sexta-feira, 1 de maio de 2026

Arthur Thomaz (Domingo)


Acordou bem cedinho e foi tomar sol no estacionamento do condomínio. Logo em seguida apareceram as famílias vestindo bermudas, chinelos e camisetas sem mangas, dirigindo-se à padaria mais próxima para o tradicional café da manhã dominical. Os mais simpáticos dirigiram-se a ele:

– Bom dia, senhor, deseja que eu traga um pãozinho com manteiga?

Respondeu educadamente:

– Não precisa, mas muito obrigado.

Ao responder pela décima vez que não precisava de pãozinho às várias famílias que passavam, ele resolveu entrar para enfim tomar o seu café, com a estranha sensação de aparentar estar muito magro para lhe oferecerem tanto pãozinho.

Algum tempo depois, foi até a janela e viu aquelas famílias retornando, e em seguida quase todos ligaram seus aparelhos de som. Ouviu-se pelo condomínio uma infinidade de músicas de discutível qualidade, e parecendo disputar uma competição para ver quem coloca o som mais alto.

Olhou novamente pela janela e observou as famílias, agora vestindo roupas de festa, dirigindo-se aos cultos ou missas. Os mais simpáticos novamente perguntaram:

– O senhor quer que rezemos pela sua saúde?

Ateu convicto que era, respondeu ironicamente:

– Sim, sempre é bom um apoio divino.

Saiu mais uma vez para completar os minutos de exposição aos raios solares para sintetizar a vitamina D. Logo em seguida, depois do retorno das famílias, já abençoadas, viu e ouviu um frenético movimento de motoboys entregando refeições nas residências.

Também pôde sentir o aroma de churrasco vindo das casas das pessoas mais abastadas, já que, com o preço da carne atualmente, somente o pessoal com melhores condições financeiras pode dar-se ao luxo de fazê-lo.

Simultaneamente, ouviu-se o tilintar dos talheres chocando com o fundo dos pratos.

Entrou para almoçar e logo em seguida ouviu o alarido das crianças brincando no estacionamento, porque o pai queria assistir sossegadamente o tradicional jogo de futebol do domingo à tarde.

Durante 90 minutos, escutou-se os gritos de gol e os palavrões emitidos respectivamente pelos torcedores do time ganhador e do perdedor do jogo.

Por não ser fã de futebol, resolveu ir até o estacionamento e ficar no frescor da sombra de uma árvore. Algumas crianças, gentilmente, em uma brincadeira, disputaram quem conseguiria levar a sua cadeira de rodas mais rápido e mais longe.

Momentos de apreensão, até que elas cansaram da brincadeira e o abandonaram bem distante, fazendo-o voltar com muito esforço até sua casa.

Ao término do jogo, ouviram-se os gritos das mães chamando as crianças para tomar banho, jantar e preparar-se para dormir. Em seguida, recomeçaram os estrondosos barulhos das motos dos entregadores de pizza e lanches.

Depois de colocarem as crianças na cama, alguns moradores saíram para conversar em altas vozes nos bancos do jardim. Na ocasião, abordaram assuntos interessantes, como novelas, fofocas de artistas ou receitas de bolo.

Novamente, ele saiu para tomar um ar fresco, e elas vieram conversar:

– O senhor está bem?

– Como vai de saúde?

– Passou bem o domingo?

– O senhor tem escrito muitos livros?

Vendo-se cercado e sem saída, educadamente respondeu:

– Eu estou bem, obrigado, e vocês?

Elas imediatamente tabularam uma conversa que parecia não ter fim. Sempre uma delas, sabendo que um dia ele foi mé- dico, indagou:

– O senhor que foi doutor, pode dizer o que a tia da amiga da minha irmã, que está com tosse há mais de 15 dias, tem? E o que o senhor receitaria para ela?

Pacientemente, escutou e deu uma resposta evasiva, correspondente ao nível idiota da pergunta. Tentou inutilmente despedir-se, pois elas queriam contar as fofocas do dia.

Então, ele desligou-se um pouco da conversa, acenando com a cabeça concordando ou discordando, mesmo sem saber o que estavam falando.

Em determinado momento, elas insistiram para que respondesse algo que não ouvira. Desinteressado e distraído, ele concordou com o que falaram, deixando-as contentes; imediatamente despediram-se dele e foram para as suas casas.

Ficou durante alguns minutos respirando ar noturno para recuperar-se daquela conversa inútil. Apareceu uma senhora acompanhada de seu marido, um sujeito enorme, com uma “cara de poucos amigos”.

Ela o interpelou, dizendo:

– Quem o senhor pensa que é para dizer que eu estou errada? Fique sabendo que eu sou uma mulher honesta e nunca fiz o que o senhor disse que está errado.

Virou-se para o marido e continuou:

– Não é, meu bem?

O troglodita do marido respondeu algo que pareceu um rugido de leão. Tentando não aparentar medo, ele respondeu:

– Quem sou eu para dizer algo desse tipo? Eu nem a conheço, como poderia falar sobre a sua vida? Com certeza, deve ter sido outra pessoa.

