AMÉRICO FERRER LOPES
Queluz/Portugal
Eva.. esse anjo encantador
que em pecados se desdobra,
fez do Adão um pecador
e diz... "A culpa é da cobra"!
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Poema de
BENJÚNIOR
(Benevides Garcia Barbosa Júnior)
Porto União/SC
Grito de estrelas
"Um grito de estrelas vem do infinito
E um bando de luz repete o grito.
Todas as cores e outras mais
Procriam flores astrais.
O verme passeia na lua cheia"...
Hoje estou com vontade diferente
de ser outra gente
de outro bando e lugar.
Estou com vontade de andar
caminhar [vagar, voar,]
ser infinito
enquanto posso...
Quero libertar de
minhas janelas,
e conhecer a imensidão
dos amanhãs, que
são forjados
nas oficinas do tempo,
que ficam escondidas
em lugar nenhum.
Quero escapar,
dos caminhos que existem
dentro das coisas transparentes,
que refletem os cansaços
e as indecisões.
Quero viver a vida
em "slow motion"
no abrigo
dos corações invertidos,
pintados como trens
que de repente param
em nenhuma estação...
E assim,
como do fundo da música
brotam as notas
que, ora são lembranças,
ora esperanças,
emudeço o grito,
na pauta do silêncio
e da amargura...
E quando a noite vier,
cantarei alguma coisa
pra dormir,
no silêncio das paredes,
que refletem fantasmas
de minha alma...
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Aldravia de
MARILZA DE CASTRO
Rio de Janeiro/RJ
sonhar
só
no
mar
salga
ideia
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Soneto de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/Portugal
No dia da tua morte choveu
“No dia da tua morte choveu”
Como se este céu fosse o confidente
Das coisas que não contavas à gente
E soubesse o que o teu peito sofreu.
Com o desgosto o céu se escureceu
E a chorar fez questão de estar presente
Nessa hora em que te fizeste ausente
E essa pura amizade se fendeu.
A chuva molhou todo esse caminho
Por onde te levaram, com carinho
À última morada que terás.
Limpam-se as longas lágrimas terrenas
Que ao fim de tantas lutas, tantas penas
Tu, finalmente, vais viver em paz.
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Trova de
JORGE FREGADOLLI
(Maringá/PR)
Feliz quem desde menino,
pela boa educação,
do trabalho faz um hino
e da vida uma canção!
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Poema de
ADAIR DE FREITAS
Santana do Livramento/RS
“Meu canto tem cheiro de terra e pampa”
Meu canto não conhece desencanto
Vem peleando a tanto tempo
Mas não cansa de pelear
Hoje já se ouve a ressonância
Dessa voz de peão de estância
Conquistando seu lugar
Meu canto, se quiser eu te ofereço
Pois ninguém me bota preço
Quando não quero cantar
Meu canto, companheiro, não se iluda
É como um cavalo de muda
Que cansou de cabrestear
(Meu canto tem cheiro de terra e pampa
É um andejo que se acampa
Tendo o mundo por galpão
Grita pra que o mundo inteiro ouça
É raiz de muita força
Rebrotando deste chão)
Meu canto, não é mágoa, não é pranto
Nem passado, nem futuro,
Que o presente é mais verdade
Hoje o amanhã não me fascina
Tenho o ontem que me ensina
Mas não vivo de saudade
Canto nesta terra onde me planto
Mas não pise no meu poncho
Que eu empaco e me boleio
Canto pra pedir mais igualdade
Quem não gosta da verdade
Que se aparte do rodeio
(Meu canto tem cheiro de terra e pampa
É um andejo que se acampa
Tendo o mundo por galpão
Grita pra que o mundo inteiro ouça
É raiz de muita força
Rebrotando deste chão)
Canto, e minha voz quando levanto
Não traz ódio nem maldade
Coisas que não sei sentir
Não que seja mais que qualquer outro
Nem mais touro, nem mais potro,
Se disser eu vou mentir
Peço pra quem julga e dá conceito
Que esqueça o preconceito
E me aceite como sou
Manso como água de cacimba,
Mas palanque que não timbra
Porque o tempo enraizou
(Meu canto tem cheiro de terra e pampa
É um andejo que se acampa
Tendo o mundo por galpão
Grita pra que o mundo inteiro ouça
É raiz de muita força
Rebrotando neste chão)
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TROVA POPULAR
Os olhos de meu benzinho
são joias que não se vendem,
são balas que me feriram,
são correntes que me prendem.
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Soneto do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN
Entardecer
Morre a tarde!... E, na dor do Sol poente,
há uma nesga de luz e nostalgia,
separando, de forma displicente,
os encantos e a dor do fim do dia!
Ante o drama sem volta e tão dolente,
ouço, ao longe, uma voz que me assedia;
é a de um sino que tange, lentamente,
os suspiros finais da Ave Maria!
