domingo, 20 de janeiro de 2013

Julio Daio Borges (A Epopeia de Gilgamesh, pela WMF Martins Fontes)

Qual é a história mais antiga do mundo? Para quem tem formação judaico-cristã, a Bíblia. Para quem cultiva o helenismo, os versos de Homero ou a Teogonia de Hesíodo. Mas, desde o século passado, sabemos que existe uma ainda mais antiga.

Estamos falando da Epopeia de Gilgamesh, que a WMF Martins Fontes acaba de reeditar em formato pocket. Na introdução de N.K. Sandars (que estabeleceu a versão inglesa, a mesma que serve de base para a brasileira), ficamos sabendo que os primeiros autores da Bíblia deviam estar bastante “familiarizados com a história” de Gilgamesh e que esta, inclusive, “precede as epopeias homéricas em pelo menos mil e quinhentos anos”.

Como diria Nietzsche, Gilgamesh é uma história humana, demasiadamente humana, onde estão presentes “a busca pelo conhecimento, a mortalidade e a tentativa de escapar do destino do homem comum”. A epopeia se passa da Mesopotâmia, foi escrita pelos sumérios (que chegaram lá em 3000 A.C.) e está registrada nas mais antigas tábuas de Nippur. Historicamente, Gilgamesh surge como “o quinto monarca de dinastia pós-diluviana de Uruk”. Sim, há um dilúvio. Talvez o mesmo dilúvio bíblico. Pois, cronologicamente falando, a epopeia de Gilgamesh se situa no período entre Noé e Abraão, cujo único registro conhecido era o Livro do Gênesis.

Historicamente, mais uma vez, Gilgamesh foi “um rei que provavelmente comandou uma bem-sucedida expedição para trazer madeira das florestas do norte e que certamente foi um grande construtor”. Já na mitologia, Gilgamesh é dois terços deus e um terço homem, assim como Aquiles, cuja mãe era igualmente uma deusa. Aliás, os gregos já advertiam: “Aquele que se deita com uma deusa imortal perde para sempre a força e o vigor”. Qualquer semelhança com Adão e Eva, a maçã, a descoberta do pecado e a expulsão do paraíso não é mera coincidência. E, mesmo sem Guerras Mundiais como as nossas, reis como Gilgamesh já temiam que “os poderes do caos e da destruição escapassem ao seu controle”.

O homem não comandava a natureza como hoje, e ela poderia se voltar contra a humanidade a qualquer instante, extinguindo o Homo sapiens. Em termos de mitologia, mais uma vez, Gilgamesh habita “um mundo em que deuses e semideuses se confraternizam com os homens num pequeno universo de terra conhecida, cercado pelas águas desconhecidas do Oceano e do Abismo”. (Ruy Castro poderia chamar isso de Ipanema. E é bem por aí.)

O texto em si é agradavelmente legível e muito melhor escrito que o de muitos autores da nossa própria época. Como tantos heróis conhecidos nossos, Gilgamesh “parte numa jornada”, “cansa-se”, “exaure-se em trabalhos”, “retorna”, “descansa” e “grava na pedra toda a sua história”. Gilgamesh é rei, e esse é seu destino. Mas Gilgamesh não viverá eternamente, e esse, também, é seu destino. Pois lhe é advertido: “Enche tua barriga de iguarias; dia e noite, noite e dia, dança e sê feliz, aproveita e deleita-te. Veste sempre roupas novas, banha-te em água, trata com carinho a criança que te tomar as mãos e faze tua mulher feliz com teu abraço; pois isto também é o destino do homem”. “Não existe permanência”, antecipando Heráclito, a história registra. E antecipando, desta vez, o conceito grego de nêmesis e húbris: “Os heróis e os sábios, como a lua nova, têm seus períodos de ascensão e declínio”.

Se a Bíblia, em suas múltiplas versões, serve de base para judeus, cristãos e muçulmanos, podemos dizer que Gilgamesh serve de base para toda a humanidade, assim como os gregos e os romanos transcenderam o chamado paganismo, pois escreveram a história ocidental, que é inescapavelmente a nossa História. A Epopeia de Gilgamesh, assim como a Bíblia, os gregos e os romanos de nossa preferência, pode ser um livro de cabeceira, sim, pois, como Montaigne, que costumava se servir da filosofia, estamos sempre aprendendo a viver, e a morrer.