O marido, nessa hora, diz a ela:

– Meu bem, ele tem razão, se não a conhece, não poderia emitir opiniões a seu respeito.

Ela, muito a contragosto, querendo continuar o “barraco”, sentiu que precisava ir embora, já que tinha perdido o apoio do marido.

Aliviado por ter escapado de uma possível agressão, entrou rapidamente em casa pensando que a agonia do domingo tinha terminado. Ledo engano, ouviu a sua campainha tocar e outra mulher, moradora do condomínio, entrou já perguntando o que ele poderia fazer, porque o filho da tia da faxineira dela estava com febre há três dias.

Delicadamente, disse a ela que levasse o bebê até o pronto-socorro.

Ela insistiu:

– Mas o senhor não vai receitar nada?

Pacientemente, ele repetiu que seria melhor, já que não conhecia o caso, que levasse a criança a um pediatra.

Com cara de quem não gostou, ela resmungou:

– Não se faz mais médicos como antigamente.

Deu um seco boa noite e foi embora. Com certeza vai dizer às amigas que ele é um velho decrépito e que nem servia para receitar.

Telefonou a um amigo relatando os infortúnios do domingo no condomínio. O amigo respondeu que nem todos os domingos poderiam ser tão desafortunados assim.

Ele respondeu:

– Tem razão, meu amigo, nem todos os domingos são iguais. O que diferencia um do outro são os times de futebol no jogo da televisão.

Escapando ileso, foi dormir ao som dos inúmeros cães existentes no condomínio.
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Arthur Thomaz é natural de Campinas/SP. Segundo Tenente da Reserva do Exército Brasileiro e médico anestesista, aposentado. Trovador e escritor, publicou os livros: Coleção Leves Contos ao Léu: I- Mirabolantes; II– Imponderáveis, III– Inimagináveis, IV– Insondáveis; Trovas: “Rimando Sonhos”, “Rimando Ilusões”, “Rimando Devaneios”. Romances: “Pedro Centauro”; “O Mistério da Princesa dos Rios”, “Vila Esperança” e outros.

Fonte:
Texto e imagem: Arthur Thomaz. Leves contos ao léu: Inimagináveis. Santos/SP: Buena Ed., 2025. Enviado pelo autor.

Humberto de Campos (Os horrores da guerra)


O caso policial contado há dias pelos jornais, é, ao que parece, mera reprodução de uma infinidade de outros, ocorridos no Rio, e, em geral, no mundo inteiro. A guerra, principalmente, com os seus horrores, com as suas violências, com as suas brutalidades inomináveis, tem fornecido exemplares curiosíssimos de certas vergonhas, que constituem, como se sabe, a nódoa de lama da túnica das sociedades.

A prova mais amarga, e mais típica, desse gênero de verdades dolorosas, é, entretanto, a que Banvile apresenta em um quadro melancólico, desenhado com a delicadeza inimitável do seu estilo. As cores da tela são tão leves, tão doces, tão brandas, que eu me permito a mim próprio, a audácia de retocá-la, na blasfêmia de uma ligeira adaptação.

Em um salão triste e antigo, ressumando saudades, meditam, com a alva cabeça pendida sobre o peito, três velhinhas septuagenárias, cujos olhos se perdem, quase sem brilho, nas brumas longínquas do passado. Procedem, as três, do tumulto do mundo, de que são ali, meros despojos de um naufrágio, atirados à praia, como tantos outros, pelas eternas tempestades da vida. Cabeça baixa, olhos baixos, a mais velha das três solta, de repente, um suspiro tão fundo, que lhe traz aos olhos uma lágrima. As outras olham-na, compadecidas, e, para matar as horas, que, por sua vez, as vão matando, resolvem contar os seus amores, as suas aventuras, resumindo nestas o braço mau, ou leviano, que as atirou à desgraça.

- Eu, - contou a mais velha - fui vítima do meu noivo, o tenente Balduino, do antigo batalhão de lanceiros. Confiando nele, nas suas juras, nas suas promessas apaixonadas e ardentes, deixei-me arrastar, um dia, pela sua palavra e pelo seu braço, até à sua casa, e, quando despertei no dia seguinte, foi para chorar, como até hoje, a minha infelicidade...

- A minha história, - principiou a segunda, - não é muito diferente. Passeava uma tarde com o meu primo, o barão Reinaldo, pelas alamedas do jardim de meu pai, quando, embriagada pela amavio dos seus juramentos de amor, me deixei cingir pelos seus braços. O beijo pecador que pôs, como uma brasa, na minha boca virgem, fez-me desmaiar. Meses depois o barão partia para o Oriente, enquanto meu pai me atirava à rua, com o meu filho e a minha vergonha!

A terceira velhinha mantinha-se em silêncio, meditativa, quando as outras a interrogaram:

- E a senhora, mãe Georgete?

