segunda-feira, 27 de julho de 2026

Asas da Poesia * 206 *

Imagem criada com IA Microsoft Bing

Trova de
LUIZ POETA
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ

Fazer trova? Que alegria!
É poesia que se injeta
na veia da fantasia
da inspiração do poeta.
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Poema de
JOSÉ FELDMAN
Floresta/PR

Vivendo um Mundo de Ilusões

Viver num mundo feito de quimeras,   
onde o real não pode me alcançar,   
é construir castelos e esferas,   
que o vento insiste em sempre derrubar.   

Os olhos veem o que o coração deseja,   
a vida veste o ouro que não tem,   
e cada sonho, ainda que fraqueja,   
transforma a dor em algo que vai além.   

No palco falso de brilhos e miragens,   
eu danço, leve, sem medo de cair,   
pois, mesmo sendo frágeis as paisagens,   
há liberdade em poder fingir.   

As ilusões são doces, mas traiçoeiras,   
prometem tudo e nada vão deixar,   
e quando caem, deixam suas poeiras,   
que um coração ferido vai guardar.   

Mas, se o real é duro e tão escasso,   
prefiro a máscara que posso usar,   
pois, entre enganos, vivo e faço o passo,   
de quem só quer o sonho habitar.   
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Poema de
ÓGUI LOURENÇO MAURI
Catanduva/SP

Vigie seu verbo!

Precavenha-se da ação irrefletida,
deixe de maledicência contumaz;
esta, tão danosa no marchar da vida,
de você um mau-caráter ela faz.

Policie o pensamento com rigor,
analise o que você tem a dizer.
Por palavras, que não seja um infrator;
tenha calma, Deus ajuda a proceder.

Fale manso quando for dialogar, 
que seu tom de voz não seja uma barreira;
se a concórdia sempre nos cabe buscar,
por que não o fazer da melhor maneira?

Não se inflame e se contenha na eloquência,
o silêncio muitas vezes ganha a luta;
vencedor sai quem, com múltipla frequência,
fica mudo no calor de uma disputa.

Persevere com seu gênio agradável,
pois má índole só causa desatino.
Tenha em conta que um caráter responsável
traz sadia formação em seu destino.
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Trova de
PAULO CEZAR TÓRTORA
Rio de Janeiro/RJ

O meu tristonho poente
transformou-se em paraíso,
quando encontrou, de repente,
a aurora do teu sorriso.
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Soneto de
JERSON BRITO
Porto Velho/ RO

Mágico portal

Cintilam fagulhas na grande cortina 
que tem pendurado vistoso pingente
e bailam chumaços, a brisa envolvente 
desenha nos ares moldura divina.

A luz que atravessa a vidraça ilumina 
o riso marcado no rosto inocente,
transforma a janela em portal novamente,
o quadro resplende envolvido em neblina.

Assim, o bordado de estrelas e lua
enfeita o infinito, fascina, flutua,
profundas veredas do espírito alcança.

A noite celebra a ternura da imagem:
os sonhos alegres, pedindo passagem,
aos poucos, dominam o olhar da criança...
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Soneto de
LUCIANO DÍDIMO
Fortaleza/CE

As pedras no meio do caminho

As pedras que aparecem no caminho,
tentando atrapalhar meus pobres passos,
muitas vezes se tornam descompassos
e furam os meus pés igual espinho.

Mas não serão a causa de fracassos
as pedras desviadas com jeitinho,
se todos os percursos, esquadrinho,
eu consigo pisar em bons espaços.

Entre as pedras, encontro alguns regalos,
por isso a cada passo louvo e brindo,
são triunfos, preciso celebrá-los.

E assim, saltando pedras, vou seguindo,
calçado nas feridas e nos calos,
pois sei que no final serei bem-vindo!
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Trova de
MASSILON SILVA 
Aracaju/SE

Seu porte de realeza
e este seu dom de encantar,
igualam sua beleza
à de uma aurora polar.
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Soneto de
EDY SOARES
Vila Velha/ES

Menino de rua

Seu olhar se fechou para o mundo dos vivos,
e velório não houve, e não houve lamento...
sem um nome sequer que constasse em arquivos,
sepultaram-no, enfim, sem qualquer sentimento.