Fonte:
http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=7&nome=Literatura

Ribeirão Preto em Trovas



A paixão é estranho jogo
 que, de súbito, esparrama
 mil labaredas de fogo,
 porém, breve cessa a chama.
 AIDER CRUZ DE OLIVEIRA

Minhas mágoas vejo, agora,
no cristal das águas mansas,
no mesmo rio que, outrora,
me refletia esperanças.
ALMÉRIA PAIVA CIONE

Fugindo aflita, assustada,
aos pulos o coração,
sem sorte, sala fechada,
dá de cara com o ladrão!
ANA ROMANO SANTORO

No transparente cristal,
vislumbro de Deus o rosto,
na forma transcedental
do Tudo... no nada exposto.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO

A mãe é um ente sublime
que Deus nos deu por herança;
cada vez mais ela exprime
amor,fé,paz e esperança.
BENEDITO IVO PINTO (+)

Numa gota de cristal
que de teus olhos fugia,
eu pude ver, afinal,
que era amor o que caía...
BRANCA MARILENE MORA DE OLIVEIRA

A chama do fogo sente
 que nem sempre tudo é festa
 e queimando descontente
 vai devastando a floresta.
CAVALHEIRO VERARDO NETO

Como cristal em pedaços
espalhados pelo chão,
são sem valor seus abraços
na mentira da paixão...
DULCE CIONE MALDONADO

Oh! Ribeirão Preto antiga
dos barões e cafezais...
Nova cidade que abriga
os grandes canaviais.
ELIANE APARECIDA PEREIRA

Amo ler, e bem escolho
no livro a mensagem certa,
o conteúdo eu recolho,
não deixo a mente deserta!
ELISA ALDERANI

O meu vizinho Clemente,
 comemorando no jogo,
 deu um beijo tão ardente
 que o bigode pegou fogo.
 ELZA MORA

Que o natal me traga paz,
fraternidade e alegria;
que eu seja sempre capaz
de seguir a mãe Maria!
FRANCISCA DE A. RODRIGUES

Para a gente ser feliz
é preciso muita paz;
pensar sempre no que diz;
o resto, o coração faz.
GISLAINE KIKUGAWA

Nunca vi algo tão lindo,
nada tão encantador,
que a natureza sorrindo,
desabrochando uma flor!
HELENA AGOSTINHO
Brincava sempe com fogo
 minha azarada vizinha,
 namorava um pedagogo
 que era chefe de cozinha.
IVAN AUGUSTO DE ANDRADE TEIXEIRA

Vale mais, no último instante,
no acerto da redenção,
a humildade do gigante
que a prepotência do anão.
JOSÉ MARIA M. DE MIRANDA (+)

Não traz perene alegria
taça de cristal na mão!
Esse prazer não expia
as nódoas do coração!
JOSUÉ DE VARGAS FERREIRA

A luz que jamais se apaga
 no ideal da humanidade
 é o clarão que se propaga
 na chama da liberdade.
LILA RICCIARDI FONTES

No sorriso da criança
brilha um toque divinal
que lhe traz a semelhança
da pureza do cristal!
LOURDES APARECIDA CIONE

Diz a pipoca à panela:
 - Por que pulas tanto assim,
 se o fogo desta esparrela
 é todo embaixo de mim?!
MANOEL NAHAS NETO

Em que bola de cristal
eu vou ler nossos destinos,
neste mundo desigual,
neste mar de desatinos?...
MIGUEL PERRONE CIONE

Abraçadas por espinhos,
tristes cruzes nas estradas,
são saudades nos caminhos
por mãos piedosas plantadas.
NILTON DA COSTA TEIXEIRA (+)

O mundo, pleno em magia,
nossa bola de cristal,
mesmo amargo, traz poesia
aos momentos mais sem sal.
NILTON MANOEL

A sorte nasce com a gente
e faz a gente pensar
que, para viver contente,
é viver sem trabalhar.
NININHA CABRAL GUTIERREZ

Feliz quem parte da vida,
humilde nada levando,
porém, em contrapartida,
muitas saudades deixando.
ONÉSIO DA MOTA CORTEZ (+)

Todos vemos cada dia
nossa máscara mudar,
Mas o importante seria
nosso interior transformar
OTHNIEL F DE SOUZA

Ergo o cristal, já vencida,
mas a razão me renega,
quando a emoção, iludida,
bebe o vinho e a ti me entrega!
RITA MARCIANO MOURÃO

Naquele livro de outrora
aprendi nobre lição:
orar aos anjos, na aurora,
é aquecer o coração!
ROGER RODRIGO DE BRITO

Meu viver foi tão judiado,
tornando-me um infeliz...
Sou como o cristal trincado:
ninguém cura a cicatriz...
RUBENS R. RICCIARDI

Com livro para educar,
busca a escola a perfeição,
pois é preciso ensinar
e formar um cidadão.
SEBASTIANA CANGUSSU PARENTE

O livro é sabedoria,
pensamento, história e vida,
em prosa e mesmo poesia,
é a esperança revivida.
SUELI TORNICI

No cristal da fonte brilha
espelho espetacular!
E a lua cheia, andarilha,
vaidosa... vem-se espelhar...
SYLVIO RICCIARDI

Floresceu minha paixão
nesta palhoça esquecida...
e estas flores pelo chão
lembram nossa despedida.
VICENTE TEODORO DE SOUZA (+)

Tirei da rosa a pureza,
do jardim a suavidade,
das flores a singeleza,
do nosso espaço... "A saudade".
WAGNER AGNALDO BIAGINI (+)

Isidro Iturat (Arte Poética) final


4. ALGUMAS CHAVES DA FASCINAÇÃO POÉTICA 

          A fascinação poética é favorecida pelos recursos característicos da poesia –e sua combinação– que trabalham com o ritmo, a afetividade, a ideia, a sensorialidade, a imaginação, o tom e o estilo, a substituição do usual pelo insólito, os elementos que produzem catarse, sublimação, compensação, desabafo, integração dos contrários, desintegração dos contrários, aqueles que falam da memória, do aqui e agora, do futuro, da confissão, da dramaturgia, do jogo, da oração, do desafio ativo... 

           Também vemos que as diferentes sensibilidades pessoais induzem a valorizar e rechaçar umas ou outras manifestações, como no caso daqueles que se posicionam em defesa do racionalismo ou irracionalismo, da forma regular ou irregular. Mas, tanto o terceto de Dante como o surrealismo de Bretón conseguem comover sinceramente. Por quê? Uma afirmação proveniente da psicologia -da analista alemã Aniela Jaffé- pode nos ajudar, pois se trata de una ideia que alcança não apenas ao poema, mas toda a arte e que explicaria por que aspectos como pensamento e estilo, simplicidade e complexidade, tempo e espaço, realismo e irrealismo, não são suficientes para dar resposta ao dilema da fascinação e que vem a ser algo assim como a matriz do fenômeno: “A fascinação se produz quando o inconsciente foi comovido”[22]. 


5. REFERÊNCIAS

1. NABOCOV, Vladimir. Curso de literatura europea. 1ª edição. Barcelona:Zeta Bolsillo, 2009.

 2. SCHOPENHAUER, Arthur.Parerga y paralipómena. Escritos filosóficos sobre diversos temas (Cap.: Sobre la lectura y los libros). Madrid: Valdemar, 2009.

 3. NAVARRO Y TOMÁS, Tomás. Métrica española: reseña histórica y descriptiva. Syracuse: Syracuse University Press, Centro de Estudios Hispánicos, 1956.

 4, 5, 6. BALBÍN, Rafael. Sistema de rítmica castellana. Madrid: Biblioteca románica hispánica, Editorial Gredos, 1975.

7. ITURAT, Isidro. Formas del indriso. Indrisos.com. Brasil. 2009 [página na Internet].
 Disponível em:

 Acesso em: 27/10/2012.

8. BOUSOÑO, Carlos. Teoría de la expresión poética. Madrid: Biblioteca románica hispánica, Editorial Gredos, 1985.

 9. PÁVLOVICH CHÉJOV, Antón. Consejos a un escritor (Cap.: A Dmitri V. Grigoróvich, Moscú, 28 de marzo de 1886). Biblioteca Digital Ciudad Seva [página na Internet]. 
 Disponível em: 
 
 Acesso em: 27/10/2012.

 10, 12. VARELA MERINO, Elena; MOÍÑO SÁNCHEZ, Pablo; JAURALDE POU, Pablo. Manual de métrica española. Madrid: Castalia Universidad, 2003.
 Disponível em:
 .
 Acesso em: 27/10/2012.

 11, 13, 14. El rincón del haiku [página na Internet]. 
 Disponível em:
 Acesso em: 27/10/2012.

 15, 17. ITURAT, Isidro. Sobre o indriso. Indrisos.com [página na Internet].
 Disponível em: 
 .  
 Acesso em: 27/10/2012.

 16. G. BELTRAMI, Pietro. Rhythmica. Revista española de métrica comparada. (Cap.: Appunti sul sonetto come problema nella poesia e negli studi recenti). Nº 1. Sevilla: Padilla Libros Editores & Libreros, 2003.

18. RUAS BLASINA, Juliana & CAMARGO JUNIO, Volmar. A poética do poema blavino. Revista Samizdat. Brasil. 2009. 
 Disponível em: 

 Acesso em: 27/10/2012.

 19. RUIZ DE TORRES, Juan. La decilira: un taller práctico. Página personal de Juan Ruiz de Torres [página na Internet]. 
 Disponível em: .  
 Acesso em: 27/10/2012.

 20. CLOTET, Abraham. Poeta Joan Brossa [página na Internet]. 
 Disponível em:  .  
 Acesso em: 27/10/2012.

 21. Augusto de campos. Site oficial [página na Internet]. 
 Disponível em:  .  
 Acesso em: 27/10/2012.

22. JAFFÉ, Aniela. 4. El simbolismo en las artes visuales. En El hombre y sus símbolos. Concebido y realizado por Carl Gustav Jung. España: Ediciones Paidós, 1995. 

Fonte:
http://www.indrisos.com/ensayosyarticulos/artepoeticaportugues.html#4

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mário A. J. Zamataro (Carrinheiro – Ingenuidade)


Parque Tanguá (Curitiba)

CARRINHEIRO

Lá fora a chuva fina turva a luz
e molha o palco aberto onde se faz 
da hora a velha sina que conduz 
quem olha a rua incerta e o chão voraz. 

Um vulto esconde o rosto em breu capuz 
enquanto a chuva insiste em ser tenaz... 
Avulta em mim desgosto que traduz 
em pranto a chuva triste e pertinaz. 

Estia enfim e o vulto se levanta 
e leva o seu carrinho em contramão 
na via onde um insulto o desencanta 

e faz brotar nos olhos a explosão 
que torna a raiva insana e a dor maior 
na lágrima, na chuva e no suor.

INGENUIDADE 

 Quero ter a minha voz
 pra dizer abertamente
 que uma farsa aperta os nós
 e disfarça impunemente!

 E direi como é feroz,
 como faz tranquilamente
 o papel doce de algoz
 e se crê ser inocente.

 Usa a lei como sofisma,
 tem acordo com a ilusão
 pra fazer cavilação.

 Quer impor sempre o seu prisma
 e não vê nisso maldade,
 deve ser ingenuidade!

Fontes:
http://www.umavirgula.com.br/
Imagem = http://guiaturismocuritiba.com

Núbia Cavalcanti dos Santos / PE (Poesias ao Sabor das Ondas)


SEM VOCÊ

Sem você, meu amanhã
 Será como um dia nublado
 Sombrio e imensamente frio
 Aonde as lembranças vão e veem
 Trazendo com elas a saudade
De um amor que se foi.

Sem você, meu amanhã
Não terá mais aquela alegria
Que do meu olhar surgia
 Sempre que você chegava
E enchia de encanto
A minha vida vazia.

Sem você, meu amanhã
 Será sempre melancólico
E desprovido de felicidade
 Embora alimentado pela esperança
De que você virá, ao anoitecer
 Embalar os meus sonhos pueris.

VOU SAIR POR AÍ...

Vou sair por aí...
Sem rumo e sem destino
 Andar por caminhos desconhecidos
E realizar sonhos adormecidos.

Vou sair por aí...
Em busca da liberdade
Que um dia eu renunciei
Em troca de um grande amor.

Vou sair por aí...
 Lutar pela igualdade
 Entre homens e mulheres
 Entre pobres e ricos.

Vou sair por aí...
 Descobrir novos horizontes
 Quebrar tabus de velhas tradições
E deixar fluir minhas emoções.

Vou sair por aí...
 Alforriar minha saudade
 Capturar minha felicidade
E viver um grande amor.