Nesse instante, eu me sinto até covarde;
me envergonho, ante a dor do fim da tarde,
mas encaro de frente e olhos abertos…
E à distância, no olhar da eterna luz,
eu percebo dois braços numa cruz,
rodeados de luz entre os libertos!
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Trova de
OLYMPIO DA CRUZ S. COUTINHO
Belo Horizonte/MG
O livro é qual luz do sol,
luz que a todos ilumina;
Na escuridão, um farol
que o claro caminho ensina.
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Soneto de
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ
Exaltação Ao Amor
Sofro, bem sei...Mas se preciso for
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrela alcançar...colher a flor...
Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco, talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor...com o meu Amor!
Nada me impedirá que seja meu,
se é fogo que em meu peito se acendeu,
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...
Deus o pôs...Ninguém mais há de dispor...
Se esse amor não puder ser meu viver,
há de ser meu para eu morrer de Amor!
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Trova de
ADELMAR TAVARES
Recife/PE, 1888 – 1963, Rio de Janeiro/RJ
Saudade - doce transporte
da alma adejante e ferida...
- É viver dentro da morte!
- É morrer dentro da vida!
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Glosa de
GISLAINE CANALES
Herval/RS, 1938 – 2018, Porto Alegre/RS
Sonhador e peregrino
MOTE:
Bem feliz vive o poeta,
peregrino e sonhador,
luzeiro que se completa
no sonho do trovador.
Vidal Idony Stocker
Castro/PR, 1924 – 2014, Curitiba/PR
GLOSA:
Bem feliz vive o poeta,
pleno de amor e emoção,
pois sua musa secreta
mora no seu coração!
Segue em frente, noite e dia,
peregrino e sonhador,
na bagagem, a poesia
lhe dissipa qualquer dor!
Tem em sua alma de esteta
um não sei que tão bonito,
luzeiro que se completa
como uma luz do infinito!
Segue assim, o seu caminho,
atapetado de amor,
colocando o seu carinho,
no sonho do trovador.
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Trova de
BASTOS TIGRE
Recife/PE, 1882 – 1957, Rio de Janeiro/RJ
Dos versos os mais diversos
já fiz: muita gente os lê…
Mas “poesia” há nos versos
que eu fiz pensando em você.
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Soneto de
VANDA FAGUNDES QUEIROZ
Curitiba/PR
A cor da minha tristeza
A tristeza em meus suspiros tão frequente,
não lhe vês o ar de órfã desolada,
não entendes sua voz — brado silente,
não lhe dás nunca razão, nem cor, nem nada..,
E ela tem, nítida, a cor do riso ausente...
É triste andante de faces desbotadas,
tem a cor dos pés descalços, do inclemente
abrigo sujo ostentado nas calçadas.
Tem a cor do pranto, alheio, sofre o espinho
que a tantas flores impede de brotar.
Tem a cor da nulidade de um caminho
que — acaso existe? — ninguém logra alcançar:
a cor de um mundo de risos tão mesquinho,
tão farto em dor, que dá cor ao meu penar...
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Trova de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP
À mensagem não me rendo…
Não abro… não quero ler…
Para não ficar sabendo
o que eu finjo não saber.
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Poema de
IVY MENON
Maringá/PR
O Poema
O Poema jorra pétalas brancas
Rosas brancas, pálidas de espanto
ao vento, asas arremessadas, livres
pelo ar.
O Poema surpreendente doçura
mistura mel e terra, fruta-do-conde
Laranja craveira, sorva gomo a gomo
O Poema brota morno, doido
aos borbotões as lágrimas de gozo
inundam as mãos, ávidas mãos.
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Haicai de
DOMINGOS PELLEGRINI
Londrina/PR
Tantas vezes fiz
este mesmo trajeto,
nunca foi o mesmo.
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Ramalhete de Trovas de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE
"Café" da madrugada!
É noite, e a brisa do sono
sopra, mansa e sorrateira;
em seus braços me abandono,
enroscado, a noite inteira!
Antes do quebrar da barra,
ao canto do caboré,
sussurrando, ela me agarra,
dizendo: hora do café!
Despertando, reparei
a "louça" já preparada
em nossa cama, e tomei
o "Café" da madrugada!
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Hino de
OURO PRETO/ MG
Em cada aresta de pedra
Uma epopeia ressoa
Na terra formosa e boa
Onde a grilheta não medra
A terra, que um cento de anos
Três vezes viu passar
Possui dos ouropretanos
Em cada peito um altar
A névoa que cobre a rocha
Do mais brando e puro véu
Quando a manhã desabrocha
É um beijo que vem do céu
Os fatos de Vila Rica
Lembram raças titãs
Cuja memória nos fica
Para os mais nobres afãs
Guarda o seio das montanhas
Os áureos filões mais ricos
Contempla os altos picos
Das laceradas entranhas
Protege, Deus, estes lares
Dos filhos dos bandeirantes
Por estas serras gigantes
São outros tantos altares
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Ouro Preto: Uma Epopeia de Pedra e História
O 'Hino do Município de Ouro Preto' é uma celebração poética e histórica da cidade mineira, conhecida por sua rica herança cultural e importância no período colonial brasileiro. A letra da música exalta a beleza natural e a grandiosidade histórica de Ouro Preto, destacando a resistência e a bravura de seus habitantes ao longo dos séculos. Cada 'aresta de pedra' mencionada na canção simboliza as inúmeras histórias e lutas que ressoam na cidade, um lugar onde a 'grilheta não medra', ou seja, onde a opressão não prospera.
A canção também faz referência ao espírito dos ouropretanos, que carregam em seus corações um altar de devoção à sua terra natal. A névoa que cobre as rochas ao amanhecer é descrita como um 'beijo que vem do céu', uma metáfora que sugere a bênção divina sobre a cidade. A letra remete aos tempos de Vila Rica, antigo nome de Ouro Preto, e às 'raças titãs' que construíram sua história, preservando suas memórias para inspirar futuras gerações.
Além disso, o hino destaca a riqueza natural da região, com seus 'áureos filões mais ricos' escondidos nas montanhas. A letra pede a proteção divina para os lares dos descendentes dos bandeirantes, os desbravadores que exploraram o interior do Brasil. As 'serras gigantes' são vistas como altares, reforçando a ideia de que a natureza e a história de Ouro Preto são sagradas e dignas de reverência. O hino, portanto, é uma ode à resistência, à beleza natural e à herança cultural de Ouro Preto, celebrando sua importância no cenário histórico e cultural do Brasil. https://www.letras.mus.br/hinos-de-cidades/1789134/
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Poetrix de
ANTONIO CARLOS MENEZES
Recife/PE
Melancolia
à beira do rio
sou pássaro que canta
em lugares sombrios.
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Trova de
A. A. DE ASSIS
(Antonio Augusto de Assis)
Maringá/PR
Feliz o povo que pensa
e que se expressa à vontade.
Onde amordaçam a imprensa
morre à míngua a liberdade.
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Conto em Versos de
ARTHUR DE AZEVEDO
Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo
São Luís/MA, 1855 – 1908, Rio de Janeiro/RJ
Escola dos velhos
O Próspero Pimenta
Passava dos cinquenta,
Quando encontrou na vida
A mulher longamente apetecida
Entre sonhos, visagens e quimeras.
Ela contava apenas
Dezoito primaveras,
E era a mais deliciosa das morenas.
Ele encontrou-a, por acaso, um dia
Em que um novo dilúvio parecia
Desabar sobre a terra, e atencioso,
Ofereceu-lhe o braço e o guarda-chuva,
Que é, quando chove, rufião precioso.
Levou-a para casa. A sua vida
Ela contou-lhe muito comovida:
Tinha sido casada, era viúva.
Já viúva? É verdade!
Andava o dia inteiro na cidade,
Procurando um emprego...
Um destino... um aconchego...
O Próspero Pimenta era solteiro;
Tinha muito dinheiro
E um palacete mobilado tinha;
Por isso, a viuvinha
Ali ficou de casa e pucarinha.
Ele amou-a deveras;
Não era um homem gasto,
Um coração cansado que repasto
Outrora fosse de paixões violentas;
Ele podia ainda
Perpetuar a raça dos Pimentas,
Levar longe o seu nome;
Mas aquela menina ingênua e linda,
Se a imperiosa fome
De um exigente amor satisfazia;
Estranha sensação lhe produzia;
Ele ficava contrafeito quando,
Os seus lábios de púrpura beijando,
O doce mel do amor neles sorvia;
E pensava: — Estou velho, e certamente
Só me tolera porque sou, não rico,
Mas solícito, bom, condescendente;
Sinto que a sacrifico,
A consciência diz-me que a deturpo,
E o lugar de outro, menos velho, usurpo.
Ora, um dia, o Pimenta
Foi avisado de que a sua amante,
De amor faminta e de prazer sedenta,
Tinha um amante que não era ele,
E pilhou-a em flagrante,
Furioso — meu Deus! Que dia aquele! —
Ia fazer escândalo e alvoroço,
Quando caiu em si, vendo que o moço
Com quem ela o enganava,
Nem trinta anos contava
E era um rapaz bonito;
Não lhe faltava nem um requisito
Para ser dela amado
— Afinal, tens razão, disse o coitado,
Quem não a tem é o meu amor absurdo,
Que me fez cego e surdo.
Amai-vos, pois, meus filhos,
Amai-vos à vontade!
Eu não ponho empecilhos
À vossa felicidade! —
E fez mais o Pimenta:
Dotou a viuvinha com quarenta
Contos de réis, e o belo moço amado
(Grande pulha!) com ela está casado.
Nasceu-lhes um filhinho,
E o Pimenta foi logo convidado
Para ser o padrinho.
(convertido para o Português atual por José Feldman)
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