Não trazia consigo os sinais delitivos,
que se pode encontrar em um mau elemento
e se aos vícios letais, em momentos furtivos
se entregou foi, talvez, por faltar o alimento.

Ah, menino, quem sabe haja mesmo um lugar
onde quem morre aqui possa rir e brincar
sem dormir ao relento e morrer flagelado!

Seu olhar se fechou para um mundo cruel;
se ganhou um brinquedo ou um lar, foi no Céu,
pois na Terra viveu, mas  sequer foi notado!
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Trova de
GIVA DA ROCHA 
São Paulo/SP

O rosicler desta aurora
e o renascer deste sol
trazem saudade de outrora,
de um lindo e antigo arrebol!
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Soneto de
SILMAR BOHRER
Itapoá/SC

Oh! Magia

Ninguém a desafinar,
a orquestra cedo cantando,
corruíras, tico-ticos, sabiá,
joão-de-barro, bem-te-vi vibrando.

Uma sabatina em festa
então cá(aqui) amanheceu,
os passarinhos na sua gesta
dão ao mundo o que Zeus lhes deu.

Eis-me loguinho a perguntar
nesta insólita romaria
em que vamos nós a navegar,

Que outra mágica magia
haverá que se possa igualar
aos passarinhos em sinfonia.
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Soneto de
ERIGUTEMBERG MENESES
Blumenau/SC

Uma manhã

Uma manhã nascendo de uma rosa
Iluminando a doce primavera
Do rosto é a última quimera
A granjear minha alma ansiosa.

Dois sóis em vibração harmoniosa
Suspensos pelos ramos de uma hera
Do paraíso dá toda atmosfera
Dessa manhã de classe radiosa.

Um anjo incendiou-se em vertigem
E humanizou-se neste corpo virgem
A se render impávida a meus cortejos?

Em minhas mãos decai o anjo e tenho
De uma mulher em gozo todo o empenho
Da manhã orvalhada de desejos.
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Trova de
OLGA MARIA DIAS FERREIRA 
Florianópolis/SC

Albores da juventude
traçam a aurora da vida;
lentos passos, senectude
preconizam a partida.
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Bem assim…

Daquele “ontem” sem vida,
restou a  triste saudade!
Essa maldita que me invadiu
o coração... num salto...
Bem sei, ele não suportará, 
tamanha e degradante 
se fez a adversidade
que dentro em  breve 
e, aos goles poucos, 
me aniquilará…
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Poema de
TELMA BRILHANTE
Recife/PE

Outono

não me sinto aquela
que se mirou no espelho
e se viu menina
as rugas precipitaram
o ocaso nebuloso
cinzento
de folhas murchas

quisera que o tempo
desvendasse todos
os segredos
e me devolvesse a paz
de que minha alma
necessita
para flutuar em mim
e me dizer aqui estou
– sempre estive -
maturando incertezas.
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Soneto de
RICARDO CAMACHO
Rio de Janeiro/RJ

Vigília eterna

Enquanto vago numa escura bolha,
Sob o estelário deste céu profundo,
Conclamo "ó luz de prata" que me acolha,
Imerso pela insônia do meu mundo.

É madrugada! Cai mais uma folha
No chão que espelha a treva, o abismo fundo
Chamando o meu olhar sem luz e escolha,
Refém do imaginário astral, fecundo.

Acorrentado na vigília eterna,
Não sinto os passos nem a minha perna
Na escuridão que nunca vai embora...

E enquanto, no horizonte, a flor dourada
Não despontar no palco da alvorada,
Aumenta o meu desejo pela aurora.
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Poema de
TELMA REGINA DA SILVEIRA NOGUEIRA 
Juiz de Fora/MG

Saudades da terra

Meus pensamentos viajam,
Ao longe vão te encontrar.
Sonhos que pela vida ecoam,
Sonhos que vou buscar

Casa pequena, mas um lar,
onde se vê o Sol nascer.
Floresta de perfume a rodear,
É essa casa que quero ter.

Meus pensamentos e ais
procuram te alcançar,
O cheiro das flores e dos currais,
cheiro da terra a cultivar

Minhas lembranças vagueiam
E me levam a escutar
Canto de pássaros e de carros de bois
Canto do caboclo a meditar.

Tudo isto são saudades.
Saudades que c bom lembrar.
E por senti-las tão forte
Pra terra eu quero voltar.
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Poema de
NELCI LOURDES BACK OLIVEIRA
Porto Xavier/RS

Aviãozinho de papel

Dentro da mochila
Meu aviãozinho prateado
Se torce e retorce
Com uma asa dobrada.

Desamassei a asa
Falei do luar
O aviãozinho agora
Só quer voar.

Encheu-se de alegria
Meu aviãozinho de papel
E num impulso
Subiu para o céu.

O aviãozinho prateado
Não quer mais voltar.
Para a Lua sorriu!
— Meu aviãozinho eu quero pilotar.
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Poema de
MAURILIO TADEU DE CAMPOS
Santos/SP

Poeta

No exílio branco
das folhas brancas
a escrita disforme
distorce, levemente,
a pena.

As dores corroídas,
contidas no silêncio,
mantidas em cada verso,
escondem a dor do poeta,
embora esteja
a descoberto, relevado
pelas forças desarmadas,
inúteis e gastas,
mantidas no cerne carcomido,
encarceradas nos porões
do coração descompassado
do trovador envelhecido.
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Soneto de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR

Discreta madrugada

Horas intensas… Quando o labor se atenua,
a tarde lenta, pouco a pouco, traz benesse,
na trégua… E o pôr do sol, que encanta e desfalece,
põe noite na cidade e campo… estrada e rua.

Vestida em véu de prata, abraça a luz da lua;
nublada ou estrelada, induz à grata prece.
Na madrugada fria o orvalho se intumesce,
mas o silêncio impera e a calma se acentua.

O sono, um bem previsto e envolto em parcimônia,
às vezes, foge e deixa atrás de si a insônia
que atrai a angústia, o pranto e a mágoa, noite afora…

E a saudosista, triste e longa madrugada 
– do amor, a testemunha, “in loco,” e a mais calada –
se desvanece, toda, ante o irromper da aurora!
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Poema de
MÁRCIA MARIA RODRIGUES LOPES RIGATO
Promissão/SP

Deu no que deu

Embriaguei o tempo. Ou ele me embriagou?
E ficamos revirados, desmontados um sobre o outro,
Na noite que não terminou.
E rimos, rimos muito, gargalhadas de embebedados,
Sobre as trapalhadas todas, crises de identidade,
Crises sobre a idade, saudade.
Tiramos sarro na cara um do outro,
Baforadas de álcool, atiramos,
Insuportável cheiro de álcool.
Estômago e íntimo revirados,
Depois, ressaca. Arrependimento.
Fui brindar com o tempo.
Fui brincar com o tempo.
Mas ele não brincou.
Aproveitou-se do meu momento de fragilidade,
E passou sobre minhas vontades,
Dei muita chance ao tempo, muita liberdade,
Muito tempo ao tempo.
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Mensagem na Garrafa 201 = A estória dos sapinhos....

Imagem criada do IA Microsoft Bing

AUTOR ANÔNIMO

Era uma vez um grupo de sapinhos que organizaram uma competição. O objetivo era alcançar o topo de uma torre muito alta.

Uma multidão se juntou em volta da torre para ver a corrida e animar os competidores... A corrida começou...

Sinceramente: Ninguém naquela multidão toda realmente acreditava que sapinhos tão pequenos pudessem chegar ao topo da torre.

Eles diziam coisas como:

- "Oh, é difícil DEMAIS!!

- Eles NUNCA vão chegar ao topo." ou: - "Eles não tem nenhuma chance de sucederem. A torre é muito alta!"

Os sapinhos começaram a cair. Um por um... Só alguns poucos continuaram a subir mais e mais alto...

A multidão continuava a gritar

- "É muito difícil!!! Ninguém vai conseguir!"

Outros sapinhos se cansaram e desistiram... Mas UM continuou a subir, e a subir... Este não desistia!

No final, todos os sapinhos tinham desistido de subir a torre. Com exceção do sapinho que, depois de um grande esforço, foi o único a atingir o topo!

Naturalmente, todos os outros sapinhos queriam saber como ele conseguiu. Um dos sapinhos perguntou ao campeão como ele conseguiu forças para atingir o objetivo.

E o resultado foi...

Que o sapinho campeão era SURDO!!!!

A moral da história é: Nunca dê ouvidos a pessoas com tendências negativas ou pessimistas... porque eles tiram de você seus sonhos e desejos mais maravilhosos. Aqueles que o Senhor colocou no seu coração! Sempre se lembre do poder das palavras. Porque tudo o que você falar, ouvir e ler irá afetar suas ações! Portanto, seja SEMPRE... POSITIVO! E acima de tudo: SURDO! Quando as pessoas dizem que VOCÊ não pode realizar SEUS sonhos!

Humberto de Campos (As Jacobitas)


Chegada há pouco do Oriente, onde visitara, em companhia do esposo, alguns países exóticos, D Margaridinha descrevia aos seus vizinhos de mesa, no banquete oferecido ao casal pela Exma. viúva Santos Soutelo, algumas curiosidades que mais lhe haviam ferido a atenção.

- A coisa mais interessante que eu assisti, - dizia, sorridente, enxugando com o guardanapo de linho os seus polpudos lábios cor de cereja, - foi um costume dos jacobitas, seita religiosa cujo mosteiro visitamos no Malabar.

As damas vizinhas descansaram o talher para ouvir melhor, e D. Margaridinha, irrequieta e risonha, contou:

- Quando um jacobita se casa, o seu primeiro cuidado consiste em ir ao templo no mosteiro, e pedir ao seu Deus que lhe dê uma descendência numerosa e sadia, para maior esplendor da religião. Feito isso, toma diversos pedaços de papel, escreve em cada um deles um nome de homem ou de mulher, mete-os em um canudo de bambu que os sacerdotes lhe oferecem, e, colocado a certa distancia do ídolo, sopra o canudo, com toda força. Impelidos assim, os papeluchos partem rodopiando e quantos caiam sobre o altar, tantos serão os filhos que o casal deve ter!

- Esplêndido! - exclamaram as senhoras, rindo. - Esplêndido!

À observação, porém, de uma que lhe ficava mais próximo, a linda viajante objetou, jovial:

- Eu? Experimentei, sim!

E sem olhar para o marido, que a fixava, severo, continuou:

- Alfredo tem, como não é segredo, um desejo enorme de ter um filhinho. E é natural, coitado! Enquanto estamos no vigor da idade, os filhos não nos fazem falta, porque viajamos, passeamos, nos divertimos. Mas, depois, na velhice, é que se sente a tristeza, o abandono, a solidão... Pensando nisso, nós fomos, um dia, no Malabar, ao templo dos jacobitas.

- A senhora?

- Então? Era o último recurso, filha! Chegando lá, Alfredo escreveu uma porção de nomes, bem uns cinquenta, em outros tantos pedaços de papel, meteu-os no bambu e soprou com toda a força.

- E quantos caíram no altar? - indagaram as senhoras, interessadas.

E madame:

- Nenhum, meninas, nenhum!

E explicou:

- Ele, na sua ansiedade, havia posto papel demais no bambu, e...

- E...

- Entupiu o canudo!...

E soltou uma das suas gargalhadas sonoras, altas, musicais, enquanto o marido, vermelho, se engasgava, a um canto, com a sobremesa, à semelhança dos canudos do Malabar...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
HUMBERTO DE CAMPOS VERAS nasceu em Miritiba/MA (hoje Humberto de Campos) em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1934. Jornalista, político e escritor brasileiro. Aos dezessete anos muda-se para o Pará, onde começa a exercer atividade jornalística na Folha do Norte e n'A Província do Pará. Em 1910, publica seu primeiro livro de versos, intitulado "Poeira" (1.ª série), que lhe dá razoável reconhecimento. Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde prossegue sua carreira jornalística e passa a ganhar destaque no meio literário da Capital Federal, angariando a amizade de escritores como Coelho Neto, Emílio de Menezes e Olavo Bilac. Trabalhou no jornal "O Imparcial", ao lado de Rui Barbosa, José Veríssimo, Vicente de Carvalho e João Ribeiro. Torna-se cada vez mais conhecido em âmbito nacional por suas crônicas, publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, inclusive sob o pseudônimo "Conselheiro XX". Em 1919 ingressa na Academia Brasileira de Letras. Em 1933, com a saúde já debilitada, Humberto de Campos publicou suas Memórias (1886-1900), na qual descreve suas lembranças dos tempos da infância e juventude. Após vários anos de enfermidade, que lhe provocou a perda quase total da visão e graves problemas no sistema urinário, Humberto de Campos faleceu no Rio de Janeiro, em 1934, aos 48 anos, por uma síncope ocorrida durante uma cirurgia. Além do Conselheiro XX, Campos usou os pseudônimos de Almirante Justino Ribas, Luís Phoca, João Caetano, Giovani Morelli, Batu-Allah, Micromegas e Hélios. Algumas publicações são Da seara de Booz, crônicas (1918); Tonel de Diógenes, contos (1920); A serpente de bronze, contos (1921); A bacia de Pilatos, contos (1924); Pombos de Maomé, contos (1925); Antologia dos humoristas galantes (1926); O Brasil anedótico, anedotas (1927); O monstro e outros contos (1932); Poesias completas (1933); À sombra das tamareiras, contos (1934) etc.

