo e detalhamento do fato, humanizando os envolvidos, descrevendo características do espaço físico, das pessoas, transportando o leitor para o acontecimento é também jornalismo e é isso que o jornalista literário faz.

Que mal há em enriquecer o texto? Que mal há em misturar literatura com jornalismo? Nenhum. Ao contrário, é uma oportunidade dada ao leitor de se informar melhor e enriquecer-se junto, tanto no vocabulário quanto na formação da opinião sobre o fato.

Leitor, o que você acharia de ler no jornal que você compra todos os dias, uma matéria sobre o jogo de futebol do seu time favorito que, além de informar o placar da partida, descrevesse a torcida, incluísse as paródias musicais inventadas na arquibancada e que fazem o maior sucesso, além dos “gritos de guerra”, com exclamações e tudo mais que fosse necessário para transmitir a empolgação do momento? Que falasse das cores e sons que compuseram o cenário do jogo, escolhesse personagens, tanto da torcida como entre aqueles que estavam lá trabalhando, vendendo churrasquinho e falasse rapidamente de cada um? Descrevesse as expressões dos torcedores, ou do técnico, no momento do gol ou da perda dele? Humanizasse mais os jogadores e falasse um pouco da trajetória daquele que mais se destaca, ou de onde ele veio?

Isso serviria para permitir que aquele que não esteve no estádio, percebesse o que foi vivido lá e também para aquele que esteve, pudesse reviver a experiência. Além de fazer com que você leitor, se reconhecesse no que foi escrito, já que seria um texto de um ser humano para outro e não de um burocrata da notícia para uma vítima dessa “burocracia”. A sua realidade estaria ali descrita e, assim, você poderia se sentir mais em casa e confiante de que o jornal registra o que você vive.

A nossa sociedade, baseada na selvageria da formalidade e do conservadorismo estrangeiro, desvaloriza a sensibilidade, encarando-a como passatempo. Como brincadeira.

Dizem que o jornal diário não tem espaço para o jornalista literário, por conta do tamanho dos textos. Sabe o que dizem mais, leitor? Que você não iria gostar desse tipo de texto completo, original, atrativo, divertido e aprofundado, pois você se contenta com as migalhas da informação, colhidas no texto frio e curto, seja no impresso ou on-line. Eles respondem por você, sem nem lhe oferecer uma oportunidade de experimentação.
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Fontes:
- http://www.coladaweb.com
- http://aqueimaroupa.com.br

2 comentários:

Elisa Simony disse...

Sou recém-formada em Jornalismo e sou totalmente partidária ao Jornalismo Literário! Os detalhes deixam os fatos reais ainda mais interessantes e verdadeiros!

Elisa Simony
http://literalmentejornal.blogspot.com

Elisa Simony disse...

Sou recém-formada em Jornalismo e completamente partidária ao Jornalismo Literário! Enxergar os detalhes da notícia faz com que ela se torne ainda mais real!

Elisa Simony
http://literalmentejornal.blogspot.com

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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