VIDA, MINHA VIDA...

 Vida, minha vida...
Às vezes, doce como o mel;
Às vezes, amarga como o fel.
Um dia, é um sonho cor-de-rosa;
No outro dia, uma negra desilusão.

 Vida, minha vida...
 Encanto, quando chega a primavera;
 Desencanto, quando chega o inverno.
 Luz, nas noites enluaradas;
 Trevas, nas noites nubladas.

 Vida, minha vida...
 Assim, vai passando lentamente
 Como uma nuvem acinzentada
Que corta o horizonte longíquo
Nos dias tépidos de verão.

 Vida, minha vida...
 Hoje, é um sonho dourado;
 Amanhã, uma doce ilusão.
E depois, uma grande saudade
 Pungindo o meu coração.

QUANDO ESTOU COM VOCÊ

Quando estou com você
Não sinto o tempo passar
Porque a sede de te amar
Faz-me de tudo esquecer.

E é tão grande o nosso amor
Quando os nossos lábios se tocam
E os nossos corpos se encontram
Sedentos de amor.

Então, cintila a lua prateada
Rasgando o céu, na madrugada
Como se fosse um convite
Ao nosso amor sem limite.

E o nosso amor, sublime se refaz
Quando, lá no horizonte distante
Surge o sol, com o seu brilho fugaz.

 MÚSICA AO LONGE

 O meu amor por você
É como uma música vinda de bem distante
Que o vento sopra intensamente
Nas doces manhãs primaveris
Banhadas por gotas de orvalho.

Essa música traduz o meu canto triste
Que ecoa quando a brisa sopra suavemente
Levando-a pelos mares distantes
Com o inebriante perfume dos jasmins
Junto com os meus sonhos dourados.

Ouça essa música que traduz o meu lamento
De um coração que vive em tormento
Por amar você, que me embevece
E, ao mesmo tempo, me entristece
Enquanto o meu coração padece.

Venha envolver-se com o meu canto triste
Como se fosse o canto de uma sereia
Em uma noite de lua cheia
Tendo somente como testemunha
A luz resplandescente do luar
Na alva do nascente.

CONTIGO EU IREI...

Contigo eu irei...
Quando o dia raiar
E no horizonte despontar
Os primeiros raios do sol.
E vã não será a tua alvorada
Porque eu habitarei no teu coração
Podarei a árvore da saudade.
E plantarei a árvore da felicidade.

Contigo eu irei...
Quando o sol desaparecer
No infinito horizonte
Deixando seus raios dourados.
E vã não será a tua jornada
Se algo vier a bloquear teu caminho
Porque eu vou estar ao teu lado
E ultrapassaremos todos os obstáculo.

Contigo eu irei...
Quando a noite chegar
E no Universo surgir
O luar majestoso.
E vão não será o nosso amor
Porque ele é tão imenso e tão intenso
Quanto às estrelas reluzentes
Bordando a vastidão do Universo.

SOLIDÃO

Sentada à beira da praia
Ouvindo o murmúrio das ondas
Batendo contra os rochedos
Olho para o céu e vejo uma gaivota
Que voa solitária
Cruzando o universo vazio.

E assim, como aquela gaivota solitária
Eu também estou sozinha
Pensando no amor que um dia eu tive
E que foi embora, sem dizer adeus
Deixando-me assim sozinha
Com o coração amargurado.

REENCONTRO

Foi apenas um olhar, um sorriso...
E todo o passado renasceu
Das cinzas de outrora
Como se o tempo não tivesse passado
E um grande amor não tivesse sido
Deixado para trás.

O desejo, enfim, aflorou
Reascendendo a chama da paixão
Que até então, estava adormecida
Como se esperasse a sua volta
E, como em um passo de mágica
O amor, em meu coração, floresceu.

Mas, você foi embora
Desfazendo as ilusões e esperanças
E levando consigo os meus sonhos dourados
De ter você novamente
Sempre ao meu lado
Recuperando o tempo perdido.

E, quando eu já não tinha mais esperança
De te reencontrar novamente
Você me telefona
E diz que nunca me esqueceu
E que eu estarei sempre em seu coração
Apesar de estarmos separados.

DIAS DE PROFUNDA MELANCOLIA

Hoje, ao despertar de um sono agitado
 Povoado por sonhos conturbados
 Abri as janelas da minh'alma
 E deixei que uma réstia de luz entrasse
 Diminuindo a solidão cruel
 E a aflição ímpar Que do meu ser tomava conta.

Senti a brisa suave da manhã
 Que adentrava pela porta entreaberta
 Trazendo o perfume inebriante das flores
 Que desabrochavam lentamente
 Formando um imenso tapete colorido
 Acariciadas pelos primeiros raios solares
 Que despontavam com a chegada da primavera.

Lá fora, o tempo corria ao léu
 Transformando os segundos em minutos
 Os minutos em longas horas
 E as horas em dias de profunda melancolia
 Enquanto que eu, do mundo me escondia 
 Tentando fugir da angústia e da solidão
 Causadas por um amor que só me trouxe dor.

TRIBUTO

Caminho na noite silenciosa
Onde se ouve apenas o rumor
Das folhas das árvores
Que se agitam com o vento.
Angustiada, caminho
Caminho com passos lentos e silenciosos
Para não perturbar a paz
Que se faz presente.

Caminho e penso...
Penso em você...
Penso em mim...
Penso em nós...
Caminho e choro...
Choro com saudades de você
E, sem entender, me pergunto,
Por que o destino foi tão cruel conosco?

Colho algumas flores silvestres e paro
Porque minha caminhada chegou ao fim
E, à minha frente, há apenas um túmulo
Onde eu me curvo e deposito as flores.
De volta, percorro o mesmo caminho.
Tudo continua igual
Apenas uma estrela surge no horizonte
Tornando o silêncio maior ainda.

Fonte:
http://www.tabacultural.com.br/nubiacavalcantidossantos.htm
http://nubia1962.blogspot.com.br 

Núbia Cavalcanti dos Santos (1962)


Núbia Cavalcanti dos Santos nasceu em 17 de junho de 1962, no município de Sanharó, uma pequena cidade do interior de Pernambuco.

É funcionária pública, formada em Ciências Físicas e Biológicas, pela FABEJA - PE.

Herdou da bisavó materna a paixão pela literatura, de acordo com informações obtidas por sua mãe e suas tias. 

Escreve poesias desde os quinze anos de idade. 

No ano de 2003, teve algumas dessas poesias divulgadas em uma Revista Mensal, Intitulada Revista de Sanharó. 

Em setembro de 2010, participou do XXXII Concurso Internacional Literário/SP, das Edições AG, e obteve o sexto lugar, com as poesias Muito além de um sonho e Um velho diário, publicadas na Antologia do livro “Noturno”.

 No ano de 2011, participou do Grande Concurso Cidade do Rio de Janeiro/RJ, com as poesias Reencontro, Solidão e Tributo, publicadas na Antologia “Poesia e Prosa no Rio de Janeiro”. 

No Concurso Quem Sabe Faz Agora/RJ, classificou- se com as poesias Sem você, Vou sair por aí... e Vida, minha vida.... 

Mais uma vez, obteve o quarto lugar  no XXXIII e XXXIV Concurso Internacional Literário/  SP, das Edições AG, com as poesias Amanhã, sem você e Um novo recomeço, publicadas na Antologia do livro “Amanhã, outro dia”; e Insônia e Boneca de Trapo, publicadas na Antologia do livro “Liberdade”. 

No 13º Concurso de Poesia 2011, da Biblioteca Popular de Afogados - Recife/ PE, classificou-se com as poesias Doce infância e Borboletas, ficando entre as cinqüenta selecionadas, que foram publicadas em Antologia no ano. 

No V Concurso Crônica e Literatura - Uberlândia/MG: Prêmio Literário Ferreira Gullar, ficou entre os cem classificados, com a poesia Escrava do medo, que fez parte da Antologia “Emoções Repentina - Volume III”, com publicação em fevereiro. 

Também participou das Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos, pela CBJE, volumes 78, 79, 80, 81, 82 e 83, 84 e 85, com as poesias Eterno amor, Sonhos desfeitos, Razões do coração, Pai, Inspiração, Insônia, Foram tantas as vezes... e Lá se vai a madrugada, todas classificadas. 

Através dos Concursos Literários procura divulgar suas poesias. 

