(o autor é de Montvidéu/ Uruguai)
(tradução do castelhano por JFeldman)
Chovia suavemente. O aroma de jasmim invadia o quarto dos fundos, onde Gardel cantava num rádio que estava sempre ligado.
Por uma dessas reviravoltas da política, ele fora eleito Presidente da República: é simplesmente muito difícil explicar como algo assim pôde acontecer. Ela, por sua vez, estava ao seu lado como sempre estivera. Serviu-lhe mate e colocou mais biscoitos no prato de melamina verde.
Desfrutavam de um momento de paz. Era raro o telefone não tocar ou alguém não bater à porta para lhes pedir alguma coisa. Até Dom Ángel, o policial de serviço na entrada, lhes piscara o olho, pedindo "um lugarzinho".
"A verdade é, Ernestina, que tenho medo de cometer um erro", disse Ferdinando, apelidado de Cerdinando pelos jornalistas mais insidiosos e populares, ao notar que ele estava um pouco acima do peso; Eram os mesmos jornalistas que tinham forçado todos os outros a se demitirem, e agora tinham que aturar essa, que não lia jornais, não assistia aos noticiários e não entendia as indiretas.
"Bem, gordinho, o que você quer que eu diga?", respondeu ela, seu olhar bovino percorrendo a toalha de mesa de plástico coberta de migalhas e marcas em forma de ferradura deixadas por copos pousados sabe-se lá quando. "Só cometa erros, não tenha medo.”
Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing