sexta-feira, 3 de abril de 2026

Silmar Bohrer (Croniquinha) 156


Era uma tarde úmida, fechada, fria. Horizontes velados. Já me preparava para o trecho da caminhada. Mas... saio para a rua olhar o céu e eis que vejo uma imagem legitimamente preta para os lados do sul do mundo. Foi-se o trecho hoje. Pensei que o mundo iria desabar. Não desabou. Então pude utilizar pela primeira vez neste ano a palavra que criei há tempo e que uso nestas condições: negro-ror-negrume.

Felizmente chegou apenas uma chuvinha serena, sem ventos, chuva céu-andante de outono.

Daqueles sustos que passamos na vida em tantos momentos, mas parecem ser amostras de que nossos caminhos pela existência têm instantes, horas ou dias que parecem nos pôr à prova de alguma coisa.

Tempos negros na atmosfera, tempos escuros nalguns dias, são nuvens passageiras que transitam existências carregadas de incertezas. Como existem as pandelícias, os pandemônios medram em proporções idênticas - temporais, céus azuis, espinhos e flores, o bom e o mau, pedras e urzes, o bem e o mal...

Dualidades que fazem parte dos sabores do viver.
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Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Aposentado da Caixa Econômica Federal há quinze anos, segue a missão do seu escrever, incentivando a leitura e a escrita em escolas, como também palestras em locais com envolvimento cultural. Criou o MAC - Movimento de Ação Cultural no oeste catarinense, movimentando autores de várias cidades como palestrantes e outras atividades culturais. Fundou a ACLA-Academia Caçadorense de Letras e Artes. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras. Editou os livros: Vitrais Interiores  (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).

Texto enviado pelo autor. 
Imagem criada com IA Microsoft Bing usando a foto do autor