domingo, 12 de abril de 2026

A. A. de Assis (Noventa e três anos)


Fico até espantado só de pensar que 7 de abril, completei 93 anos, quase um século de permanência neste planetinha. Em janeiro completei também 71 anos de residência em Maringá e 68 de casamento com Lucilla.

Nasci num lugar chamado Bela Joana, na região montanhosa do município de São Fidélis-RJ, onde meu pai cultivava café, feijão, milho, mandioca e frutas. Com 8 anos, fui mudado para a cidade, a fim de continuar os estudos iniciados numa escolinha rural, mas continuei a passar as férias na roça.

Lá eu tinha uns poucos amigos: dois sobrinhos da minha idade – Paulinho Fernando e José Augusto, e os filhos dos sitiantes vizinhos – os gêmeos Renan e Renato, o Antônio do Arquimedes, o Jacy de Dona Davina.

A gente inventava um monte de brinquedos, porém era proibido caçar passarinhos. Meu pai não nos permitia usar estilingues, nem arapucas. Para compensar, formou um pomar atrás de nossa casa e entre as árvores colocou umas caixas onde punha alpiste, canjiquinha e outros alimentos. Com isso atraía pássaros de toda espécie: azulões, sabiás, coleirinhos, melros, pica-paus, periquitos, juritis, saíras. Era o dia inteiro aquela cantoria.

Costumo pensar que os passarinhos foram meus primeiros professores de poesia. Eu ficava horas no pomar observando a movimentação deles e ouvindo os seus gorjeios. Alguns eram mais achegados, me conheciam e vinham até pousar nas minhas mãos.    

A infância e adolescência envolvidas nesse ambiente silvestre me deixaram marcas fortes. Quando vim para Maringá, nos primeiros tempos gostava de ir nos domingos ao Horto Florestal matar saudade. Era o jardinzão onde a população pioneira tomava banho de sol, fazia piquenique e as crianças se divertiam.

Mas os anos passaram, a vida rapidamente urbanizou-se, o contato com a natureza foi rareando. De vez em quando a gente escuta ainda o canto de um sabiá. Porém o cheiro e os sons primitivos da roça e do mato nunca mais serão os mesmos.

(Crônica publicada no Jornal do Povo)
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A. A. de Assis (Antonio Augusto de Assis), (93), poeta, trovador, haicaísta, cronista, premiadíssimo em centenas de concursos nasceu em São Fidélis/RJ, em 1933. Radicou-se em Maringá/PR desde 1955. Lecionou no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá, aposentado. Foi jornalista, diretor dos jornais Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná e das revistas Novo Paraná (NP) e Aqui. Algumas publicações: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 vol. (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de trovas; Tábua de trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guaíra (história), etc.

Fontes:
Texto enviado pelo autor.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing