domingo, 15 de novembro de 2009

Prêmio Portugal Telecom de Literatura vai para o brasileiro Nuno Ramos


Vencedor, escolhido de uma lista de dez finalistas, ganha R$ 100 mil. Anúncio foi feito esta terça-feira em São Paulo.

A edição 2009 do Prêmio Portugal Telecom de Literatura teve como primeiro classificado o escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro de narrativas poéticas Ó. A cerimônia de entrega decorreu terça-feira à noite em São Paulo e marcou o culminar de um processo de seleção que levou mais de sete meses, partindo de 501 títulos inscritos.

O segundo classificado foi João Gilberto Noll, com "Acenos e Afagos". Em terceiro lugar ficou Lourenço Mutarelli, por "A Arte de Produzir Efeitos Sem Causa".

Oito romances, um livro de contos e um de poesia concorriam aos prêmios. O Prêmio concede R$ 100 mil ao primeiro colocado, R$ 35 mil ao segundo e R$ 15 mil ao terceiro.

Da lista de finalistas anunciada a 16 de setembro no Consulado de Portugal em São Paulo faziam parte dez autores, vários deles com nome consolidado no panorama literário da lusofonia. Foram classificados livros dos escritores brasileiros João Gilberto Noll, Nuno Ramos, Lourenço Mutarelli, Eucanaã Ferraz, Silviano Santiago e Maria Esther Maciel e dos escritores portugueses António Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, José Luis Peixoto e Inês Pedrosa.

Alguns destes autores já tinham chegado antes à etapa final desta premiação literária. Casos de Lobo Antunes, segundo classificado no ano passado, com "Eu Hei de Amar uma Pedra", Silviano Santiago, segundo lugar em 2005 com "O Falso Mentiroso" ou Gonçalo M. Tavares, vencedor da edição de 2004, com "Jerusalém".

As 10 obras finalistas foram selecionadas por onze jurados e quatro curadores que, em votação individual, também elegeram o júri final.

Escritor e artista

Narrativas entre a poesia e o pensamento, na definição do próprio autor, Ó reflete a inquietação de Nuno Ramos, 48 anos, nascido em São Paulo, escritor e artista plástico. Dele, os leitores podem também conhecer Cujo e O pão do corvo.

De acordo com a crítica literária, os contos de Ó não seguem modelos padrões. Em entrevista a Rogério Pereira e Vitor Mann, publicada no jornal literário Rascunho, Nuno Ramos diz que Ó não é um livro de contos.

"Penso nele como um misto de poesia com ensaios amalucados, entremeados por cantos, elegias, que aparecem em itálico. O que me guiou de início foi uma voz que pensa as coisas e as comenta, à Emerson ou à Montaigne. Claro que outras vozes foram surgindo, às vezes narrativas inteiras, com personagens e tudo, mas tenho a impressão de que a voz dominante quer falar das coisas, do mundo, quer tratar dos assuntos mais diversos. Se eu pudesse escolher, diria que o Ó está em algum lugar entre a poesia e o pensamento".

E sobre o estado das artes plásticas? "O problema insolúvel da arte, e sua verdadeira morte, chama-se arte ruim, fenômeno difícil de definir e presente à larga em feiras de arte ou megaexposições, como a Bienal de Veneza ou de São Paulo. Mas não é com críticas genéricas ao contemporâneo que a gente vai se livrar dela. Há, claro, arte ruim (e muita) na produção contemporânea, mas como em qualquer outra época - apenas o tempo não fez ainda a sua seleção", diz o artista na mesma entrevista.

Fonte:
http://www.portugaldigital.com.br/

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