Blog:  http://nubia1962.blogspot.com 

Fonte:
http://www.tabacultural.com.br/nubiacavalcantidossantos.htm

3.º Concurso de Quadras Populares/2012, do Clube da Simpatia.(Resultado Final)



Tema - ROSA/ROSAS

1.º PRÉMIO

Dentre as flores de Jardim,
solitárias ou aos molhos,
é a rosa, para mim,
a “menina” dos meus olhos…

Deodato Pires - Portugal
***

2.º PRÉMIO

Olho a mãe com seu bebê,
vejo mais que um quadro lindo;
vejo, em verdade, um buquê
com duas rosas sorrindo!

Antonio Augusto de Assis - Brasil
***

3.º PRÉMIO

Nos seus ardentes amores,
consegue sempre o que quer:
rosa - a rainha das flores...
Rosa - a rainha mulher!

Emilia Peñalba de Almeida Esteves - Portugal
*** 

4.º PRÉMIO

Num lodaçal despontou
um pé de rosa encarnada...
Nem por isso ela deixou
de ser rosa perfumada!

Dalva de Araujo - Brasil
***

5.º PRÉMIO

Em meu jardim planto rosas
para que alegrem meus dias,
e como são tão formosas
me inspiram doces poesias!

Ángela Desirée Palacios - Venezuela
***

MENÇÕES HONROSAS

Essas rosas que fenecem
enfeitando covas nobres
são as mesmas que florescem
em jardins de casas pobres.

Olympio da Cruz Simões Coutinho - Brasil
***

Navegando em mar de rosas
aos teus braços aportei;
foi das coisas mais formosas
esse porto onde atraquei!

Fernando Máximo - Portugal
***

O mais hábil jardineiro,
numa inspiração famosa,
fez nascer no seu canteiro
um lindo botão de rosa!

Maria Aliete Cavaco Penha - Portugal
***

Rosas... as rosas não falam
mas deixam sua energia,
pois no perfume que exalam
expressam sua alegria!

Nair Lopes Rodrigues - Brasil
***

... Quatro letras que são cor,
... Que são mulher e formosa,
...que são frescura de flor,
quando se soletra... Rosa!

Maria Ruth Brito Neto - Portugal
***

Ornamentando as janelas,
na mais perfeita harmonia,
vicejam rosas singelas,
numa choupana vazia.

Sônia Maria Sobreira da Silva - Brasil
***

As rosas da natureza
quando contigo cruzaram
ao ver a tua beleza
envergonhadas murcharam. 

Isidoro Cavaco - Portugal
***

Jardineiro apaixonado,
com doze rosas num ramo
eu te mando o meu recado:
cada rosa diz, eu te amo!

Izo Goldman - Brasil
***

Escrevo, a sangue, a mensagem
para no espinho prender:
"'És uma rosa selvagem
que um dia eu hei de colher!"

Renata Paccola - Brasil
***

Na natureza escondida,
como eximia fiandeira,
no verde tece uma vida
o rosa da cerejeira.

Lucia Sertã - Brasil

Fonte:
http://clubedasimpatia.blogspot.com

Olivaldo Junior (Uma Rosa)


Era uma vez uma rosa que não era rosa. Eu explico: era uma rosa vermelha. Dona de um jardim só dela, não se via nada humilde, nem fazia questão de ser. Nadava em cravos e pousava em flores menos “pop”. Pode ser que tivesse, lá no fundo de suas pétalas, um pouco de humildade, mas não se via mesmo nada que a pudesse salvar. O orgulho é um grande abismo entre a beleza e o dia a dia, pois nem sempre é primavera.

Julgando-se eterna, uma rosa começou a murchar. Já não tinha o mesmo rubro nas bordas, e o verde no caule que a sustinha já nem dava bandeira. As margaridas, bem mais fortes que ela, madrugadoras, já cochichavam, quando a rosa acordou. Era uma rosa preguiçosa e, mais que isso, dormia para ver se a beleza a impregnava de novo com seu rastro de estrela, com seu porte de estátua que não é de mármore, mas se martiriza.

Feinha, com as pétalas por desabar, viu-se nas mãos de uma senhora que passava defronte ao jardim da casa em que morava. Desesperada, viu a porção de cravos envoltos em pobres margaridas, todos lhe dizendo adeus do canteiro em que estavam. De que havia valido a uma rosa tanta pose? A pobre, quase sem pétalas, sem caule, acabou assim, no cemitério mais próximo, dando vida a um túmulo, em preto-e-branco.

Fonte:
O Autor