- Eu? Eu vivia na Alsácia, em 1870, com meu pai e minha mãe. Era jovem e linda. Um dia, ouvimos troar a artilharia nas vizinhanças da aldeia. Era o inimigo!

E calou-se. Mas as outras exigiram:.

- E o resto?

- Que resto?

As duas se entreolharam, e insistiram, falando claro:

- Quem foi?

E a velhinha, limpando os olhos:

- Foram os alemães...
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Humberto de Campos Veras nasceu em Miritiba/MA (hoje Humberto de Campos) em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1934. Jornalista, político e escritor brasileiro. Aos dezessete anos muda-se para o Pará, onde começa a exercer atividade jornalística na Folha do Norte e n'A Província do Pará. Em 1910, publica seu primeiro livro de versos, intitulado "Poeira" (1.ª série), que lhe dá razoável reconhecimento. Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde prossegue sua carreira jornalística e passa a ganhar destaque no meio literário da Capital Federal, angariando a amizade de escritores como Coelho Neto, Emílio de Menezes e Olavo Bilac. Trabalhou no jornal "O Imparcial", ao lado de Rui Barbosa, José Veríssimo, Vicente de Carvalho e João Ribeiro. Torna-se cada vez mais conhecido em âmbito nacional por suas crônicas, publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, inclusive sob o pseudônimo "Conselheiro XX". Em 1919 ingressa na Academia Brasileira de Letras. Em 1933, com a saúde já debilitada, Humberto de Campos publicou suas Memórias (1886-1900), na qual descreve suas lembranças dos tempos da infância e juventude. Após vários anos de enfermidade, que lhe provocou a perda quase total da visão e graves problemas no sistema urinário, Humberto de Campos faleceu no Rio de Janeiro, em 1934, aos 48 anos, por uma síncope ocorrida durante uma cirurgia. Além do Conselheiro XX, Campos usou os pseudônimos de Almirante Justino Ribas, Luís Phoca, João Caetano, Giovani Morelli, Batu-Allah, Micromegas e Hélios. Algumas publicações são Da seara de Booz, crônicas (1918); Tonel de Diógenes, contos (1920); A serpente de bronze, contos (1921); A bacia de Pilatos, contos (1924); Pombos de Maomé, contos (1925); Antologia dos humoristas galantes (1926); O Brasil anedótico, anedotas (1927); O monstro e outros contos (1932); Poesias completas (1933); À sombra das tamareiras, contos (1934) etc.

Fontes:
Humberto de Campos. Grãos de Mostarda. Publicado originalmente em 1926. Disponível em Domínio Público. 
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Dicas de Escrita (Como Escrever um Poema com Rimas)

Coescrito por Alicia Cook*
Rimas podem dar ritmo aos seus poemas, uma qualidade memorável que pode ser muito divertida. Embora nem todos os poemas precisem rimar, os que rimam tendem a soar melhores por terem uma composição mais complexa. Para testar suas habilidades rimando poesia, aprenda o básico, inspire-se, e escreva!

Parte 1
Tendo ideias para o poema

ANOTE SUAS IDEIAS QUANDO ELAS SURGIREM.

É importante escrever com frequência para manter sua criatividade fluindo e garantir que não esqueça as ideias que tem para os poemas! Quando uma ideia surgir, anote para não esquecer.

Você não precisa escrever suas ideias em verso, pode escrever em prosa ou fazer listas de palavras e ideias para usar em um poema mais tarde.

É uma boa ideia começar escolhendo um conceito ou tópico para o seu poema — sobre o que você quer que ele seja? Depois, pode começar a moldar palavras com base nesse tópico.

Dica: tenha um bloquinho ou caderno com você o tempo todo para registrar suas ideias a qualquer momento.

PROCURE POR INSPIRAÇÃO AO SEU REDOR.
Caso não saiba sobre o quê escrever, escolha um objeto, animal, pessoa ou lugar como tema. Você não precisa escrever sobre algo extraordinário; escolha algo que seja interessante para você.

Por exemplo, você pode escrever um poema rimado sobre uma luminária na sua escrivaninha, a vista da janela do seu quarto, seu cachorro, sua mãe, ou seu restaurante favorito.

ESCREVA LIVREMENTE SOBRE O ASSUNTO ESCOLHIDO. 
Quando tiver uma ideia para um poema, comece a escrever! Passe todas as ideias para o papel sem se preocupar com a estrutura ou esquema rimático. Você pode dividi-las em linhas ou escrever em prosa no primeiro rascunho.

Por exemplo, se estiver escrevendo um poema sobre o seu cachorro, pode escrever um parágrafo sobre a aparência dele, o comportamento, e o quanto você gosta dele.

Dica: Caso encontre alguma oportunidade de rima no seu rascunho, inclua elas. Você também pode adicioná-las mais tarde, então não se preocupe se não conseguir pensar em nenhuma imediatamente.

FAÇA UMA LISTA DE PALAVRAS QUE RIMAM COM O SEU ASSUNTO. 
Outra ótima forma de ter ideias para um poema rimado é fazer uma lista de palavras relacionadas ao tema e que rimam com ele. A lista pode ser longa ou curta, dependendo do que você estiver escrevendo sobre. Escreva palavras que descrevem o assunto e procure por pares rimados para cada uma dessas palavras.

Por exemplo, se estiver escrevendo um poema sobre sua flor favorita, pode começar escrevendo palavras que rimam com flor, como amor, valor, incolor, calor, etc.

Então, poderia escolher um tipo de flor, como a margarida, e fazer outra lista de palavras que combinem com ela, como vida, querida, colorida, florida, etc.

Continue fazendo listas dessa forma até que não consiga pensar em mais palavras.

Use um dicionário de rimas se não conseguir pensar em rimas para uma palavra.

Parte 2
Escolhendo um esquema rimático

OPTE POR UM ESQUEMA RIMÁTICO ALTERNADO PARA CRIAR UM PADRÃO SIMPLES. 
Essa é provavelmente a forma mais comum de se organizar um poema. Para usá-la, coloque seus pares rimados no final de linhas alternadas.

Por exemplo, suas rimas podem seguir o padrão ABAB, CDCD, EFEF, etc.

EXPERIMENTE UMA ESTRUTURA DE BALADA PARA CRIAR ALGO MAIS COMPLEXO. 
Para incorporar um pouco mais de complexidade a um esquema rimático alternado, tente estruturar seu poema como uma balada musical. Isso consiste em dois conjuntos de quatro rimas alternadas divididas por um verso extra que rima com o segundo verso. Então, um terceiro conjunto de quatro rimas alternadas com as mesmas rimas do segundo conjunto vem a seguir.

Por exemplo, esse esquema rimático seria ABABBCBC e depois BCBC.

RIME TODAS AS PALAVRAS DO POEMA ENTRE SI PARA CRIAR UMA MONORRIMA. 
Essa técnica é quando você usa o mesmo som rimado em todo o poema. Fazer monorrima pode ser complicado se não tiver muitas palavras ou sílabas que rimem com a primeira palavra, então escolha bem.

Por exemplo, a última palavra em cada verso do poema rimaria com a primeira que usou, e o esquema rimático seria AAAAA.

ESCREVA RIMAS EMPARELHADAS OU PARALELAS PARA UMA FORMA SIMPLES DE ORGANIZAR AS RIMAS. 
Isso significa criar dois versos que terminam com a mesma rima. Você pode escrever todo o poema em rimas paralelas, ou incluir só algumas para variar o ritmo.

Um poema escrito em um esquema rimático de rimas emparelhadas ficaria AA BB CC DD etc.

Você também pode fazer uma variação com três rimas, como AAA BBB CCC etc.

Por exemplo, as rimas emparelhadas podem ser tão simples quanto: "A vaca pulou a cerca / Espero que ela não se perca."

COMECE E TERMINE CADA ESTROFE COM A MESMA RIMA PARA CRIAR RIMAS INTERPOLADAS.
Caso queira usar algo que ajudará a sinalizar o início e o fim de uma das estrofes, abra e feche uma com a mesma rima. Você pode incluir rimas emparelhadas ou outro esquema rimático no meio da estrofe, ou não incluir nenhuma outra rima exceto no início e fim do poema.

Por exemplo, você pode organizar o esquema rimático como ABBA CDDC EFFE, ou experimentar algo como ABCA DEFD GHIG.

APOSTE EM UMA ESTRUTURA DE LIMERIQUE PARA CRIAR UM POEMA ENGRAÇADO.

Aposte em uma estrutura de limerique para criar um poema engraçado. Limeriques são poemas de cinco versos que contam uma história curta e pateta, então é uma ótima opção se quiser escrever um poema rimado engraçado. A estrutura desse estilo inclui duas rimas emparelhadas seguidas por um verso que termina com a mesma rima que a primeira parte.

Por exemplo, você pode usar a estrutura AABBA.

INCLUA DUAS PALAVRAS RIMADAS OU MAIS NO MESMO VERSO.
Você pode colocar palavras que rimam no mesmo verso para uma sucessão mais rápida de rimas. Essa técnica é conhecida como esquema rimático interno. Escolha duas palavras que rimem ou que tenham uma sílaba que rima no final e coloque as duas no mesmo verso do poema.

Por exemplo, você pode usar uma rima como: "A bela bola do Raul / Bola amarela" (Cecília Meireles).

Parte 3
Revisando um poema rimado

LEIA TODO O POEMA ALGUMAS VEZES DEPOIS DE FAZER O RASCUNHO.
Da mesma forma que em muitos outros tipos de escrita, a revisão é a parte mais importante. Quando as ideias estiverem no papel, leia atentamente e corrija erros gramaticais, refine a linguagem, adicione ou remova palavras e frases, e reescreva algumas partes se for necessário.

Leia o poema em voz alta para ouvir como ele soa. Isso ajudará a encontrar erros pequenos, e também é como a poesia deve ser apreciada!

Caso tenha que enviar o poema para uma aula, tenha tempo suficiente para revisá-lo até ficar satisfeito. Lembre-se de que até mesmo poetas renomados revisam seu trabalho muitas vezes.

PEÇA A OPINIÃO DE ALGUÉM EM QUEM CONFIA.
Dê o seu poema a um amigo, colega ou professor para que ele leia e diga o que achou. Isso pode ajudá-lo a revisar o poema dando mais palavras rimadas, conteúdo para o poema, ou formas de melhorar a estrutura.

Se precisar enviar o poema para uma aula, peça a opinião das pessoas alguns dias antes do prazo.

Dica: Revisar não é só sobre corrigir erros de ortografia, digitação ou formatação; é também sobre moldar e aperfeiçoar o conteúdo do seu poema e torná-lo o melhor que conseguir.

VOLTE PARA O POEMA ALGUMAS HORAS OU DIAS DEPOIS SE ESTIVER SEM IDEIAS.
Embora possa revisar o poema imediatamente, muitas pessoas acham mais fácil revisar depois de deixar o poema de lado por algumas horas ou até dias. Isso permite que você volte para o poema com uma nova perspectiva e encontre problemas que pode não ter visto da última vez.

Parte 4
Experimentando tipos diferentes de rimas

FAÇA A ÚLTIMA PALAVRA DE UM VERSO RIMAR COM A ÚLTIMA PALAVRA DO PRÓXIMO VERSO.
O tipo mais comum de rima em um poema é quando a última palavra ou sílaba de um verso rima com a última palavra ou sílaba de outro verso. Isso também é conhecido como rima externa.

Por exemplo, se um verso terminar com “canto", o próximo pode terminar com "manto”.

Ou você pode rimar as últimas sílabas de duas palavras, como "coração" e "sensação".

USE DUAS PALAVRAS QUE QUASE RIMAM PARA CRIAR UMA RIMA TOANTE OU ASSONANTE.
Você pode usar no seu poema duas palavras com sons parecidos mas que não rimam perfeitamente. Elas podem ter um ritmo vocálico forte, mas ter uma letra que as impede de rimar perfeitamente.

Por exemplo, as palavras "pálida" e "lágrima" são rimas toantes por causa dos sons que as vogais fazem. "Boca" e "moça" também são consideradas rimas toantes pelo mesmo motivo.

Esse tipo de rima também pode ser chamado de imperfeito por ter apenas uma correspondência parcial de sons.

REPITA PALAVRAS HOMÔNIMAS PARA INCORPORAR UMA RIMA RICA.
Esse estilo é chamado assim pois as palavras rimadas têm o mesmo som, mas têm significados diferentes. Usar essa técnica é uma ótima forma de incorporar palavras rimadas e adicionar complexidade ao seu poema.

Por exemplo, você pode incluir as palavras "noz", o fruto, e "nós", o pronome.

Outro tipo de rima rica pode ser repetir a palavra "trabalho", mas com um significado diferente em cada verso. “Trabalho” pode se referir ao verbo trabalhar na primeira pessoa do singular, ou à ocupação de alguém.

INCLUA PALAVRAS QUE PARECEM QUE RIMAM MAS NA VERDADE NÃO RIMAM.
Algumas palavras são escritas de uma forma que você pode pensar que elas rimam, mas têm sons diferentes quando pronunciadas. Juntar duas palavras com grafias parecidas ou iguais e sons diferentes pode fazer seu poema soar mais complexo.

Por exemplo, as palavras "árvore" e "apavore" terminam da mesma forma, então parece que elas rimam, mas elas têm sílabas tônicas diferentes e são pronunciadas de formas diferentes!

USE A MESMA PALAVRA MAIS DE UMA VEZ PARA ENFATIZÁ-LA.
Repetir uma palavra é outra forma criativa de incluir palavras rimadas no seu poema. Você pode rimar uma palavra com ela mesma repetindo a palavra na mesma posição do próximo verso.

Por exemplo, você pode repetir "casa" e dois versos escrevendo: "Eu estou seguro nessa casa / Essas paredes grossas são a minha casa.”

DICAS: 

1– Não reutilize a mesma palavra muitas vezes no seu poema. Use a repetição uma ou duas vezes para dar ênfase sem soar repetitivo demais.

2– Caso tenha que escrever um poema rimado para a escola, faça com antecedência. Isso não é algo que você consegue escrever de última hora.

3– Use um dicionário de rimas como a parte de rimas do Dicionário Informal para encontrar outras rimas que você não teria pensado sozinho.

4– Você precisa ler poesia para aprender a escrever poemas. Pegue uma antologia de poesia e leia do início ao fim, ou visite um site de poemas para procurar por autores, assuntos ou estilos.

