Sinaá (ou Sina’a), o grande herói mítico e ancestral do povo Juruna (Yudjá), conhecido por seus poderes xamânicos e por guardar o segredo do fim do mundo.
José Feldman (Floresta/PR)
Sinaá: Guardião do Destino
No centro do mundo, em tempos remotos,
Sinaá vivia com grande saber,
ouvia dos rios os sons mais devotos,
e o que estava oculto podia ler.
Xamã poderoso de força infinita,
ele era o mestre de toda a invenção,
sua voz nas aldeias ainda ressoa e habita,
trazendo a memória de cada ancião.
Diz a lenda antiga que o herói era imortal,
pois sempre trocava de pele e de cor,
vencia o tempo, vencia todo o mal,
mostrando ao seu povo o seu alto valor.
Mas ele guardava um segredo profundo,
no topo da serra, em um grande lugar,
um jarro que encerra o fim deste mundo,
se a tampa um dia alguém levantar.
Se o jarro se quebra, o céu desabará,
as águas do rio virão para o chão,
e nada na terra então restará,
será o silêncio da destruição.
Sinaá se cansou da maldade da gente,
dos homens que esquecem de toda a raiz,
partiu para longe, de modo imponente,
para um reino distante, por ser mais feliz.
Ele mora hoje no alto da serra,
sentado ao lado do jarro fatal,
olhando as batalhas que existem na terra,
e o rumo que toma o destino final.
Às vezes ele chora e o céu se escurece,
a chuva que cai é o seu lamento,
a tribo se cala, a aldeia padece,
sentindo a força do seu pensamento.
Ele ensinou como a roça se planta,
como fazer o polvilho e o beiju,
sua sabedoria até hoje encanta,
desde o Xingu até o alto Pacaás Novos e o Juru.
Se o homem a lei da floresta respeitar,
e cuidar da vida com muito cuidado,
para o jarro na paz perdurar,
e o fim por Sinaá continue guardado.

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