Ele reinava garboso ali no outro lado da rua, junto ao terreno vago, sempre agitando seu verde. Certa noite um vento mais forte no outono quebrou um galho grosso, sendo ele uma das estruturas do pé de mamona crescendo altaneiro.
De manhã abro a porta e vejo parte do tronco, aquele galho, tortinho na vertical. Quebrado. Lamentei, não gostei, até fiquei triste. Estava linda a roupagem do pé de mamona.
Passaram-se dois dias e então cortei a parte que já secava. Disse a mim mesmo, vou esperar, logo mais estará com uma galhada nova.
Outros quinze dias, eis senão quando olho ao lado da cerca vizinha e enxergo o pé de mamona novamente cheio, verdejante, ao sabor da brisa da tarde.
Exultei lembrando da nossa Cecília Meireles num dos seus versos, "Se me cortarem um braço, eu cresço do lado...".
Fiquei ainda com a memória daquele dito popular de que muitos não acreditam – "Há males que vêm para o bem".
Eu sempre acreditei. E você?
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Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Aposentado da Caixa Econômica Federal há quinze anos, segue a missão do seu escrever, incentivando a leitura e a escrita em escolas, como também palestras em locais com envolvimento cultural. Criou o MAC - Movimento de Ação Cultural no oeste catarinense, movimentando autores de várias cidades como palestrantes e outras atividades culturais. Fundou a ACLA-Academia Caçadorense de Letras e Artes. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras. Editou os livros: Vitrais Interiores (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Fontes:
Texto enviado pelo autor.
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