AVISO
Não fique bravo ou estressado se estiver com dificuldade. Tire um tempo para clarear a mente, beba água ou respire ar puro, e recomece.
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* ALICIA COOK é escritora profissional que reside em Newark, Nova Jersey. Com mais de 12 anos de experiência, Se especializou em poesia e utiliza sua plataforma para defender as famílias afetadas pelo vício e a lutar para quebrar o estigma em torno do vício e das doenças mentais. É formada em Inglês e Jornalismo pela Georgian Court University e possui um MBA pela Saint Peter's University. Autora de best-sellers pela Andrews McMeel Publishing, seus trabalhos já foram publicados em diversos veículos de comunicação, incluindo o NY Post, CNN, USA Today, HuffPost, LA Times, American Songwriter Magazine e Bustle. Foi nomeada pela Teen Vogue como uma das 10 poetisas das redes sociais que você precisa conhecer, e sua coletânea de poemas, "Things I've Been Feeling Lately", foi finalista do Goodreads Choice Awards de 2016. 

Fontes:
WikiHow. 
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Asas da Poesia * 183 *


Poema de
FRANCISCO AZUELA ESPINOZA
León/Guanajuato/México, 1948

Lágrima Cinco

Inventor de mentiras,
demônio enganador, caçador do vento,
empoleirado no bico de um pássaro de neve ardente,
queimador de asas de anjo, estrelas desnudas,
galho e cão,
mordedores de moinhos antigos.

Cavaleiros rançosos apodrecem,
cavalos de osso vermelho,
a face recupera seu rio de sangue como um eco,
fuzil, bloqueador de tiros.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ
Irapuato/ Guanajuato/ México

Poesia em movimento

A palavra poética 
é um pássaro.

Em seu voo,
para falar com os deuses,
ela desvia das lanças do sol,
deixando em seu rastro 
minúsculos cristais de mar etéreo.

A palavra incandescente
faz a névoa de tinta
dissipar-se.

As letras fluem em bandos,
tecendo poesia em movimento,
e à medida que os versos nascem,
são coroados com halos
de poeira solar.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
MANUEL ACUÑA
Saltillo/México, 1849 – 1873, Cidade do México/México

À Uma Flor

Quando teu botão mal se abria
para respirar alegria e contentamento,
já te dobras, cansada e sem alento,
rendendo-te à dor e à agonia?

Não vês, talvez, que esta sombra ímpia
que escurece o azul do firmamento
não passa de uma nuvem que ao soprar o vento,
te fará ver novamente o dia?...

Levanta-te e ergue-te!... Ainda não chega 
a hora de abrigares no fundo do teu botão
a tristeza que te verga.

Ao sol é injusta tua reprovação,
pois aquela sombra passageira que te cega,
é apenas uma sombra, mas ainda não é noite, não.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
JAIME TORRES BODET
Cidade do México/México, 1902 – 1974

Canção das Vozes Serenas

A tarde se esvaiu
cantando uma canção,
perseguindo uma nuvem,
e colhendo as pétalas de uma flor.

Se desvaneceu a noite
fazendo uma oração,
conversando com uma estrela,
e morrendo com uma flor.

E se esvairá a aurora
retornando àquela canção,
perseguindo outra nuvem,
e desfolhando outra flor.

E se desvanecerá a vida
sem ouvir nenhum outro rumor
além do da água das horas
levando o coração…
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
NELLIE CAMPOBELLO
(Nellie Francisca Ernestina Campobello Luna)
Villa Ocampo/Durango/México, 1900 – 1986, Progreso de Obregón/Hidalgo/México

Na Areia

Eu não pedi
tuas lágrimas
Eu estava brincando
quando pedi
tua alma
Você não vê que eu rio
quando você
me chama de amada?
Se eu não quero
tuas lágrimas
Eu estava pedindo
tua alma
Mas eu estava jogando
o jogo
das
almas
que não
querem
nada.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
EDUARDO LIZALDE
Cidade do México/México, 2929 – 2022

Grande é o ódio

1
Grande e dourado, amigos, é o ódio.
Todo o grande e dourado
vem do ódio.
O tempo é ódio.

Dizem que Deus se odiava em ato,
que se odiava com a força
dos infinitos leões azuis
do cosmos;
que se odiava
para existir.

Nascem do ódio, mundos,
óleos perfeitíssimos, revoluções,
tabacos excelentes.

Quando sonha alguém que nos odeia, apenas,
dentro do sonho de alguém que nos ama,
já vivemos no ódio perfeito.

Ninguém vacila, como no amor,
na hora do ódio.

O ódio é a única prova indubitável
da existência.
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Trova Humorística de
ÉLBEA PRISCILA DE SOUZA E SILVA
Piquete/SP, 1942 – 2023, Caçapava/SP

– Esta pimenta é de cheiro?
Pergunta com azedume,
e o garçom fala ligeiro:
– Se não é… boto perfume!
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Poema de
JOÃO MELO
(Aníbal João da Silva Melo)
Luanda/Angola

A Lagartixa Frustrada

Um dia
a lagartixa
quis ser dinossauro

Convencida
saltou pra rua
montada em blindados
pra disfarçar a sua insignificância

Tentou mobilizar as formigas
que seguiam
atarefadas
pro trabalho

"Ó pobre e reles lagartixa
condenada
à fria solidão
das paredes enormes e nuas
tu não sabes que os dinossauros
são fósseis
pré-históricos?"
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Aldravia de
AMÉLIA LUZ
(Amélia Marciolina Raposo da Luz)
Pirapetinga/MG

Teu
vestido
amarelo
rodopia
compasso,
bolero!
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Soneto de
PATRÍCIA NEME
Palmas/TO

Soneto da Saudade

O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.

Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...

O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.

Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!
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TROVA POPULAR

Já não posso ser contente,
tenho a esperança perdida
ando perdido entre a gente
nem morro nem tenho vida.
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Soneto de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DECARLI
Bandeirantes/PR

Divino mistério

Pura eclosão no encontro de dois seres,
ou de um só ser, chamado hermafrodita.
Sem ser movida por carnais prazeres,
carrega em si leal prenhez, prescrita.

Nas mãos a tens, quiçá sem compreenderes
que um divino mistério nela habita.
Sequer refletes, junto aos afazeres,
quão essencial é o ser que ali dormita…

Mas, lá na roça, alguém sempre a cultua,
vislumbra o embrião, que a espécie perpetua:
- o apaixonado e atento lavrador!

E, na expansão do gérmen, a semente
exalta a vida e aquEle que consente
nesse milagre – prova audaz de AMOR!…
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Trova de
FAUSTO PARANHOS
Rio de Janeiro/RJ (1910 – ????)

Em certos beijos se esconde
um demônio singular
que nos conduz não sei aonde,
donde é difícil recuar. 
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Poema de
CLEVANE PESSOA
Belo Horizonte/MG

Chuva de Versos

Quando versos chovem n'alma
trovas lindas nos florescem...
Sua beleza nos acalma,
e sob as águas, mais crescem...

Para a chuva, "n" versos 
 pelas rimas  tão  molhados,
- microcosmos bem diversos
 a criar trovas e fados...

Se a paixão nos incendeia,
 dançam loucas labaredas,...
Vou apagar minha candeia
e chover versos de sedas...
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Haicai de
BENEDITA SILVA DE AZEVEDO
Magé/RJ

Noite de inverno -
A tremer sob jornais
O pobre na esquina
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Soneto de
LÊDO IVO
Maceió/AL, 1924 – 2012, Sevilha/Espanha

Acontecimento do Soneto

À doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude encontro abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros

versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.

Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião,

irei, levando uma mulher comigo,
e serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo.
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

Mote... 
Carnaval... tanta folia. 
Sincopados corações... 
Desfile de alegoria... 
Passarela de ilusões!
JOSÉ FELDMAN
(Floresta/PR)

Glosa... 
Carnaval... tanta folia. 
Alegria "mascarada"... 
Foliões, com distonia, 
destoam na batucada! 

Carnaval.. quanta apatia. 
Sincopados corações 
batucam, sem alegria 
no peito dos foliões! 

Carnaval... quanta ironia! 
Colombinas e Pierrôs... 
Desfile de alegoria... 
Foliões "borocochôs"! 

Carnaval... que desalento! 
Desfiles sem emoções... 
Foliões em fingimento... 
Passarela de ilusões!
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Trova de
DEODATO PIRES
Olhão/Portugal

Neste mundo em convulsão
dia a dia a denegrir
temo com apreensão
o que será o porvir…
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Soneto de
PERO DE ANDRADE CAMINHA 
Porto/Portugal (1520 – 1589) Vila Viçosa/Portugal

Quando cuido, senhora, quanto escrevo…

Quando cuido, senhora, quanto escrevo…
tudo em vossos formosos olhos leio,
neles, ante quem tudo é escuro e feio,
aprendo e vejo como amar-vos devo.

Vejo que ao vosso amor todo me devo,
mas não vos sei amar, e assi'me enleio
que não sei se vos amo ou se o receio,
e a julgar em mim isto não me atrevo.

Em vós cuido, em vós falo o dia e ora,
mouro por ver-vos, ir-vos ver não ouso,
por não ver quanto mais devo do que amo;

ó sol e ó sombra o vosso nome chamo,
fora destes cuidados não repouso;
se isto é amor, vós o julgai, senhora!
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Trova de
ANALICE FEITOZA LIMA 
Bom Conselho/PE, 1938 – 2012, São Paulo/SP

Dinheiro, não tenho tanto
para os seus luxos “bancar”.
Mas o pão nosso, garanto,
Deus não vai deixar faltar!
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Poema de
HANS ULRICH TREICHEL
Versmod/Alemanha

Progressos na investigação do caos

Esteja à vontade,
trate-me só por eu
ou omita-me de todo.
Afinal ninguém sabe ao certo
onde começa o próximo.
Poderá dispersar-se,
mas permaneça deitado.
Feche os olhos
e não ouça nada.
Quando nada sentir,
tem de sentir o que sente.
Ou será que também é daqueles
que sangram a cada tiro?
O meu conselho é gorduras vegetais
e inteligência animal.
No entanto, tudo com medida
e sempre de cabeça inclinada.
O resto é bastante simples.
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Quadrão à Beira Mar de
CREUSA MEIRA
Salvador/BA

