Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pedro Mello (Ah, esses nossos livros...!)



O que faço se preciso de um esclarecimento, de um tira-dúvidas? Mais seguro que procurar no “Google” ou na “Wikipedia” é consultar o velho e infalível dicionário, o “pai-dos-inteligentes”, naturalmente à prova de vírus, de “tilte” e de queda de energia elétrica. (Discordo veemente da antonomásia “pai-dos-burros”. Quem é burro acostuma-se e acomoda-se à sua ignorância. Afinal, quererá um dicionário para quê???) Alguns, mais curiosos e sequiosos da pureza vernacular, procurarão uma gramática.

Entre nossos dicionários, o Caldas Aulete foi a referência padrão durante muitos anos e, mais atualmente, o Aurélio e o Houaiss se destacam por seu alcance. O Houaiss é mais completo que o Aurélio, mas é de difícil consulta para um leigo. Entre as gramáticas, os mais antigos certamente evocarão a “Gramática Metódica da Língua Portuguesa”, de Napoleão Mendes de Almeida e a “Gramática Normativa da Língua Portuguesa”, de Rocha Lima. Atualmente, nossas melhores e mais confiáveis (apesar de alguns pormenores que não vem ao caso elencar) são a “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, de Celso Cunha e Lindley Cintra, e a “Moderna Gramática Portuguesa”, do Prof. Evanildo Bechara.

Quem conhece um pouco de outras línguas, ficará impressionado com o atraso do Português neste quesito. Só o Espanhol possui atualmente três dicionários de grande vulto e emprego, o “Dicionario Usual”, editado pela Larousse, o “Dicionario de la lengua española”, da Universidad de Salamanca e o “Dicionario del Estudiante”, da Real Academia Española, três calhamaços dignos de respeito.

Por falar em Academia, é curioso lembrar que a Academia Brasileira de Letras, uma instituição teoricamente análoga à espanhola, limita-se a publicar o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), praticamente desconhecido da maioria dos brasileiros e que se limita, simplesmente, a elencar as palavras em ordem alfabética, sem maiores explicações. Depois do acordo ortográfico, então, estamos em um caos praticamente institucional.

Em termos de gramática, também ficamos um pouco atrás: a primeira gramática do Espanhol foi publicada por Antonio Nebrija, em 1492; e a do Português, por Fernão de Oliveira, em 1536. E voltando a falar da Real Academia Espanhola, é ela quem edita a mais completa gramática do Espanhol contemporâneo, em dois alentados volumes, uma referência mundial para quem estuda Espanhol.

Enquanto isso, a nossa Academia prefere chá com biscoitos... Apesar de algumas boas iniciativas, a língua portuguesa ainda não tem uma gramática “oficial”, que sirva de parâmetro para pessoas de outras nações que queiram estudar Português. Mas e as nossas gramáticas, afinal? Bem... as nossas dão para o gasto. E é só. Uma gramática muito boa é a “Gramática de Usos do Português”, da Professora Maria Helena Moura Neves, da UNESP, todavia é de difícil consulta para um leitor comum. Outras iniciativas de pesquisadores brasileiros são boas, mas de pequeno alcance e esbarram em obstáculos de natureza logística. Fora essas iniciativas, o que encontramos nas livrarias são cópias de gramáticas anteriores e, na maioria dos casos, cópias mal feitas, cheias de inconsistências teóricas e de conceituações defeituosas. Cito como exemplo a minigramática que minha escola recebe do Governo do Estado (!!!), que traz a seguinte pérola, à p. 247: “Sujeito é o ser de quem se diz alguma coisa. Predicado é aquilo que se afirma do sujeito, ou melhor, é o termo que contém a declaração, referida, em geral, ao sujeito.” E quando o sujeito não é um ser? Na frase “O que aconteceu?”, “o que” é sujeito do verbo “aconteceu”, e nem por isto é um “ser”. E se “predicado” é aquilo que se afirma sobre o sujeito, como ficam as orações sem sujeito? “Está calor”, “fez frio”, “choveu”, “amanheceu”. Estas quatro frases são predicados, mas não estão afirmando nada sobre sujeito algum, porque o sujeito, nestes casos, simplesmente não existe!

Estudar língua portuguesa no Brasil é pisar em um campo minado. Muitas vezes o que parece não é e o que é não parece. Para nós da UBT, que escrevemos trovas e julgamos outras tantas para concursos, é preciso muita cautela antes de dar nota ou excluir determinadas trovas do escopo de um julgamento. É imprescindível consultar gramáticas e dicionários em casos de dúvida. De preferência, mais de uma obra. Há autores que divergem em determinados assuntos e às vezes mais complicam do que esclarecem. As línguas variam e as gramáticas nem sempre registram adequadamente tais variações ou, ao contrário, abonam construções que já caíram em desuso. De preferência, precisamos consultar obras atualizadas.

Por fim, um comentário absolutamente pessoal: em vista do caráter muitas vezes impressionista de nossos compêndios, não me admira que a palavra “TROVA” seja um mistério para as pessoas. E se quiserem saber o que é “trova” olhando um dicionário... Deus nos acuda!

Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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