Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

I Encontro Nacional de Poesias de São Fidélis/RJ (Sonetos Vencedores)


1º LUGAR Edmar Japiassú Maia (Rio de Janeiro/RJ) MEU BERÇO

Pesa-me o tempo… mas, com galhardia
prossigo a caminhada e não me abato,
que um fidelense não se abate ao fato
de ter que exercitar a valentia…

Pesa-me o tempo… e cada vez mais grato
à Cidade Poema e à poesia,
unindo as duas numa simetria,
descrevo São Fidélis num retrato:

O Paraíba acolhes no teu seio,
e o carinho dos filhos é o esteio
que alavanca o progresso em teu avanço…

Pesa-me o tempo… e aguento os meus cansaços,
por saber que, na estafa dos meus passos,
São Fidélis é o berço em que descanso!

2º LUGAR Hegel Pontes (Juiz de Fora/MG) SÃO FIDÉLIS

De São Fidélis guardo a ressonância
De pássaros cantando nas capoeiras;
No olhar conservo as flores das primeiras
Primaveras perdidas na distância…

Toucou-me um dia a incontrolável ânsia
De procurar caminho e abrir porteiras,
Deixando para trás velhas mangueiras
Que encheram de doçura a minha infância.

Comércio, indústria, o campo verde, o açude…
Cidade Poema, te esquecer não pude,
Porque, mesmo partindo da cidade,

Como carro-de-boi que geme e chora,
Eu vou levando pela vida afora
A colheita indelével da saudade!

3º LUGAR Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte/MG) ENCANTOS DA MATRIZ

Homens de fé, ao mesmo tempo artistas,
trazendo na alma o gênio italiano,
Frei Victório e Frei Ângelo, idealistas,
edificaram, em labor insano,

num mutirão de crenças sincretistas
de índios, escravos, brancos - mano a mano-
uma igreja, com traços vanguardistas,
por influência do padrão romano.

A seu redor, nasce a "Cidade Poema";
hoje é Matriz e da cidade emblema,
onde inspirados poetas tecem rima.

E em São Fidélis, plena de beleza,
completando as doações da natureza,
nasceu do gênio humano a obra-prima

MENÇÃO HONROSA Odir Milanez da Cunha (João Pessoa/PB) SÃO FIDÉLIS - CIDADE POEMA

Pertences dos Puris e Coroados,
contemplativa forma de estesia,
São Fidélis, dois séculos passados,
alenta a natureza de poesia.

Junto à Serra do Mar, nos encostados,
faz com montes e matas parceria
para o tanto dos cantos encantados,
em completa e total sinestesia.

Bicentenária igreja, rios, pontes,
florestas onde floram hamamélis,
onde a fauna fareja novas fontes.

Festiva gente, festejadas frontes
da Cidade Poema, São Fidélis!
Cedendo à Serra novos horizontes!

Hegel Pontes (Juiz de Fora/MG) SÃO FIDÉLIS

Cidade poema, tu não és somente
Um recanto de esplêndida beleza,
Fruto de tua rica natureza
E também do labor de tua gente.

Não é apenas a visão presente
De tudo que compõe tua grandeza:
Jardins e monumentos, e a surpresa
Que a cada passo o visitante sente…

São Fidélis, tu és a extraordinária
Imagem da Matriz bicentenária,
Testemunha de sua trajetória.

Ela é o ontem que acena ao amanhã
E que se eleva como guardiã
De tua longa e luminosa história.

José Antonio Jacob (Muriaé/MG) SÃO FIDÉLIS - CIDADE POEMA

No véu de luz que encobre nosso dia
O céu de São Fidélis se abre em cor,
Amanhecendo as ruas de alegria,
Recompensando o amor com mais amor.

No outeiro da Matriz a Ave-Maria
Comove o dia, e o sol que se vai pôr,
Qual poeta solitário e sonhador,
Curva-se ao poente e escreve uma elegia.

Eis a “Cidade Poema” esplendorosa,
Que em vesperais, de canto, verso e prosa,
Adianta um sorriso e uma mágoa adia...

Pois que esta terra, filha da Harmonia,
Que inspira ao poeta a lira primorosa,
É o Paraíso eterno da Poesia!

Rodolpho Abbud (Nova Friburgo/RJ) HISTÓRIA SACRA

Sobem frades capuchinhos o rio,
para encontrar os índios Coroados,
enfrentando um imenso desafio,
de conviver, em paz, sob seus cuidados…

Surge a cidade e, aos poucos, do vazio,
a igreja, a praça, as casas, os sobrados…
e no trabalho, dia e noite a fio,
os pelourinhos foram recusados!

O povo não aceita a escravidão
e antes mesmo da Lei da Abolição,
em São Fidélis é quebrada a algema!

Livre de escravos, a cidade cresce
e, desde então, celebra e canta em prece,
a história de uma "Cidade Poema"

Sérgio Bernardo (Nova Friburgo/RJ) TRANSMUTAÇÃO

Que cidade forjou a tez do povo
com vermelhas, com negras e alvas peles?
Que lugar honra o antigo e busca o novo?
Ao passar diz o vento - São Fidélis…

A que sítio com árvores me movo
buscando a orquídea, a folha da hamamélis?
Em que terra com versos me comovo?
Recita o Paraíba - São Fidélis…

No norte, em tempos de sumir nos longes,
que igreja foi erguida por três monges?
_ Foi São Fidélis!, Deus acusa.

São Fidélis… Mais lindo dos reinados
e o berço de puris e coroados,
De cidade Poema… virou musa!

Douglas Siviotti de Alcântara (Rio de Janeiro/RJ) POVO POETA

Cidade Poema na terra escrita
Traçada na serra de longa data
Por vale, por rios e até cascata
És tu, São Fidélis, a mais bonita

Cidade Poema quem te recita?
Serão os teus morros e tua mata?
Será essa gente que a ti é grata?
Talvez esse povo que te visita

Cidade Poema, quem te abençoa?
Quem faz os teus versos assim sutis?
Que leio nos ventos e na garoa

Transcritos nos montes e na Matriz
Cidade Serena na vida boa!
Tu és o poema que o povo diz.

Cristina Oliveira Chaves (Estados Unidos) BICENTENÁRIO
Duzentos anos fazem a grandeza,
da "Cidade Poema" em sua verdade
povo de bardos em preciosidade
puros de coração e de nobreza!

São Fidélis, um povo de beleza,
chegam poetas de qualquer idade,
celebram com amor essa cidade
exemplo de constância e de firmeza.

E os seus sinos repicam bem profundo,
seus duzentos anos de construção,
não só de sua Igreja Majestosa.

Também de muitos bardos, para o mundo,
que são dessa Cidade o coração
fazendo-a bem mais bela e mais Formosa!

Fonte:
Site Alma de Poeta. http://www.sardenbergpoesias.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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