Queria por um momento
Falar de contentamento
Esquecer o sofrimento
Neste breve versejar
Sorrir para não chorar
Ao lembrar o triste dia
Que perdi minha alegria
No quadrão à beira mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”
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Trova Humorística de
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Miguel Couto/RJ

Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– A porca… tem masculino?
– Tem, fessora… o parafuso!
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Hino de 
CAMPOS DOS GOYTACAZES/ RJ

Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés

Nada iguala os teus dons, os teus primores
Val de delícias, o teu céu azul
Minha terra natal ninho de amores
Urna de encantos, pérola do sul

Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Rio que rolas dentro do meu peito.
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Uma Ode à Beleza e História
O 'Hino de Campos dos Goytacazes - RJ' é uma celebração poética da cidade localizada no estado do Rio de Janeiro. A letra exalta a beleza natural e a riqueza cultural da região, utilizando uma linguagem rica em metáforas e referências históricas. A cidade é descrita como uma 'intrépida amazona', uma figura de força e coragem, que se destaca no 'viridente plaino goitacás', uma referência às planícies verdes habitadas pelos índios Goitacás.

A canção também faz uma homenagem ao rio Paraíba do Sul, descrito como uma 'mágica torrente' e 'soberana dos prados e vergéis'. O rio é personificado como um rei oriental, cujos 'vassalos vêm beijar-te os pés', simbolizando a importância vital do rio para a região e seus habitantes. Essa personificação do rio como uma entidade majestosa e vital reforça a conexão íntima entre a natureza e a vida cotidiana dos moradores de Campos dos Goytacazes.

Além disso, o hino destaca a cidade como um 'val de delícias' e 'urna de encantos', enfatizando a ideia de Campos dos Goytacazes como um lugar de beleza e prazer. A comparação com Verona, cidade italiana famosa por sua beleza e romance, sugere que Campos dos Goytacazes é igualmente encantadora e inspiradora. A repetição de frases e a estrutura lírica reforçam o sentimento de orgulho e amor pela terra natal, criando uma imagem vívida e apaixonada da cidade. 
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Poetrix de
ANDRA VALLADARES
Vila Velha/ES

in memoriam

A vida é bordadeira,
com pontos de cruz
orna nosso destino.
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Soneto de
JORGE DE LIMA
(Jorge Mateus de Lima)
União dos Palmares/AL, 1895 – 1953, Rio de Janeiro/RJ

O Acendedor de Lampiões

 Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

 Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

 Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

 Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!
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Trova de
MAGDALENA LÉA
(Magdalena Léa Barbosa Corrêa)
Rio de Janeiro/RJ, 1913 – 2001

Ah se eu pudesse saber
qual a mulher que ele quer!
Que não iria eu fazer
para ser essa mulher?
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

A raposa, as moscas e o ouriço

Deixando pelo chão rastros do próprio sangue,
Uma astuta raposa audaz que outrora fora
Enérgica, sutil, leve, jazia agora
Sobre um montão de lama, inanimada e exangue.

Tinha-a ferido em cheio um caçador valente...
E a Mosca, o parasita alado do monturo,
Vinha alegre, num voo enérgico e seguro,
Cevar-se no seu corpo ainda vivo e quente.

E o mísero animal, com as pupilas foscas,
Invetivava triste o seu terrível norte,
Por lhe ter conferido a desgraçada sorte
De, com seu próprio corpo, alimentar as moscas.

«Fazerem-me sofrer assim um tal vexame,
A mim, ao mais sutil vivente das florestas!
Quando é que uma raposa alimentou as festas,
Os banquetes cruéis de esfomeado enxame?!

De que me serve a cauda? Acaso é um fardo antigo,
Inútil? Ah! que o céu te pague, Mosca bruta!
Vai cevar noutro corpo a tua fome astuta,
E deixa só ficar a minha dor comigo.

Nesta mesma ocasião, um ouriço piedoso,
(Personagem estranho e novo nos meus versos)
Quis livrá-la, com dó, dos animais perversos
Que a afligiam assim, e disse-lhe bondoso:

 Raposa amiga, espera um só instante apenas...
Com meus espinhos bons eu mato-as num momento;
Vais ver como te vou tirar o sofrimento,
Como te vou tirar essas horríveis penas.

— Não quero, respondeu, não as enxotes, deixa...
Oh! deixa-as acabar o seu furor nefando...
Quase estão fartas já... viria um outro bando
Que teria mais fome, e eu mais razão de queixa.»

Assim é esta vida e tudo neste mundo,
Desde a negra miséria aos grandes resplendores;
Ministros, cortesãos... são todos comedores,
Todos têm consigo o mesmo mal profundo.

Este apólogo audaz foi aplicado ao homem;
Aristóteles fê-lo e tinha-o como certo;
Exemplos destes há imensos e bem perto...
Quanto mais cheios, mais saciados, menos comem.
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