Fonte:
Humberto de Campos. Grãos de Mostarda. Publicado originalmente em 1926. Disponível em Domínio Público.

Luiz Gonzaga da Silva (Trova e Cidadania) 4: Amizade


Subjugar um inimigo,
não será a maior vitória, 
mas fazer dele um amigo... 
esta é a verdadeira glória!!!
José Feldman – PR

A amizade é um sentimento dos mais relevantes para o ser humano. Com os amigos cria-se uma rede social que propicia bem-estar, assegura saúde psíquica e até pode prolongar a vida. Pesquisas têm demonstrado que, pelo fato de se poder escolher os amigos, portanto um ato voluntário, eles têm mais influência positiva na nossa vida do que até mesmo nossos familiares, cuja convivência não se dá por escolha, mas por dever,

Amizade é sã vivência
do bom relacionamento,
e se estrutura na essência
do mais belo sentimento.
Vidal Idony Stockler - PR
 
A verdadeira amizade
é figueira milenar
que nem mesmo a tempestade
a consegue derrubar.
Pedro Grilo - RN

Guardada como fragrância,
a verdadeira amizade
não se perde na distância,
adormece na saudade.
Ângela Togeiro - MG

O amigo que nos quer bem
é aquele que, sem temor,
oculta uma dor que tem
e vem sanar nossa dor…
Ademar Macedo - RN

Amigo é um irmão de fé,
que, nas quedas dos caminhos,
discreto nos põe de pé
e diz que agimos sozinhos…
Edmar Japíassú Maia - RJ

O esplendor de uma amizade
merece grande atenção,
pois toda afetividade
nos faz bem ao coração.
Ana Maria do Nascimento - CE

A amizade é sentimento
de amor e fraternidade,
como se fosse alimento
que sustém a humanidade.
Maria Eugênia Maceira Montenegro – RN

Quem tem amigos leais
tem muito o que agradecer:
bons amigos valem mais
que o mais que se possa ter.
A. A. de Assis - PR

Uma vida de amizade
cheia de amor e carinho,
fará que toda a verdade
na terra encontre o cominho.
Paulo Amorim Cardoso - CE

Amigo é persona grata
que tem sorriso no voz
e um trato que só maltrata
quando está longe de nós!
Josafá Sobreira da Silva - RJ

Tenha amigos no caminho,
reparta risos e prantos.
Nem Deus quis viver sozinho
e criou anjos e santos.
Ildefonso de Paula - SP
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LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro.  Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.

Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019. Livro enviado pelo autor.

Hans Christian Andersen (A sopa de espeto) Parte 1


Tivemos ontem um excelente jantar - dizia uma ratazana velha a outra, que não havia tomado parte no banquete. - Eu ocupava o assento número vinte e um, a contar da cadeira do nosso velho rei. Não era um mau lugar, não achas? Queres saber qual foi a lista de pratos? Estava muito bem combinada: pão mofado, peles de toucinho, vela de sebo e salsicha; e depois os mesmos pratos repetidos, do princípio ao fim de modo que, a dizer verdade, foram dois banquetes. Reinou na sala, enquanto durou a festa, tanta alegria e bom humor, que parecia uma reunião familiar. Também, não sobrou migalha, a não ser a lasquinha que ficou pegada ao espeto. Falou-se então  nesses instrumentos de pau, e veio logo à baila a " sopa de espeto". Todos tinham ouvido falar nela, mas ninguém a havia provado, e menos ainda preparado. Bebemos à saúde do inventor desconhecido que, ao que se disse, bem merecia ser nomeado diretor do asilo de mendigos. Não foi lindo, isso? Então, levantou-se o velho rei dos ratos e prometeu que a ratinha que soubesse fazer a tal sopa seria rainha. E concedeu  o prazo de um ano não e um dia para que elas aprendessem a prepará-la.

- Foi uma boa ideia - disse a outra ratazana. - Mas como se prepara essa sopa?

- Ah! ...como se prepara a sopa? ...Ora, é exatamente isso o que estão perguntando a esta hora todas as ratas solteiras - moças e velhas. Todas elas, da primeira à última, querem casar com o rei - quem não deseja ser rainha! - mas nenhuma quer ter o trabalho de ir por este vasto mundo a fora, para aprender como se faz a sopa! E é isso que precisam fazer. Nenhuma tem a coragem de deixar a família e o seu cantinho abrigado, e ir sofrer privações pelo mundo, onde não é tão fácil achar raspas de queijo, nem se farisca toucinho todos os dias. Não! Arrisca-se a gente a passar fome, e até ser engolida viva pelo gato!

E certamente esses motivos impediram que a maior parte delas saíssem a viajar em busca de informações. Só quatro se declararam prontas a partir. Eram jovens e espertas, mas pobres. Iria cada uma para um dos quatro cantos do mundo, entregando-se ao acaso. Levaria cada uma um espetinho de salsicha, que lhe traria sempre presente à memória o fim daquela viagem. Seria como um bordão de peregrino.

Partiram em princípios de maio, e só voltaram em maio do ano seguinte. De fato voltaram apenas três: a quarta não deu notícia alguma de si, até o dia aprazado para a apresentação dos relatórios

- É sempre assim - observou o rei dos ratos. - Nem tudo sai sempre à medida dos nossos desejos.

Determinou, contudo, que fossem convidados todos os ratos e ratões, no raio de muitas léguas.

A reunião foi na cozinha, e as três viajantes enfileiraram-se a um lado, à parte das outras pessoas. No lugar que devia competir à quarta, a que não voltara, puseram um espeto envolto em crepe. E ninguém ousou fazer qualquer comentário, senão depois que as viajantes apresentaram seu relatório, e o rei pronunciou o julgamento.

Ouçamos agora o que disseram elas.

O QUE VIRA E OUVIRA A PRIMEIRA RATINHA

" - Quando saí a correr mundo - disse a primeira ratinha - pensava, como pensam quase todos na minha idade; que sabia tudo. Mas ah! Como me enganava! Leva dias, leva anos, para a gente aprender tudo! Fui para o lado do mar, e embarquei em um vapor que ia partir para o norte. Ouvira dizer sempre que um cozinheiro de bordo deve saber como se há de arranjar. Mas na verdade não é lá coisa muito difícil, afinal, a gente agir no mar, quando tem à mão fartura de presuntos, barricas de carne seca e farinha mofada. Passa-se até um vidão; mas a tal sopa de espeto é que não se aprende a fazer ali. Navegávamos noite e dia, e levamos muitos dias e muitas noites a navegar. O barco arfava convulsivamente, e muitas vezes nos vimos encharcados com a bátegas d'água que nos cobriam. E quando afinal alcançamos um porto, tratei de desembarcar. era muito, muito longe daqui, em uma região do norte.

"E que coisa estranha, a sensação que nos invade, quando deixamos a nossa toca, embarcamos em um navio, que também não passa de uma toca, e achamo-nos de repente em uma terra estrangeira, a mais de cem léguas de distância! Estendiam-se ali imensas florestas impenetráveis, de bétulas e de pinheiros; exalavam tanto aroma que me senti enjoada! E o perfume das ervas silvestres muito parecido com o cheiro de especiarias! Era tão carregado que me fez espirrar: lembrava o gosto de salsichas.

"Havia também vastos lagos, cuja água de perto, se via que era perfeitamente cristalina, e que de longe dava ideia de charcos de tinta. Repousavam na superfície muitos cisnes de alvura deslumbrante, mas tão quietos que pareciam flocos de espuma. Quando, porém, começaram a andar e voar, reconheci logo que eram da família dos patos: vê-se isso, pela maneira de mover-se, gingando. É que ninguém pode negar a parentela! Eu procurei a gente da minha espécie. Travei relações com ratos do mato e do campo, que por sinal são muito ignorantes: sabem muito pouco de cozinha, razão única de minha viagem tão longa. Só a ideia de que alguém achasse possível fazer sopa de espeto causou-lhe tamanho espanto, que a notícia se espalhou em um momento, e corria de boca em boca por toda a mata. Mas que semelhante problema pudesse ter solução algum dia, era, coisa que lhes parecia absolutamente impossível. E mal podia eu imaginar que ali mesmo, antes do amanhecer, seria iniciada no grande segredo.

"Era no pino do verão. Disseram os ratos que por isso os matos e campos recendiam tanto, e as águas estavam tão cristalinas, e de um azul tão profundo, em contraste com a brancura dos cisnes. Na orla da mata, entre três ou quatro casas, elevava-se um poste, alto como o mastro grande de um navio, coroado de flores e de fitas: era a Árvore de Maio. Ao som de um violino moças e rapazes cantavam e dançavam em roda do mastro. Essa festa prolongou-se pela noite a dentro, e todos estavam tão alegres ao pôr do sol com  à luz do luar. Eu não tomei parte nela; que iria fazer uma ratinha no baile da floresta, não é? Sentei-me no musgo, sempre segura ao meu cajado. O luar dava em cheio, e até parecia mais brilhante, no sítio onde havia uma árvore; o chão ali estava forrado de musgo, tão macio que não hesito em compará-lo à peliça do nosso rei.

" – Nisto vi que se aproximava uma multidão de criaturinhas encantadoras, tão pequeninas, que mal me chegavam aos joelhos; assemelhavam-se aos entes humanos, mas eram mais bem proporcionados. Chamavam-se elfos, e trajavam roupas muito lindas, entrelaçadas de asas de moscas e mosquitos. eram bem bonitinhos, na verdade. Notei que andavam à procura de alguma coisa. Afinal um grupo veio para o meu lado; o que parecia ser o chefe apontou para o meu espeto, dizendo:

" - E isto justamente o que queremos. É pontudo. É perfeito!

" E quanto mais examinava meu bastão, mais contente se mostrava.

" - Podes levá-lo - disse eu - mas é somente emprestado: não para ficar com ele!

" - Não ficar com ele! - exclamaram todos, levando o espeto.

" Dançando de alegria foram colocá-lo no musgo macio: queriam ter também a sua Árvore de Maio, e meu bordão parecia talhado de propósito, para eles. E começaram a enfeitá-lo. Ficou lindo, lindo! Aranhas pequeninas fiaram fios de ouro em roda, envolvendo-o em flâmulas e bandeiras de alvura tão deslumbrante, que aquele fulgor, à luz do luar me fazia mal aos olhos. Com a tinta que tiraram da asa de uma borboleta borrifaram meu espeto de tal forma, que ele parecia cheio de flores e todo orvalhado, como se estivesse cravejado de diamantes. Eu mesma mal podia reconhecê-lo, porque não há no mundo inteiro Árvore de Maio semelhante à que os elfos fizeram dele.

" Assim que terminaram estes preparativos chegou a comitiva toda. Nenhum fio de linha nas suas roupagens - e no entanto, não pode haver nada mais lindo! Convidaram-me para admirá-los - mas de certa distância, porque sou muito corpulenta.

" Começou então a música, mas que música! Parecia que tocavam em mil campainhas de cristal. Era tanta a harmonia, e tão profunda, que cheguei a pensar que aquilo era o canto do cisne. Sim, parece-me ouvir o canto dos cucos e dos metros, e por fim o bosque inteiro ressoava, unindo-se ao coro. Vozes de crianças, tinindo de campainhas, cantos de pássaros, parecia que tudo se combinava numa melodia suave, e ainda assim, tudo aquilo vinha somente da Árvore de Maio dos elfos. Era um carrilhão completo - e, contudo, não passava do meu espeto de salsichas. Nunca imaginei que fosse possível tirar dele tanta harmonia! Mas é o fora de dúvida que tudo depende das mãos que o tangem. Sentia-me profundamente comovida. E tanto que chorei, chorei como uma ratinha sabe chorar, de pura alegria!

"E com que rapidez correu aquela noite! É verdade que naquela época do ano as noites são curtas, mesmo. Quando rompeu a madrugada, e a brisa matutina frisou a superfície do lago, que era como um espelho, desvaneceram-se num instante as bandeiras e galhardetes, tecidos com tanta delicadeza. As guirlandas enfunadas de teia de aranha, as pontes suspensas entre a folhagem, as balaustradas, enfim, tudo o que enfeitara o mastro durante a noite, sumiu-se no nada. Seis elfos vieram restituir meu espeto, e indagaram, gentilmente, se me podiam ser úteis para alguma coisa. Pedi-lhes então que me ensinassem como se faz a sopa de espeto. E o chefe dos elfos adiantou-se, sorrindo:

" - Como fazemos essa sopa? Mas acabas de vê-lo, com teus próprios olhos. Porque... aposto que nem reconheceste teu espeto!

" - Sim, para os elfos isso não passa de brincadeira - retruquei.

" Contei-lhe então tudo; disse o que procurava na minha viagem pelo mundo e falei da importância que tinha o caso aqui no nosso reino. E perguntei-lhe depois:

" - Que benefício trará para o rei dos ratos, ou para o seu imenso império, o magnífico espetáculo que presenciei? Não posso chegar lá e dizer, sacudindo meu cajado; " Olha este espeto! É isto a sopa!" É um prato  que servirá, quando muito, depois que todos os comensais estão de estômago satisfeito.

" Então o chefe dos elfos introduziu o dedo mindinho no cálice de uma violeta e disse-me:

" - Escuta! Vou untar teu bastão de peregrino. E quando estiveres de volta ao teu país, e entrares no palácio do rei, é só tocar com ele o focinho quente do teu soberano, e a vara se cobrirá de violetas, nem que seja no rigor do inverno. Posso dizer, pois, que te ofereço uma coisa que podes levar para casa; e ainda te darei mais uma lembrancinha, de contrapeso".

Não tinha ainda a ratinha acabado de pronunciar as últimas palavras, sem dizer em que consistia a  "lembrancinha", e já apontava o cajado em direção do focinho do rei. E o que é verdade, e bem verdade, é que a varinha se cobriu imediatamente de flores lindíssimas, de perfume tão intenso, que o rei ordenou os ratos que se aproximassem do fogo e chamuscassem o rabo.

É que queria sentir um cheiro bem forte, que contrastasse com o perfume de violetas, que não lhe agradava nada. Depois perguntou:

- E qual era a lembrancinha do contrapeso?

- Sim...creio que é o que se chama uma surpresa - disse a ratinha.
  
Fez girar a vara e - pronto! Sumiram-se as flores ficando ela com o espeto nu na mãos. Brandia-o como uma batuta. E continuou:

- As violetas - disse-me o elfo - servem para recreio da vista, o do olfato, e do tato. Mas devemos também ter alguma coisa que agrade ao ouvido e desperte o paladar.

Então a ratinha pôs-se a marcar o compasso, e imediatamente se ouviu o som de uma música. Não era a música elfina da floresta, não. Era a música que se podia ouvir na cozinha: o murmúrio da fervura e da carne que assa. Aquilo foi tão repentino, como se o vento tivesse soprado em todos os cantos da chaminé, avivando a chama, e fazendo ferver panelas e chaleiras. A pazinha deu uma pancada no caldeirão de cobre. e imediatamente tudo se calou. Ouviu-se então o canto em surdina da chaleira do chá. tão suave e tão doce, que mal se percebeu quando começou e quando acabou. A panelinha fervia, e o caldeirão levantava enormes bolhas, e ninguém atendia ao compasso. Parecia que todas as panelas tinham perdido o juízo. E cada vez a ratinha agitava a vara com mais brio. As panelas ferviam e espumavam, em borbotões, escorrendo por fora. Entrou pela chaminé uma rajada de vento, rugindo de modo tão espantoso, que - Paf! Caiu a batuta das mãos da ratinha.

- Que sopa encorpada! - exclamou o  rei. - Já está pronta para ser servida?

- Mas é só isso - disse a ratinha.

- Só isso? Ora então é melhor ouvir o que a outra tem a contar.
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continua...
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Fonte:
Hans Christian Andersen. Contos. Publicado originalmente em 1857. Disponível em Domínio Público